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Início / Notícias / Mercado & Investimentos / BESS nacional pode custar até 20% mais e ainda competir no leilão, aponta Watt Capital

BESS nacional pode custar até 20% mais e ainda competir no leilão, aponta Watt Capital

Análise de Eduardo Tobias considerou um cenário de referência estruturado com alta alavancagem financeira
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  • Foto de Ericka Araújo Ericka Araújo
  • 28 de maio de 2026, às 13:00
4 min 50 seg de leitura
Canal Solar - BESS nacional pode custar até 20% mais e ainda competir no leilão, aponta Watt Capital
Eduardo Tobias, undador e diretor da Watt Capital. Foto: Canal Solar

Uma análise financeira realizada por Eduardo Tobias, fundador e diretor da Watt Capital, aponta que as condições de financiamento do Fundo Clima, operado pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) , garantem uma farta margem de competitividade para sistemas de armazenamento em baterias (BESS) fabricados no Brasil.

De acordo com a modelagem financeira realizada pela consultoria, um BESS nacionalizado com selo Finame (Financiamento de Máquinas e Equipamentos) pode apresentar um custo de aquisição até 20% superior ao de um concorrente importado da China e, ainda assim, gerar a mesma taxa de retorno para o investidor no próximo LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade).

Segundo Tobias, a modelagem analisou o LCOS (Custo Nivelado de Armazenamento, em inglês) e mapeou como variáveis de crédito, encargos tarifários, prazos contratuais e incentivos fiscais impactam a Receita Fixa (RAP) exigida pelos projetos.

A análise da Watt Capital considerou um cenário de referência estruturado com alta alavancagem financeira, no qual mais de 70% do Capex total do projeto é financiado via dívida.

A simulação técnica comparou a estrutura atual de captação com o acesso às linhas de fomento ambiental:

  • Realidade Atual de Crédito: atualmente, os sistemas de armazenamento no Brasil não possuem acesso a debêntures incentivadas, obrigando os desenvolvedores a recorrerem a debêntures comuns (não incentivadas);
  • Migração para o Fundo Clima: ao estruturar o financiamento com 70% de participação do Fundo Clima do BNDES e 30% FINEM, o empreendimento consegue atingir a mesma Taxa Interna de Retorno (TIR) exigindo uma Receita Fixa 11,5% menor no certame;
  • Equivalência em Capex Global: essa redução de 11,5% na receita necessária equivale, sob a ótica de viabilidade, a uma redução de 16% no Capex global do projeto.

Como o bloco de baterias (BESS, inversores/PCS e subestação de média tensão) responde por uma fatia que varia entre 70% e 80% do Capex total de uma planta de armazenamento, a economia global de 16% se reflete diretamente na tolerância de preço do equipamento.

Na prática, o produto nacional Finame ganha uma margem para custar até 20% a mais na nota fiscal em relação ao concorrente importado sem perder competitividade.

A consultoria ressalta que o setor deve intensificar a busca por debêntures incentivadas para armazenamento, para diminuir a dependência do Fundo Clima e para reduzir o gap de competitividade das soluções importadas, acionalização do BNDES, que se tornarão mais rígidas ao longo dos anos.

ONS confirma já ter estruturado base técnica para leilão de baterias, que ainda aguarda portaria do MME

Engenharia de mitigação de riscos e garantias

A estruturação de contratos de fornecimento robustos, como EPC full turnkey e contratos de manutenção de longo prazo (LTSA), é apontada como fator determinante para a redução da TMA (taxa mínima de atratividade) requerida pelo investidor:

  • Trade-off entre Capex e O&M: economias excessivas no Capex inicial frequentemente resultam em custos operacionais (Opex) elevados no O&M futuro devido a perdas de desempenho e degradação acelerada;
  • Redução da percepção de risco: a presença de garantias tecnológicas de longo prazo (de 15 a 20 anos) confere previsibilidade de desempenho que, se casado com uma extensão do prazo do contrato de reserva para 15 anos, permitiria ao investidor aceitar uma TMA menor, o que reduz o preço do lance no leilão;
  • Ajuste do mercado segurador: o estudo destaca a necessidade de um trabalho prévio junto às seguradoras nacionais, com pouca experiência em segurar projetos de bateria, para evitar que custos elevados de seguros onerem a competitividade dos projetos.

Influência regulatória: prazos e tarifas (TUST/TUSD)

O estudo de sensibilidade avaliou o peso de decisões regulatórias sobre a receita necessária para viabilizar os lances:

  • Prazos contratuais de 10 a 15 anos: tomando como base os contratos de 10 anos inicialmente previstos para o LRCAP, a extensão do prazo para 12 anos reduz a receita necessária em 4% a 5%. Se o prazo for fixado em 15 anos, o ganho de eficiência varia de 7% a até 22%, pois dilui o risco de cauda do ativo e estende o prazo de amortização da dívida bancária;
  • Encargos de transmissão (TUST de demanda): caso a ANEEL determine a cobrança simultânea da TUST/TUSD de geração e de carga (demanda), os projetos demandarão um prêmio adicional na receita entre 11% e 14% para absorver o custo tarifário, cuja combinação varia conforme a localização geográfica.

Viabilidade de sistemas atrás do medidor

A Watt Capital identificou uma mudança estrutural na viabilidade econômica de sistemas BESS instalados junto a usinas geradoras centralizadas (eólicas e fotovoltaicas) para mitigar o descarte de energia por restrição de rede (curtailment).

De acordo com dados da Bloomberg compilados pela consultoria, o custo das baterias estacionárias registrou uma queda de 45% em dólar em termos anuais, patamar favorecido pela retração do câmbio no mercado interno.

Simultaneamente, o agravamento das restrições de escoamento impostas pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e a volatilidade do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) horário inflacionaram os custos dos geradores, que se veem obrigados a recomprar energia no Mercado Livre de Energia para cumprir contratos firmados.

A análise conclui que a otimização econômica desses sistemas híbridos não reside no dimensionamento das baterias para zerar o curtailment, mas sim no cálculo do ponto ótimo que maximiza o uso cíclico da bateria e protege a receita da usina contra a volatilidade horária de preços.

A viabilidade deverá ser potencializada pela possibilidade de redução do MUST em até 30% sem ônus, conforme as discussões da Consulta Pública 39/2023.

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BESS (Battery Energy Storage System) curso de armazenamento leilão de baterias Watt Capital
Foto de Ericka Araújo
Ericka Araújo
Gerente de Comunicação do Canal Solar. Host do Papo Solar. Desde 2020, acompanha o mercado de energias renováveis. Possui experiência em produção de podcast, programas de entrevistas e elaboração de matérias jornalísticas. Em 2019, recebeu o Prêmio Jornalista Tropical 2019 pela SBMT e o Prêmio FEAC de Jornalismo.
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