Pesquisadores da Universidade de Freiburg e do Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar (Fraunhofer ISE), na Alemanha, desenvolveram um módulo fotovoltaico orgânico semitransparente com eficiência de até 9,26%.
O equipamento permite a passagem de 43,2% da luz visível. Com isso, pode ser incorporado a superfícies que precisam conciliar transparência e geração de energia, como janelas, fachadas de edifícios, estufas agrícolas e tetos de veículos.
O protótipo possui 14,5 centímetros de comprimento e de largura, com área total de 210,25 cm². Cada módulo reúne mais de 100 células solares interligadas.
Segundo o Fraunhofer ISE, um dos principais resultados da pesquisa foi conseguir ampliar o tamanho do módulo praticamente sem perda de desempenho.
Esse é um desafio para a energia solar orgânica, pois resultados alcançados em pequenas células de laboratório nem sempre podem ser reproduzidos em equipamentos maiores.
Processo pode ser adotado pela indústria
Os módulos foram produzidos com técnicas já utilizadas industrialmente e que podem ser aplicadas em superfícies maiores. Isso aumenta o potencial de expansão da tecnologia para uma futura produção em escala comercial.
“Agora que temos o processo de fabricação sob controle, estamos otimistas de que poderemos aumentar significativamente a transparência sem comprometer a eficiência”, afirma Uli Würfel, chefe do Departamento de Fotovoltaica Orgânica e de Perovskita do Fraunhofer ISE.
A tecnologia ainda precisa avançar para chegar ao mercado. Entre os próximos objetivos estão aumentar a transparência dos módulos, preservar a eficiência e ampliar a área dos equipamentos.
De acordo com os pesquisadores, módulos com transparência superior a 50% poderiam substituir vidros convencionais em fachadas e estufas agrícolas. Já equipamentos com menor passagem de luz poderiam ser usados em superfícies escurecidas, como tetos de automóveis.
A equipe também produziu módulos orgânicos flexíveis. Nos testes, os equipamentos mantiveram 100% da eficiência original depois de 1.274 ciclos de flexão.
Essa característica pode ampliar as possibilidades de integração da geração solar a superfícies curvas e estruturas leves.
Os resultados foram publicados na revista científica Joule. A pesquisa recebeu financiamento do governo alemão e contou com a participação das empresas Heraeus Epurio, ROWO Coating e ASCA.
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