Na próxima terça-feira (22), começa a primavera, com previsão de chuva acima da média no Sul e em parte do Sudeste. Para os principais reservatórios do SIN (Sistema Interligado Nacional), porém, os volumes podem não ser suficientes para uma recuperação significativa.
Segundo a Tempo OK, empresa especializada em meteorologia, parte deles poderá iniciar 2027 com níveis inferiores aos registrados em 2026.
A perspectiva para o setor elétrico difere da previsão divulgada às vésperas da primavera de 2025. Na ocasião, a consultoria Nottus esperava o avanço das chuvas sobre as regiões centrais do país e a recuperação gradual das vazões e dos reservatórios ao longo da estação e do início do verão.
Neste ano, a Tempo OK, prevê uma distribuição desigual das chuvas sob influência do El Niño, que, segundo a empresa, atingiu a categoria muito forte na segunda-feira (14).
O Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul e partes de Minas Gerais e do Rio de Janeiro devem registrar volumes acima da média. Já o Norte, o Nordeste e áreas do Centro-Oeste e do Sudeste têm previsão de estiagem e temperaturas elevadas.
“Podemos dividir o Brasil em dois cenários opostos durante a primavera: de um lado, regiões sob risco de enchentes e transtornos provocados pelo excesso de chuva; de outro, áreas sujeitas a estiagem grave e maior risco de queimadas”, explica Celso Oliveira, meteorologista da Tempo OK.
No Sul, a chuva tende a favorecer a geração de usinas como Itaipu. “Alguns municípios do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul podem acumular mais de 1.000 mm ao longo dos 90 dias da estação, quase o dobro da média histórica de 650 mm”, afirma Oliveira.
Nas bacias que concentram os principais reservatórios do SIN, contudo, o quadro é menos favorável. De acordo com a Tempo OK, com exceção da bacia do rio Grande, os volumes previstos para a primavera podem ser insuficientes para elevar significativamente os níveis de armazenamento.
Em 2025, a Nottus projetava que as chuvas se intensificariam entre o Sudeste e o Norte a partir de novembro, beneficiando bacias dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
Naquele cenário, a empresa apontava condições positivas para a geração hidrelétrica, enquanto previa redução sazonal da produção solar e eólica nos meses seguintes.
“Esse cenário pode trazer impactos para a segurança energética em 2027, uma vez que parte relevante dos reservatórios poderá iniciar o próximo ano com níveis inferiores aos registrados em 2026”, alerta Oliveira.
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