O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) já iniciou os preparativos operacionais para enfrentar os picos de demanda elétrica esperados durante a Copa do Mundo de 2026.
Para a edição deste ano, o plano operacional prevê reforço no pré-despacho de usinas hidrelétricas e térmicas, ampliação das margens de reserva operativa e monitoramento em tempo real dos centros regionais de operação.
O objetivo é garantir a estabilidade do fornecimento de energia em meio ao aumento simultâneo do consumo residencial e comercial nos dias de jogos, sobretudo da seleção brasileira.
O planejamento não é por acaso. Historicamente, grandes eventos esportivos provocam mudanças significativas no comportamento do consumo elétrico no país, pois durante as partidas, milhões de brasileiros mantêm televisores, aparelhos de ar-condicionado e equipamentos de refrigeração ligados ao mesmo tempo.
Já nos intervalos e após o apito final, o sistema registra oscilações rápidas de carga causadas pelo uso simultâneo de chuveiros, eletrodomésticos e outros equipamentos. Segundo o ONS, a estratégia é reduzir riscos de oscilações na frequência do sistema, evitando desligamentos automáticos em cascata.
Exemplos práticos
Na Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, o Operador registrou variações de até 3.000MW em poucos minutos durante jogos da seleção, volume considerado equivalente ao consumo de uma cidade de médio porte.
Na ocasião, o ONS precisou acionar reservas de geração termelétrica para manter a estabilidade da rede elétrica.
Já na Copa do Mundo de 2022, no Catar, o setor elétrico brasileiro registrou mudanças significativas no padrão de consumo em dias de jogos da seleção.
Na partida entre Brasil e Croácia, realizada em 9 de dezembro, a demanda por energia no início do confronto ficou cerca de 8,5% abaixo da média esperada para o horário, influenciada pela redução das atividades em empresas e comércios durante a transmissão do jogo.
Durante o intervalo da partida, o sistema elétrico registrou um aumento repentino de aproximadamente 2.000 MW em apenas nove minutos, volume equivalente ao consumo de um estado como o Ceará e correspondente a cerca de 3% da carga nacional, segundo dados do ONS.
Já no segundo tempo, que avançou para a prorrogação, a demanda voltou a crescer rapidamente, com alta de 1.400MW em dez minutos, patamar próximo ao consumo total do Espírito Santo. Antes da disputa por pênaltis, houve ainda um novo salto de cerca de 400 MW.
Após o encerramento da partida e a eliminação da seleção brasileira, o consumo voltou a disparar, acumulando aumento de aproximadamente 8.000 MW ao longo de 30 minutos, o equivalente a 11% da carga total do sistema elétrico brasileiro.
De acordo com o ONS, os episódios registrados nas últimas Copas reforçam os desafios operacionais enfrentados pelo setor elétrico brasileiro durante grandes eventos esportivos, especialmente em partidas decisivas da seleção, quando mudanças bruscas no comportamento do consumo ocorrem em poucos minutos.

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