Em meio ao avanço das bandeiras tarifárias e ao risco de novos reajustes, cresce a procura por projetos de geração solar combinados com sistemas de armazenamento em baterias, especialmente entre consumidores industriais, logísticos, comerciais e do agronegócio.
A avaliação é da TTS Energia, empresa especializada em projetos fotovoltaicos e ativos de energia renovável, que projeta aceleração da demanda corporativa por sistemas híbridos de geração e armazenamento diante do cenário de maior volatilidade tarifária.
A mudança de comportamento começa a aparecer na carteira comercial da companhia. Aproximadamente metade de todos os pedidos e cotações recebidos entre janeiro e abril de 2026 envolveu projetos com baterias associadas a painéis solares.
Desse total, cerca de 25% correspondem exclusivamente a sistemas de armazenamento energético. Na comparação entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, a TTS Energia afirma ter registrado crescimento próximo de 300% nas consultas relacionadas a projetos do gênero.
Bandeira amarela
O movimento ocorre em um momento em que a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) teve que acionar a bandeira tarifária amarela após meses de bandeira verde, refletindo a redução das chuvas e o início do período seco no país.
Especialistas do setor também alertam para a possibilidade de adoção da bandeira vermelha nos próximos meses, o que ampliaria ainda mais o impacto da energia elétrica sobre inflação e custos empresariais.
Custo operacional
Para a TTS Energia, o cenário está fazendo com que empresas passem a tratar energia como uma variável estratégica do negócio e não exclusivamente como despesa operacional.
Segundo informação de Jacques Hulshof, CEO da companhia, o aumento recorrente das tarifas reduz a previsibilidade financeira e afeta diretamente a competitividade de diversos segmentos econômicos.
Cada novo reajuste na conta de luz impacta diretamente a competitividade das empresas e aumenta os custos operacionais, complementa o executivo.
Nesse contexto, sistemas solares integrados a baterias começam a ganhar espaço como alternativa para reduzir exposição às bandeiras tarifárias, suavizar custos e ampliar autonomia energética.
Baterias em alta
Embora a geração solar já esteja consolidada em muitos segmentos corporativos, a principal mudança observada envolve o avanço do armazenamento energético.
Historicamente utilizadas como solução complementar, as baterias começam agora a ser vistas como ferramentas de gestão de consumo e estabilidade operacional.
Esse recurso deixa de ser uma tecnologia complementar e passa a exercer papel estratégico para empresas que querem gerenciar melhor seu consumo, reduzir picos de demanda, evitar custos elevados e garantir continuidade operacional, segundo observa Hulshof.
Os sistemas híbridos permitem armazenar parte da energia gerada para utilização em horários de ponta ou em momentos de tarifas mais elevadas, reduzindo exposição aos períodos mais caros do sistema elétrico.
Além disso, o armazenamento também passa a ser associado à segurança energética, principalmente em operações que dependem de maior estabilidade no fornecimento.
Entenda na prática como dimensionar sistemas híbridos com bateria
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