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Quando o legado passa de pai para filha: uma história de aprendizado e sucessão

“A família serve a empresa, e não o contrário.” Pai e filha mostram como independência e respeito à hierarquia orientam a sucessão

Canal Solar - Quando o legado passa de pai para filha uma história de aprendizado e sucessão

Roberto e Beatriz Saheli. Foto: Wissam Haddad/Canal Solar

Mais de 2/3 das empresas brasileiras são familiares e, neste Dia dos Pais, trouxemos a perspectiva de uma empresa do setor solar como exemplo de práticas voltadas à sucessão e à preparação das futuras gerações.

Em um mercado em constante transformação, como o setor de energia solar, empresas familiares enfrentam um desafio que vai além dos resultados financeiros: preparar a próxima geração para assumir responsabilidades de liderança sem perder os valores que ajudaram a construir o negócio.

Mais de 70% das empresas familiares brasileiras não chegam à segunda geração.

Em entrevista ao Papo Solar, Roberto Saheli, CEO da Ourolux, e Beatriz Saheli, Head de Novos Negócios da companhia, compartilharam como pai e filha vivenciam esse processo dentro da empresa, com o apoio dos sócios-fundadores, do conselho executivo e de outros membros da família.

Depois de viver uma experiência desafiadora ao trabalhar com o próprio pai, Roberto decidiu que seus filhos deveriam construir uma carreira fora da empresa antes de qualquer possibilidade de ingressar no negócio familiar.

A intenção era proporcionar experiências profissionais independentes e também evitar conflitos familiares semelhantes aos que ele próprio vivenciou.

Na prática, os sócios-fundadores da família Saheli estabeleceram que a segunda geração deveria conhecer outras culturas organizacionais, desenvolver experiência profissional fora da companhia e ingressar na Ourolux somente quando pudesse agregar novos conhecimentos ao negócio. E é assim que esse processo vem sendo conduzido.

Sucessão e inovação

Ao identificar o potencial das soluções comerciais e industriais de armazenamento de energia por meio de sistemas BESS, os sócios-fundadores perceberam que a Ourolux precisaria estruturar uma área dedicada ao segmento.

Foi nesse momento que surgiu um novo desafio para Beatriz, que já vinha construindo sua experiência profissional em uma multinacional do setor de commodities agrícolas.

O convite ia além de ocupar um cargo na empresa da família: ela recebeu a missão de ajudar a construir uma nova unidade de negócios do zero.

Sem experiência prévia no setor elétrico, mas contando com o direcionamento e o suporte de diferentes áreas da Ourolux, Beatriz iniciou sua trajetória por meio de um programa de trainee e, posteriormente, assumiu a liderança de Novos Negócios voltados ao armazenamento de energia.

Vinda do mercado de commodities, ela afirma que grande parte do que aprendeu sobre o setor elétrico foi construída dentro da própria Ourolux, com o apoio das equipes técnicas, comerciais, financeiras e da diretoria.

“Foi muito importante esse processo de aprendizado porque eu vim do mercado de commodities, eu aprendi o que era energia o dia que eu pisei na Ourolux. Eu tive o suporte da empresa como um todo. Desde a equipe de marketing, que foi o meu primeiro estágio no trainee, até a área do financeiro”, afirmou.

Segundo a executiva, a experiência anterior em uma multinacional também foi decisiva para sua formação. Além dos conhecimentos adquiridos, ela trouxe novas referências de gestão, processos e práticas de comércio internacional que hoje contribuem para a evolução da empresa.

Família e trabalho têm regras

Se a sucessão vem sendo construída ao longo dos anos, a convivência entre pai e filha também segue princípios bem definidos. Uma das principais regras estabelecidas por Roberto é separar o ambiente profissional da vida pessoal.

“A gente evita completamente, não falamos de trabalho em casa e não falamos de casa no trabalho. São coisas que você precisa separar.”

Hoje, ambos procuram manter essa divisão. Beatriz afirma que, mesmo sendo filha de um dos fundadores, segue a estrutura organizacional da empresa e busca resolver as demandas pelos canais internos antes de recorrer diretamente ao CEO.

“Eu evito trazer as minhas dúvidas para o diretor Solar e CEO, que seria o Roberto, e passo para o gerente, seguindo a hierarquia, para que ele escale o tema, se for necessário. (…) Sempre respeitando a hierarquia”.

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Valentina Sclauser
Sobre o autor
Valentina Sclauser

Estudante de Jornalismo na PUC-Campinas, com experiência como redatora e produtora na Rádio Brasil Campinas. Atua na criação de conteúdos jornalísticos, com ênfase em produção de texto e gravação de vídeos.

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