O consumo nacional de energia elétrica somou 48.886 GWh em março de 2026, registrando retração de 2,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Trata-se da segunda queda consecutiva no indicador, sinalizando um arrefecimento recente da demanda no país, segundo a Resenha Mensal divulgada pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética)
A redução disseminada entre os principais segmentos de consumo. O setor residencial apresentou queda de 2,6%, enquanto a indústria recuou 1,3%. No comércio, a retração foi mais moderada, de 0,4%. Já a categoria “outros”, influenciada principalmente pelo consumo rural, registrou a maior variação negativa, de 6,4%.
Apesar do desempenho mensal mais fraco, o consumo acumulado em 12 meses atingiu 566.242 GWh, mantendo-se praticamente estável na comparação com o período anterior.
Diferenças regionais
O comportamento da demanda variou entre as regiões do país. O Norte liderou o crescimento, com alta de 9,0%, seguido por Nordeste (+0,4%) e Centro-Oeste (+0,2%). Em sentido oposto, o Sudeste apresentou a maior queda, de 5,5%, enquanto o Sul recuou 1,7%.
Esse contraste regional indica que, mesmo com retração no agregado nacional, há áreas com expansão consistente do consumo, refletindo dinâmicas econômicas e climáticas distintas.
Mercado livre
No recorte por ambiente de contratação, o mercado livre de energia segue em trajetória de crescimento. Em março, o segmento respondeu por 44,8% do consumo nacional, totalizando 21.887 GWh, com aumento de 2,4% frente ao mesmo período de 2025.
O número de consumidores nesse ambiente também avançou de forma expressiva, com alta de 23,6%. O destaque ficou para a região Norte, que apresentou tanto o maior crescimento no consumo (+12,5%) quanto a maior expansão no número de consumidores livres (+37,4%).
Mercado regulado
Em contraste, o das distribuidoras respondeu por 55,2% do consumo nacional, com 26.999 GWh, mas registrou queda de 5,8% na comparação anual. Ainda assim, houve crescimento de 1,7% no número de consumidores cativos.
Entre as regiões, apenas o Norte apresentou expansão do consumo nesse ambiente, com alta de 5,8%, enquanto o Centro-Oeste liderou o aumento no número de consumidores, com crescimento de 2,3%.
Migração acelera
O avanço do mercado livre está associado à ampliação do acesso para consumidores de alta tensão, medida implementada em 2024. Desde então, cerca de 45 mil unidades migraram para o ambiente livre, sendo 26 mil em 2024 e outras 19 mil em 2025.
A tendência deve continuar ao longo de 2026, com a expectativa de que quase 10 mil novos consumidores façam a transição. O movimento reforça a reconfiguração do mercado elétrico brasileiro, com crescimento do ambiente livre mesmo em um cenário de retração da demanda total.
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