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Home / News / Market & Investments / Brazil in the field, electricity sector watching closely: "If there is excess generation, the system will collapse."

Brazil in the field, electricity sector watching closely: "If there is excess generation, the system will collapse."

CEO da CMU Energia explica como jogos da Seleção afetam o consumo de energia e desafiam a operação do sistema elétrico
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  • Photo by Henrique Hein Henrique Hein
  • June 19, 2026, at 08:58 AM
5 min 35 sec read
Canal Solar - Brazil in the field, electricity sector on alert: "If there is excess generation, the system also collapses," says expert.
Walter Fróes, CEO da CMU Energia. Foto: Kalila Issa

Nesta sexta-feira (19), os olhos do setor elétrico estarão novamente voltados para a Seleção Brasileira. Mas engana-se quem pensa que os profissionais do segmento estarão atentos apenas ao duelo contra o Haiti, válido pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo.

Nos bastidores, operadores, comercializadoras, geradores e especialistas acompanham com igual atenção o comportamento do consumo de energia durante a partida.

Isso porque, jogos da Seleção neste tipo de competição costumam provocar oscilações expressivas na carga do sistema elétrico, com quedas durante o jogo e aumentos repentinos nos intervalos e após o apito final.

O tema ganhou ainda mais relevância nos últimos dias após o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) acionar, pela primeira vez, um plano emergencial para corte de geração em usinas classificadas como Tipo III.

A medida tomada reacendeu o debate sobre os desafios de manter o equilíbrio entre geração e consumo em um sistema cada vez mais influenciado pela geração distribuída e pelas fontes renováveis intermitentes.

Para entender como a Copa do Mundo afeta a operação do sistema elétrico, quais são os principais riscos associados às variações bruscas de carga e se existe alguma relação entre esses eventos e os recentes cortes de geração, o Canal Solar conversou com Walter Fróes, CEO da CMU Energia.

Com atuação no Mercado Livre de Energia e forte acompanhamento da operação do sistema elétrico nacional, a empresa monitora diariamente os impactos das oscilações de consumo sobre o equilíbrio entre geração e demanda.

Check out the main excerpts from the interview below:

Photo: Magnificent

O que mais chamou sua atenção nos dados de carga registrados durante a partida entre Brasil e Marrocos? As oscilações ficaram dentro do esperado?

O que aconteceu foi exatamente o previsto. Nós acompanhamos várias edições da Copa do Mundo e essa variação já era esperada. O que tem de diferente é o momento do setor elétrico, onde eu acho que é mais difícil acompanhar essas variações durante uma partida. O ONS faz a gestão das usinas e o grande desafio é que as mini e micro usinas não costumam ser alvo direto de curtailment pelo ONS, porque estão conectadas às redes das distribuidoras e não à rede básica operada nacionalmente.

Tomando como base o primeiro jogo, o que o setor elétrico pode esperar do comportamento da carga durante Brasil x Haiti?

O que vai acontecer nesse jogo é que os volumes de energia serão menores, devido ao horário (21h30), o consumo é menor nesse período. O perfil da curva de consumo durante o jogo não muda: o consumo de energia vai caindo durante o jogo e depois, no intervalo, o consumo sobe. No final do jogo, sobe novamente. Mas, as rampas ao fim, a curva de queda antes do início do jogo e a rampa não serão menores.

Há fatores que podem tornar as oscilações ainda maiores nos próximos jogos, como o horário das partidas ou uma eventual classificação para as fases eliminatórias?

Nas próximas fases, pode ser que haja um interesse maior de acompanhar a Copa. Então, os volumes envolvidos de energia serão diferentes e maiores, mas o perfil, repetindo de novo, continua o mesmo.

Por que quedas e retomadas tão rápidas no consumo de energia representam um desafio para a operação do sistema elétrico? Quais são os principais riscos associados a essas oscilações bruscas de carga?

Hoje, o ONS não controla a micro e a mini geração distribuída, que é aproximadamente um volume de 30 a 40 GW de geração. Isso ocorre durante o dia, então quando tiver partidas ainda com a luz do sol, esse controle é mais complexo, mas em partidas à noite não representa um desafio.

Vai ter que controlar as termelétricas, as eólicas e as hidrelétricas. O principal risco associado é a queda de energia, porque a geração tem que ser exatamente igual ao consumo. Se houver excesso de geração, o sistema também cai, assim como falta de geração. 

Quais medidas operacionais o ONS costuma adotar para garantir a segurança do sistema durante eventos de grande mobilização, como a Copa do Mundo?

Ligar uma usina hidrelétrica, não é assim como ligar um botão e pronto. Ela exige um tempo para retornar. Uma medida que é comum acontecer é o seguinte: ligar uma turbina, e ela começa a girar até chegar na velocidade que ela precisa rodar para gerar energia.

Então, uma medida que eles fazem muitas das vezes é deixar o equipamento rodando em vazio, sem água, e na hora que precisa só introduz a água. É igual você deixar o carro ligado, parado na Fórmula 1, quando der o sinal verde, o carro arranca. Você não vai ligar o carro, vai puxar o freio de mão, por exemplo. Deixa então as turbinas rodando em vazio, só introduz o combustível no momento que precisar.

O recente acionamento do plano emergencial para cortes em usinas Tipo 3 tem alguma relação com os desafios operacionais observados durante os jogos da seleção ou são situações distintas?

No setor elétrico, a geração de energia tem que ser exatamente igual o consumo. Então não pode ter sobra de energia também. A geração tem que ser exatamente igual ao consumo.  Por isso, o ONS já vem implantando aí esse procedimento de curtailment. Acredito que a medida da ONS feita no domingo, tenha sido apenas um ensaio para preparar para o evento da Copa do Mundo, que é um evento grande.

De que forma o crescimento da geração distribuída e das fontes renováveis intermitentes tem alterado a forma como o setor elétrico se prepara para eventos como a Copa do Mundo?

O ONS faz a gestão das usinas, o grande desafio é que as mini e micro usinas não costumam ser alvo direto de curtailment pelo ONS, porque estão conectadas às redes das distribuidoras e não à rede básica operada nacionalmente.Essas usinas não são gerenciáveis ou não são gerenciadas. Tecnicamente é possível, mas não tem nada instalado que corta a geração da minha casa, por exemplo. Existem outros 8 milhões de pessoas que geram a própria energia. Então, esse é o desafio dentro do crescimento de geração distribuída.

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Renewable generation cuts ONS (National Electric System Operator) Brazilian electric sector
Photo by Henrique Hein
Henrique Hein
He worked at Correio Popular and Rádio Trianon. He has experience in podcast production, radio programs, interviews and reporting. Has been following the solar sector since 2020.
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