21 de janeiro de 2022
solar
No Brasil Hoje

Potencia GC SolarGC 4.63GW

No Brasil Hoje

Potencia GD SolarGD 8,80GW

Módulos monocristalinos vão dominar o mercado solar em 2020

Temos que considerar o ciclo de vida do projeto, seja em geração distribuída ou centralizada

Autor: 5 de junho de 2020outubro 3rd, 2020Mundo
Módulos monocristalinos vão dominar o mercado solar em 2020

O avanço da tecnologia vem ocorrendo rapidamente em todos os setores da economia mundial. Na indústria solar, produtos de maior eficiência estão ganhando cada vez mais participação de mercado, trazendo na bagagem benefícios que incluem a longevidade e a capacidade de reduzir os custos de BoS (balanço do sistema).

De acordo com Claudio Loureiro, especialista em módulos fotovoltaicos e gerente geral da JA Solar no Brasil, os módulos com células mono PERC, HJT e bifaciais “serão certamente a maior parte do volume global em 2020”, representando assim o futuro tecnológico dos painéis solares.

“Uma vez que a tecnologia policristalina atinge o teto de eficiência por sua constituição física, o avanço da indústria para prover mais Wp por metro quadrado se dará pelo desenvolvimento tecnológico sobre wafers mono-cristalinos. Em adição às tecnologias mencionadas, temos que adicionar a tendência de células tipo N, mais eficientes que a tecnologia tipo P vigente e também menos suscetíveis a degradação LID (Light Induced Degradation). Em suma, os módulos futuros certamente serão desenvolvidos com base monocristalina, os quais já apresentam eficiência em muitos modelos acima de 20%”, explicou Loureiro.

Para ele, 2020 está sendo importante para levar a indústria a outro patamar de potência, eficiência e tecnologia, o que requer um trabalho muito próximo ao cliente para assegurar que os projetos e seus respectivos desenhos sejam eficientes e possam refletir o menor LCOE (Custo Nivelado de Energia) possível.

“Não vale mais pensar somente em preço unitário do equipamento. Temos que considerar o ciclo de vida do projeto, seja em geração distribuída ou centralizada. Fugindo do jargão, o que se vê é que módulos não são commodities. Ou seja, fornecedores que não investem em P&D não possuem ‘bancabilidade’ e apenas replicam a tecnologia desenvolvida pelos demais que não podem balizar o mercado. Escolher um produto mee-too ou genérico por questões de custo para um sistema com vida útil de 25 ou 30 anos pode levar a riscos técnicos e legais, entre outros”, disse o especialista.

Loureiro aponta ainda que esta não é, nem nunca foi, uma indústria onde fabricantes possam permanecer estagnados, sejam de módulos, inversores ou trackers, por exemplo. “O investimento contínuo em desenvolvimento é mandatório e fará a separação entre os futuros vencedores e aqueles que ficarão pelo caminho. Evolução é parte do dia a dia e qualquer atraso acarretará perda de competitividade. Alguém que comprou módulos de 300 Wp em 2012 pensaria que seus equivalentes em 2020 chegariam a 410 Wp? Esta é a realidade da evolução proposta pelas empresas de primeira linha”, destacou.

Crescimento

Na visão de Claudio Loureiro, os módulos solares, que antes costumavam aumentar, em média, cerca de 5 W por ano, neste ano de 2020 estão crescendo cerca de 50 W. Esta mudança de patamar, segundo o mesmo, é causada pela ruptura nos desenhos de módulos, enquanto o aumento de 5 W era incremental.

“Há muitas novas tecnologias em adoção, além das já mencionadas, fazendo com que os módulos sejam mais potentes, como aumento dos wafers de 158,75 mm para 166 mm ou até 210 mm; novos tipos de busbars arredondados, aumentando a captura de fótons pelas células; e tecnologia de solda entre células tipo tiling ou shingle, eliminando os tradicionais espaços brancos entre as células nos módulos vigentes.  Isto impacta as dimensões dos módulos, entretanto aumenta a eficiência e reduz o custo total do investimento no equipamento – CAPEX”, exemplificou.

Mercado

Uma das principais fabricantes de produtos de energia solar de ata performance no mundo é a chinesa JA Solar. A empresa está concentrando seus esforços em tecnologia monocristalina PERC e tipo N, trabalhando com dopagem a base de gálio.

“Temos bastante expectativa quanto a esta alternativa tornar-se a próxima referência e esperamos ter ofertas em escala para ofertar a nossos clientes”, concluiu Loureiro.

Mateus Badra

Mateus Badra

Atuou como produtor, repórter e apresentador na Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro há mais de um ano, atuando nas editorias de Mercado e Tendências, Mobilidade Urbana, P&D e Equipamentos. Jornalista graduado pela PUC-Campinas.

Comentar

*Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Canal Solar.
É proibida a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes e direitos de terceiros.
O Canal Solar reserva-se o direito de vetar comentários ofensivos, inadequados ou incompatíveis com os assuntos abordados nesta matéria.