A CPFL Paulista identificou 346 casos de furto e outras irregularidades no consumo de energia elétrica na região de Campinas (SP) durante o primeiro semestre de 2026. As fiscalizações permitiram recuperar 454 mil kWh, volume suficiente para abastecer aproximadamente 180 residências durante um ano.
Somente em Campinas, foram encontradas 183 irregularidades entre janeiro e junho. No município, a energia recuperada chegou a 269,4 mil kWh, quantidade equivalente ao consumo anual de cerca de 106 residências.
Entre as ocorrências identificadas estão ligações clandestinas, popularmente conhecidas como “gatos”, adulteração de medidores e outras intervenções destinadas a reduzir ou impedir o registro correto do consumo.
Segundo a concessionária, os casos são identificados por meio de inspeções em campo, análises técnicas, sistemas de monitoramento e denúncias da população.
Riscos para a rede elétrica
Além do desvio de energia, as intervenções clandestinas podem comprometer a segurança e a operação da rede elétrica.
Alterações realizadas sem critérios técnicos podem causar sobrecargas, oscilações de tensão, interrupções no fornecimento, curtos-circuitos, incêndios e choques elétricos.
Victor Rios, gerente de Recuperação de Energia e Receita da CPFL Energia, afirma que as ações de combate às irregularidades não estão relacionadas apenas à recuperação da energia desviada.
“Estamos falando de situações que podem comprometer a segurança das instalações, afetar a qualidade do fornecimento, colocar em risco quem realiza a intervenção e também as pessoas ao redor.”
Furto de energia é crime
Fraudes e furtos integram as chamadas perdas não técnicas das distribuidoras. Parte dessas perdas é considerada nos processos de revisão tarifária conduzidos pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).
O furto de energia também é enquadrado como crime pelo Código Penal. Com as alterações promovidas pela Lei nº 15.397/2026, o furto simples passou a ter pena de um a seis anos de reclusão, além de multa, podendo haver penas maiores nas modalidades qualificadas.
A CPFL afirma que mantém ações permanentes de fiscalização e utiliza sistemas de medição e monitoramento remoto para identificar possíveis irregularidades.
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