O Leilão de Transmissão nº 4/2026 terminou na tarde desta sexta-feira (30), na B3, em São Paulo, com os oito lotes arrematados e deságio de 50,10%. Após pouco mais de três horas de disputa, a competição reduziu a receita anual a ser paga aos empreendedores de aproximadamente R$ 1,63 bilhão para R$ 811,1 milhões.
A diferença representa uma redução anual de R$ 814,32 milhões em relação ao teto estabelecido pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). Ao longo dos 30 anos de concessão, a economia estimada chega a R$ 24,43 bilhões, sem considerar reajustes ou atualização monetária.
Com investimentos previstos de R$ 8,9 bilhões, os empreendimentos contemplam a construção de 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão, a continuidade da operação e manutenção de outros 483 quilômetros de linhas existentes e instalações de transformação que somam 12.694 MVA.
As obras abrangem Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. Segundo a ANEEL, a expectativa é gerar cerca de 20 mil empregos ao longo da cadeia produtiva durante a construção.
Os prazos de implantação variam de 42 a 60 meses após a assinatura dos contratos, prevista para fevereiro de 2027. Com isso, a entrada em operação comercial das novas instalações deverá ocorrer entre agosto de 2030 e fevereiro de 2032.
Segundo a Presidente-executiva da ABRATE, Talita Porto, o resultado do leilão é uma prova que a competitividade do leilão traz um grande ganho para o consumidor. Para ele, a transmissão é a infraestrutura que traz o crescimento da economia, a transição energética e a confiabilidade que o sistema interligado precisa.
“Trata-se de modernizar continuamente o sistema. A incorporação de ativos como os compensadores síncronos confere a inércia e a estabilidade de que o Sistema Interligado precisa para integrar o avanço das fontes renováveis e preparar o país para a eletrificação da indústria e da mobilidade”, observa o profissional.
Celeo conquista o maior lote
A Celeo Redes conquistou o lote 4, o maior do certame, ao apresentar uma Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 377,09 milhões, com deságio de 50,55%. A proposta superou as ofertas de concorrentes como Axia Energia e Engie. O conjunto reúne investimentos estimados em R$ 4,11 bilhões, quase metade do total previsto para o leilão.
A companhia também venceu o lote 8, em Rondônia, com uma proposta de R$ 66,66 milhões e desconto de 48,02%. Somados, os dois lotes representam aproximadamente R$ 4,87 bilhões em investimentos.
A Neoenergia Transmissão ficou com os lotes 1 e 7. Na disputa pelo primeiro, venceu uma competição acirrada na etapa de lances a viva-voz com a Tradetek Soluções em Iluminação Pública e Infraestrutura. A oferta de R$ 59,85 milhões resultou em deságio de 51,21%. No lote 7, a proposta vencedora foi de R$ 68 milhões, com desconto de 38,55%.
A Cymi Construções e Participações também arrematou dois lotes. No lote 3, apresentou uma RAP de R$ 78,70 milhões e alcançou o maior deságio do leilão: 57,08%. Já o lote 5 foi conquistado com uma oferta de R$ 96,40 milhões, equivalente a uma redução de 46,36% sobre o teto.
Completam a lista de vencedores a Cox Brasil, que levou o lote 6 por R$ 37,85 milhões e deságio de 53,46%, e a EDP Transmissão Goiás, vencedora do lote 2 com uma proposta de R$ 26,53 milhões e desconto de 53,29%.
Conheça cada lote
Lote 1 – Bahia
Além da continuidade da operação e manutenção de 483 quilômetros de linhas existentes e das subestações Brumado II, Tomba e Itagiba, o lote prevê 238 quilômetros de novas linhas em 230 kV: Poções III–Itabuna III e Ibicoara–Brumado II. Também será instalado um terceiro transformador de 100 MVA na subestação Brumado II. As obras atenderão às cargas existentes e à expansão da demanda no Sul e Centro-Sul da Bahia, com prazo de implantação de 48 meses.
Lote 2 – Goiás e Bahia
Voltado ao atendimento do Nordeste de Goiás, o empreendimento inclui a linha de transmissão Rio das Éguas–Iaciara 2, em 230 kV e circuito duplo, e a subestação Iaciara 2, com capacidade de transformação de 300 MVA. O conjunto soma 126 quilômetros de circuitos e deverá ser implantado em 48 meses.
Lote 3 – São Paulo
O principal empreendimento é a subestação Santana, de 500/345 kV e 3.600 MVA, em Mogi das Cruzes. O lote também contempla cerca de 45 quilômetros de conexões com linhas existentes, incluindo Lorena–Tijuco Preto, Tijuco Preto–Itapeti e Itapeti–Santo Ângelo. Com prazo de 48 meses, as instalações reforçarão o atendimento à região central da capital paulista.
Lote 4 – Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e São Paulo
O maior lote reúne 1.167 quilômetros de linhas e 3.600 MVA de capacidade de transformação. O conjunto inclui as linhas de 500 kV Rio Brilhante–Sarandi, em circuito duplo, Rio Verde Norte–Chapadão e Chapadão–Rio Brilhante, além de ampliações nas subestações Rio Brilhante e Chapadão e compensação síncrona em Rio Brilhante.
Com prazo de implantação de 60 meses, as obras reforçarão o atendimento elétrico a Mato Grosso do Sul e ampliarão a capacidade de conexão de geração. Embora as principais instalações estejam em Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás, o detalhamento da ANEEL também prevê a passagem pelo município paulista de Rosana.
Lote 5 – Paraná
Destinado ao atendimento da Região Metropolitana de Curitiba, o lote contempla 173 quilômetros de linhas e 2.094 MVA de capacidade de transformação. Entre as obras estão a linha Curitiba Oeste–Barigui 2, em 230 kV e circuito duplo, com trechos aéreos e subterrâneos, a implantação da subestação Barigui 2 e ampliações nas subestações Curitiba Oeste e Uberaba. O prazo é de 60 meses.
Lote 6 – Paraná
O empreendimento prevê a subestação Iguaçu, de 525/230/138 kV, com 900 MVA de capacidade de transformação, em Santa Terezinha de Itaipu. Também inclui cerca de quatro quilômetros de conexões com linhas existentes. As instalações reforçarão o atendimento às regiões Oeste e Sudoeste do Paraná, com implantação em 42 meses.
Lote 7 – Paraíba
Voltado ao Sertão paraibano, o lote reúne as subestações Coremas II, de 500/230 kV, e Cajazeiras II, de 230/69 kV, além de linhas e conexões com a rede existente. São 113 quilômetros de linhas e 2.100 MVA de capacidade de transformação, com prazo de implantação de 42 meses.
Lote 8 – Rondônia
O lote prevê a instalação de três compensadores síncronos na subestação Coletora Porto Velho, cada um com faixa de operação de −200 a +300 MVAr. Os equipamentos darão suporte à tensão e ampliarão a resiliência do sistema de transmissão que atende Acre e Rondônia diante dos efeitos das mudanças climáticas. O prazo de implantação é de 42 meses.
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