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Crimes no setor solar têm sido cada vez mais frequentes em 2022

Criminosos se aproveitam da popularização dos sistemas e da falta de conhecimento dos consumidores para aplicar golpes

Autor: 28 de julho de 2022Brasil
Crimes no setor solar têm sido cada vez mais frequentes em 2022

Polícia Civil trabalha para conter para conter o crescimento de crimes no setor de energia solar. Foto: Divulgação

O número de golpes aplicados no setor de energia solar tem se tornado uma prática cada vez mais comum no Brasil. Muitos criminosos vêm se aproveitando da popularização dos sistemas e da falta de conhecimento da grande maioria dos consumidores e até de algumas empresas para praticarem os golpes. 

Nesta quarta-feira (27), a Polícia Civil do Distrito Federal, por exemplo, deflagrou operação para desarticular um esquema que aplicava um golpe milionário em idosos. Os bandidos simulavam a venda de painéis fotovoltaicos e eram minuciosos no momento de escolherem os alvos. 

O dinheiro era arrecadado por meio do site da empresa. O grupo também realizava visitas técnicas a fim de dar mais credibilidade ao golpe e enganar os clientes com maior facilidade, sem que eles pudessem desconfiar da ação fraudulenta. 

Nas investigações, foram identificadas sete vítimas pelo país nos estados do Espírito Santo, Pará, Rio de Janeiro, Goiás e DF. Uma das vítimas, que mora em Asa Norte (DF), por exemplo, amargou sozinha um prejuízo de R$ 484 mil. O valor total arrecadado ultrapassa a barreira dos R$ 2 milhões, segundo a Polícia. 

Outros crimes recentes

No dia 19 de julho, um homem foi preso em flagrante em Lafaiete Coutinho (BA), pelo crime de receptação de produto roubado, após ser encontrado com dezenas de painéis solares. 

De acordo com a Polícia Civil, o material foi avaliado em R$ 170 mil e o suspeito confessou o crime. O homem tem passagens por outras receptações e estelionatos, nas cidades baianas de Vitória da Conquista, Itacaré e Jequié.

O dono do material registrou o roubo na delegacia no dia 13 de julho. A partir da ocorrência, a polícia conseguiu identificar pessoas que estavam negociando a compra dos equipamentos roubados. Todo o material foi encontrado em um imóvel. Além dos módulos, também foram apreendidos inversores e diversos documentos falsificados. 

Duas semanas antes, logo no começo do mês, um esquema envolvendo empresários do Paraná e de Pernambuco na compra e venda irregular de placas de geração de energia solar também havia sido identificado pela Polícia Civil de Andirá, no norte do Paraná. 

As vítimas são uma empresa que vendia os equipamentos, bancos, que autorizaram a compra por meio de financiamento, e pessoas que tiveram dados pessoais e bancários roubados da internet. A fraude foi descoberta após oito meses de investigações  e pode ter causado um prejuízo de mais de R$ 4,4 milhões. 

O esquema consistia no financiamento de compra e instalação de placas de energia solar por uma empresa de Andirá, que revendia as placas fabricadas por uma empresa de Santa Catarina. Cinco pessoas foram presas: duas em Andirá (PR), uma em Londrina (PR), uma em Alto Piquiri (PR) e uma em Petrolina (PE).

Empreendedor pede ajuda ao Canal Solar

Almir da Silva, de 44 anos, assim como muitos empreendedores brasileiros, enxergou na energia solar uma oportunidade para negócios. Ele abriu a sua própria empresa de instalação de kits fotovoltaicos na Paraíba e, em pouco tempo, viu o seu empreendimento decolar. 

O que era para ser uma realização profissional, no entanto, segundo ele, rapidamente se transformou em um pesadelo na reta final de 2021. Silva alega ter caído um golpe após fechar um acordo com uma fornecedora de equipamentos do interior de São Paulo.

O paraibano, que procurou o Canal Solar e pediu ajuda com a publicação de uma reportagem, alega que grande parte dos equipamentos nunca chegou e afirma que sempre que entrou em contato com o dono do estabelecimento recebeu as mais variadas desculpas. 

De acordo com ele, frases como “a entrega atrasou, mas vai chegar. Pode ficar tranquilo, doutor Almir!” ou “hoje, estou em outra cidade resolvendo alguns problemas, mas, assim que der, verificarei isso para o senhor” teriam começado a serem recorrentes.

“Fechei o acordo com essa empresa e tudo estava indo muito bem. Eles chegaram a enviar parte das estruturas antecipadamente e eu pensei: vou receber logo todo o resto dos equipamentos”, comentou o empresário, que afirma ter pago pelos produtos, em dezembro do ano passado, na expectativa de recebê-los em até dois meses.

“Em janeiro, o proprietário da empresa me enviou uma nota fiscal falando que o restante do material tinha sido embarcado e que chegaria em fevereiro. Eu pensei, perfeito! Só que comecei a achar as coisas estranhas a partir do momento que ele nunca passava o rastreio correto dos equipamentos”, disse. 

Sem a suposta resposta, Silva afirma que passou a ligar para o proprietário do estabelecimento em busca de informações. “Ele dizia que eu podia ficar tranquilo, porque os equipamentos iriam chegar. Ele também me passou o contato do motorista que ia entregar a minha carga”.

Silva contou que, no entanto, quando ligou para esse contato, teria tido uma surpresa: o condutor, segundo ele, não estava transportando o seu pedido e os equipamentos não chegaram a tempo de entregar suas demandas acordadas em contrato. “Comecei a perder dinheiro e credibilidade junto aos meus clientes”, comentou.. 

Com medo, Silva alegou que voltou a ligar para o proprietário para cobrá-lo sobre a entrega. O fornecedor, então, teria dado uma nova desculpa, alegando que um problema inesperado ocorreu na logística, mas que tudo seria entregue na primeira semana de março. 

“Ele me passou outro telefone de um outro motorista que estava com a carga. Eu ligava, mas o motorista sempre estava com o celular desligado. Eu ligava para o proprietário e ele repetia a mesma coisa: aguarde que vai chegar”, contou Silva. 

Quando o mês de março chegou e os equipamentos, segundo Silva, não teriam sido enviados, ele decidiu novamente ligar para o proprietário para pedir reembolso. O fornecedor, segundo ele, até concordou em fazer o estorno, mas disse que só poderia devolver um terço do valor pago. “Eu fiquei enfurecido e, de imediato, procurei a Justiça”, concluiu Silva, que disse que até hoje aguarda o estorno do dinheiro. 

Cuidados necessários

Confira abaixo as principais recomendações que clientes e toda empresa de energia solar precisa colocar em prática antes de fechar um contrato. A lista foi produzida por Gustavo Tegon, especialista em vendas e co-fundador da distribuidora Esfera Solar, a convite do Canal Solar:

Não assine nada imediatamente: as armadilhas, geralmente, exigem que você assine o contrato rapidamente, para que o cliente não tenha tempo de reflexão. Não assine nada antes e vá atrás de informações sobre a empresa primeiro. Empresas conceituadas, não só tiram todas as dúvidas, como também respeitam o tempo de cada cliente. 

Não comece nada sem um contrato: enquanto alguns golpistas pressionam pela assinatura de um contrato imediatamente, outros procuram começar a trabalhar sem assinar nenhum documento legal. Não deixe isso acontecer. Uma empresa série irá insistir em um contrato e irá ajudá-lo a entender o que isso significa para você. 

Além disso, não confunda uma estimativa gratuita – que muitas boas empresas de energia solar fornecem – com um contrato real. Algumas empresas duvidosas fornecem uma estimativa e agem como se esse fosse o seu contrato. Não é. Qualquer contrato que você assine deve ser fácil de entender. 

Obtenha referências sobre o fornecedor: nunca deixe de verificar o histórico da empresa. Há quanto tempo está no mercado? Ela tem um endereço físico e não apenas um site ou número de telefone? Converse com clientes que tiveram relação com essa fornecedora. Às vezes, uma simples pesquisa online resultará em informações valiosas. 

Não olhar somente o preço ofertado: uma das principais iscas dos golpes aplicados por empresas fraudulentas (em todos os segmentos econômicos) é justamente oferecer um preço bastante atrativo para seus clientes. 

Em alguns casos, os criminosos usam a tática de sinalizar que a oferta acabará em instantes, o que acaba persuadindo o cliente a realizar a compra rapidamente. O objetivo desse tipo de golpe é fazer com que o consumidor não tenha tempo para refletir e realizar uma verificação de segurança que pode revelar que se trata de um golpe. 

Independente disso, a regra é uma só: preço barato demais? Desconfie e busque fazer uma pesquisa sobre o histórico da empresa e de suas vendas. Na própria internet há diversos sites, onde podem ser encontrados comentários sobre a credibilidade desta companhia. Não custa nada pesquisar. 

Entender o posicionamento da empresa no setor: o posicionamento de mercado é uma ferramenta muito valiosa para qualquer empresa. Afinal, é o que define a forma com que uma companhia se apresenta ao público.

Uma empresa séria, ao criar uma estratégia de posicionamento, buscará deixar claro para todos qual é o segmento que ela atende e quais seus diferenciais. Se isso não estiver claro, desconfie. Não necessariamente será golpe, mas o melhor é se precaver e buscar por outras companhias. 

Conhecer as lideranças da empresa: quem é o fundador, presidente, co-fundador ou gerente desta empresa? Qual é o histórico destes profissionais no setor de energia solar? Eles têm credibilidade? Quando fazemos uma consulta rápida no Google, os nomes deles são bem avaliados ou sequer aparecem na plataforma de pesquisa? Essas são perguntas que precisam ser respondidas, pois como costumam dizer nossos pais quando somos pequenos: nunca se deve confiar em estranhos.

Henrique Hein

Henrique Hein

Coordenador da Revista Canal Solar. Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.

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