De olho no futuro leilão de capacidade com baterias, a Engemon Energy vem ampliando sua atuação no mercado brasileiro de armazenamento de energia e já acumula quase 170 MWh entre projetos instalados, em implantação e em desenvolvimento.
Criada há dois anos pelo Grupo Engemon, a empresa nasceu com foco em soluções de BESS (Battery Energy Storage System) e busca se posicionar em um segmento que vem ganhando relevância diante do avanço das fontes renováveis, do crescimento do curtailment e da necessidade de maior flexibilidade operativa no SIN (Sistema Interligado Nacional).
O mercado aguarda uma definição do MME (Ministério de Minas e Energia) sobre a realização do primeiro leilão de capacidade com baterias no Brasil, considerado estratégico para destravar investimentos em projetos utility scale e consolidar novas fontes de receita para o armazenamento.
Segundo Rafael Resende, head comercial da Engemon Energy, a companhia já vem se preparando tecnicamente para participar do certame.
“A gente tem um foco importante no leilão de capacidade com baterias. Já desenvolvemos estudos de dimensionamento das principais tecnologias disponíveis no mercado para ofertar soluções utility scale para investidores”, afirmou o executivo em entrevista exclusiva ao Canal Energia.
Atualmente, a Engemon Energy possui 79 MWh de capacidade instalada em projetos voltados aos segmentos comercial e industrial. Além disso, a empresa tem outros 10 MWh em fase de implantação e aproximadamente 80 MWh em desenvolvimento.
Um dos principais empreendimentos em andamento é a implantação de um sistema BESS de 16 MWh para a Marfrig, em Promissão (SP), considerado um projeto estratégico para a companhia.
A empresa atua como integradora de soluções, realizando desde o dimensionamento técnico até a implantação, comissionamento e manutenção dos sistemas.
“Entendemos as dores dos clientes, dimensionamos os projetos, avaliamos a viabilidade, executamos a implantação e fazemos toda a operação dos sistemas de armazenamento”, explicou Resende.
Segundo o executivo, a empresa também vem intensificando o relacionamento com fabricantes internacionais para acompanhar a evolução das tecnologias disponíveis no mercado global.
“A gente tem desenvolvido projetos básicos considerando blocos de 30 MW, que é a potência mínima inicialmente discutida para o leilão”, disse.
O Grupo Engemon possui experiência em engenharia, instalações de média e alta tensão, subestações e obras civis, competências que a companhia pretende utilizar para ampliar sua presença no segmento de storage.
Soluções híbridas
Além dos projetos dedicados exclusivamente a baterias, a Engemon Energy vê crescimento na demanda por soluções híbridas que combinam geração solar fotovoltaica com armazenamento.
Segundo Resende, esse modelo vem sendo procurado principalmente em regiões onde há limitações na infraestrutura das distribuidoras.
“O mercado tem demandado esse tipo de solução híbrida, principalmente em localidades onde as concessionárias não conseguem entregar toda a demanda necessária para sustentar a operação dos clientes”, afirmou.
Na avaliação do executivo, a tendência é que esse mercado ganhe escala nos próximos anos com a redução dos custos das baterias e o amadurecimento regulatório do setor.
A companhia também acompanha oportunidades envolvendo sistemas de armazenamento associados a projetos renováveis, especialmente para mitigar impactos do curtailment em usinas solares e eólicas. “O mercado ainda está tentando entender como construir a viabilidade econômica desses projetos”, comentou.
Outra frente considerada promissora envolve aplicações de BESS nas redes de transmissão e distribuição, utilizando baterias para suporte à demanda e aumento da flexibilidade operacional do sistema elétrico.
“Da mesma forma que os consumidores estão preocupados com custos, as distribuidoras estão preocupadas em atender a ponta da demanda. São projetos importantes e que devem ganhar tração no curto prazo”, concluiu.
Apesar do avanço do mercado, Resende avalia que ainda faltam definições regulatórias mais claras sobre as diferentes receitas que podem ser obtidas com o armazenamento, ponto considerado fundamental para acelerar novos investimentos no setor.
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