A Galapagos Capital lançou o GLMP11, apresentado como o primeiro ETF brasileiro de energia limpa com exposição a ações de empresas locais. O fundo começa a ser negociado na B3 com R$ 20 milhões levantados pela gestora e contará com o BNDES como investidor-âncora.
O banco de desenvolvimento fará um investimento equivalente ao volume captado pela Galapagos. Na prática, caso os R$ 20 milhões sejam confirmados como os demais recursos levantados, a participação do BNDES elevará o patrimônio inicial do fundo para R$ 40 milhões.
O GLMP11 foi um dos cinco produtos selecionados em um edital do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) voltado ao desenvolvimento do mercado brasileiro de ETFs. A participação do banco busca dar escala e liquidez ao fundo, facilitando a negociação das cotas e a entrada de novos investidores.
Como funciona um ETF?
ETF é a sigla em inglês para fundo de índice. Diferentemente de um fundo tradicional, no qual um gestor escolhe livremente os ativos, o ETF procura acompanhar o desempenho de um índice de referência.
As cotas são compradas e vendidas na bolsa de valores de maneira semelhante às ações. Assim, o investidor não precisa adquirir separadamente os papéis de cada companhia. Ao comprar uma cota do GLMP11, passa a ter exposição indireta a uma carteira formada por diferentes empresas brasileiras relacionadas à energia limpa.
Isso não significa, porém, que o investimento tenha rentabilidade garantida. O valor das cotas varia conforme o desempenho das ações presentes na carteira e as condições do mercado. Também pode haver diferenças entre o retorno do ETF e o resultado do índice, devido a custos de administração e despesas operacionais.
No caso do GLMP11, a taxa de administração será de 0,20% ao ano. O produto poderá ser acessado tanto por investidores individuais quanto por instituições, como gestoras e fundos de pensão.
O GLMP11 seguirá o Índice Teva Ações Energia Limpa, desenvolvido e calculado pela Teva Índices. A carteira reúne empresas brasileiras de geração, transmissão e distribuição de energia, além de companhias da cadeia de biocombustíveis, incluindo os segmentos de açúcar e etanol.
A composição busca representar diferentes áreas envolvidas na transição energética. Por isso, o fundo não investirá apenas em empresas responsáveis pela geração de energia renovável.
A carteira também contempla transmissoras e distribuidoras, responsáveis pela infraestrutura necessária para transportar e entregar a eletricidade aos consumidores. Dessa maneira, o ETF procura acompanhar a cadeia da transição energética de forma mais ampla, sem concentrar sua estratégia em uma única tecnologia.
Critérios para selecionar empresas
Para integrar o índice acompanhado pelo GLMP11, as companhias precisam atender a critérios de liquidez, valor de mercado e saúde financeira. Entre os requisitos estão valor de mercado superior a R$ 5 bilhões e volume médio de negociação acima de R$ 100 milhões por mês.
A metodologia também limita a participação de cada companhia a 15% da carteira. A medida busca evitar que o desempenho do fundo fique excessivamente dependente das ações de uma única empresa.
A composição será rebalanceada a cada seis meses. Nesse processo, o índice poderá alterar o peso das companhias, incluir novos papéis ou retirar empresas que deixarem de atender aos critérios estabelecidos.
O rebalanceamento não depende de uma decisão pontual do investidor. Como o ETF replica o índice, os ajustes são incorporados à carteira do fundo conforme as regras definidas pela metodologia.
Fundo busca ampliar acesso à transição energética
A estratégia do GLMP11 parte da expectativa de que a transição energética continuará demandando investimentos em geração renovável, transmissão, distribuição e biocombustíveis ao longo dos próximos anos.
Para a Galapagos, o ETF oferece uma forma de investir nessa tendência por meio de empresas brasileiras. A companhia global de investimentos também avalia que a participação do BNDES poderá ajudar o produto a alcançar um patrimônio compatível com a entrada de investidores institucionais.
O fundo terá o selo ESG da Anbima. Segundo o BNDES, a iniciativa combina o apoio à transição energética com o fortalecimento do mercado de capitais, permitindo que diferentes perfis de investidores tenham acesso a empresas relacionadas ao processo de descarbonização da economia.
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