24 de outubro de 2021

Fábricas devem produzir apenas células bifaciais no futuro

Felipe Santos ressalta ainda a importância em se fazer simulações comparativas nos principais softwares do mercado

Autor: 23 de junho de 2020outubro 3rd, 2020Mundo
Fábricas devem produzir apenas células bifaciais no futuro

“A tendência é que os fabricantes produzam somente com células bifaciais no futuro, favorecendo o aumento de escala e redução de custos”, é o que apontou Felipe Santos, gerente de vendas da JA Solar no Brasil. O especialista destacou que os painéis que utilizam tecnologias de dupla face produzem mais energia e, por isso, apresentam melhor custo-benefício para usinas de solo, comparando-se com os modelos de face única.

De acordo com Santos, o módulo bifacial reduz o LCOE (Custo Nivelado de Energia), que é a somatória do investimento total da usina e seu custo de operação (CAPEX + OPEX) dividido pela quantidade de energia gerada durante sua vida útil.

“Ele gera mais energia em uma menor área, com menores investimentos em BOS (Balanço do Sistema), pois precisam de menos estruturas e cabos, por exemplo. No caso da JA Solar, 100% das células produzidas já são bifaciais, independente de estarem em um módulo bifacial ou não. Isso faz com o que o custo caia ano a ano e se torne uma solução cada vez mais viável”, disse o especialista.

Dados do ITRPV (Roteiro Internacional de Tecnologia para Energia Fotovoltaica) também apontam para a tendência mundial dos módulos de dupla face. O levantamento mostra que 60% do mercado de painéis fotovoltaicos serão bifaciais até 2029.

Importância da simulação

Felipe Santos ressalta ainda a importância em se fazer simulações comparativas nos principais softwares do mercado para, então, se decidir por um modelo em específico. “As informações do datasheet são muito importantes, porém limitadas, por isso sempre recomendo a simulação. Através dela, é possível obter resultados mais precisos sobre a performance do módulo e da usina como um todo nas condições mais próximas da realidade do projeto”, explicou.

Com o objetivo de verificar a eficiência energética dos módulos bifaciais, ele realizou uma simulação no PVSyst, software de projetos fotovoltaicos, com seus próprios módulos. “Testamos em escala tecnológica uma usina virtual de 5MW e o resultado foi surpreendente: de 5 a 8% a mais de energia gerada e uma redução de 15% de área, pois, além da maior geração de energia, os módulos bifaciais de vidro-vidro apresentam uma menor degradação anual”, destacou.

Mercado para bifacial

Gustavo Tegon, gerente de vendas da Jinko Solar no Brasil, comentou como está o mercado para módulos bifaciais e disse que existem várias aplicações a serem usadas no setor de geração distribuída, como carport e também instalações no solo.

“Em uma pesquisa recente, foi relatado que mais de 90% do albedo em solo traz de fato benefícios para instalação dos módulos bifaciais. Essa é a razão pela qual os bifaciais têm sido a solução escolhida na execução dos projetos de GC (geração centralizada). Em toda América Latina, 90% do projetos de GC, com produtos da Jinko, optaram pela utilização da tecnologia bifacial”, explicou Tegon.

Mateus Badra

Mateus Badra

Atuou como produtor, repórter e apresentador na Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro há mais de um ano, atuando nas editorias de Mercado e Tendências, Mobilidade Urbana, P&D e Equipamentos. Jornalista graduado pela PUC-Campinas.

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