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Quando o legado passa de pai para filha: uma história de aprendizado e sucessão

Pai e filha revelam como independência, aprendizado e respeito à hierarquia ajudam na construção de sucessão da empresa

Canal Solar - Quando o legado passa de pai para filha uma história de aprendizado e sucessão

Roberto e Beatriz Saheli. Foto: Wissam Haddad/Canal Solar

Em um mercado em constante transformação, empresas familiares enfrentam um desafio que vai além dos resultados financeiros: preparar a próxima geração para assumir a liderança sem perder os valores que ajudaram a construir o negócio.

No setor de energia, essa realidade é comum. Em entrevista ao Papo Solar, Roberto Saheli, CEO da Ourolux, e Beatriz Saheli, Head de Novos Negócios da companhia, compartilharam como pai e filha conduziram esse processo dentro da empresa.

Depois de viver uma experiência difícil ao trabalhar com o próprio pai, Roberto decidiu que os filhos deveriam construir uma carreira fora da empresa antes de qualquer possibilidade de sucessão.

“No começo eu não queria trazê-la, porque minha história com meu pai não foi uma história boa. Ele tinha um negócio dele, a gente acabou brigando e eu não queria repetir esse erro que eu tive há 40 anos atrás com meu pai. Então eu falei, não, deixa meus filhos trabalharem fora, pegar experiência”, disse.

A ideia era que eles conhecessem outras culturas organizacionais, desenvolvessem experiência profissional e retornassem apenas se pudessem agregar novos conhecimentos ao negócio. E assim foi.

A sucessão começou fora da empresa

A trajetória de Beatriz começou logo que concluiu a faculdade e trabalhar na Ourolux não fazia parte dos planos. Na época, Beatriz trabalhava em uma multinacional e até cogitava construir carreira no exterior. 

Mais do que formar uma sucessora, Roberto queria que a filha conquistasse independência profissional antes de pensar em assumir qualquer função na empresa.

Os planos começaram a mudar quando Roberto passou a estudar o mercado de armazenamento de energia. Ao identificar o potencial do segmento, percebeu que a Ourolux precisaria estruturar uma área dedicada ao negócio, mas encontrou dificuldades para contratar profissionais preparados para liderar essa nova frente.

Foi nesse momento que surgiu o convite para Beatriz. Mais do que ocupar um cargo na empresa da família, ela recebeu a missão de ajudar a construir uma nova unidade de negócios praticamente do zero.

O mercado de baterias mudou os planos

Entretanto, a entrada de Beatriz na Ourolux aconteceu de forma gradual. Ela iniciou sua trajetória por um programa trainee, passou por diferentes áreas da empresa e só depois assumiu a liderança dos Novos Negócios voltados ao armazenamento de energia.

Vinda do mercado de commodities, ela afirma que aprendeu grande parte do que sabe sobre o setor elétrico dentro da própria Ourolux, com apoio das equipes técnicas, comerciais, financeiras e da diretoria.

“Foi muito importante esse processo de aprendizado porque eu vim do mercado de commodities, eu aprendi o que era energia o dia que eu pisei na Ourolux. Eu tive o suporte da empresa como um todo. Desde a equipe de marketing, que foi o meu primeiro estágio no trainee até a área do financeiro”, disse.

Ainda segundo a executiva, a experiência anterior em uma multinacional foi decisiva para sua formação. Além do conhecimento técnico, ela trouxe novas formas de gestão, processos e práticas de comércio internacional que hoje ajudam na evolução da empresa.

Família e trabalho têm regras

Se a sucessão foi construída ao longo dos anos, a convivência entre pai e filha também segue princípios bem definidos.

Uma das principais regras estabelecidas por Roberto é separar o ambiente profissional da vida pessoal. “A gente evita completamente, não falamos de trabalho em casa e não falamos de casa no trabalho. São coisas que você precisa separar.”

Hoje, ambos procuram manter essa divisão. Beatriz afirma que, mesmo sendo filha do fundador, segue a estrutura organizacional da empresa e busca resolver as demandas pelos canais internos antes de recorrer diretamente ao CEO.

“Eu evito trazer as coisas e as minhas dúvidas para o diretor solar e CEO, que seria o Roberto, e passo para o gerente, seguindo a hierarquia, para que ele escale o tema, se for necessário. Então, a gente tenta sempre ir dividindo, respeitando a hierarquia”, destaca.

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Valentina Sclauser
Sobre o autor
Valentina Sclauser

Estudante de Jornalismo na PUC-Campinas, com experiência como redatora e produtora na Rádio Brasil Campinas. Atua na criação de conteúdos jornalísticos, com ênfase em produção de texto e gravação de vídeos.

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