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Paraná recebe 1ª usina solar flutuante do Sul

Saiba mais sobre as especificidades do projeto, seu desenvolvimento e seus desafios

Autor: 2 de fevereiro de 2022Projetos
Paraná recebe 1ª usina solar flutuante do Sul

Um dos desafios foi adequar o sistema de ancoragem para um reservatório de grandes alterações de cota. Foto: Lactec

A Ilha Solar Flutuante é a primeira usina fotovoltaica flutuante do Sul do país. A planta tem potência instalada de 100,7 kWp e fica localizada no reservatório da UHE (Usina Hidrelétrica) Santa Clara.

O empreendimento possui 46 módulos flutuantes e 276 painéis fotovoltaicos Canadian 365 W, dois inversores e oito string box.

A usina faz parte de um projeto coordenado pelo Lactec, no programa de P&D da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

A planta está instalada entre os municípios de Candói e Pinhão, no Sudoeste do Paraná, e pertence à Elejor, Sociedade de Propósito Específico, na qual a Copel é sócia majoritária. A energia gerada atende ao consumo da própria hidrelétrica.

Especificidades do projeto

Segundo o Lactec, para a implantação da usina flutuante foram projetados e desenvolvidos modelos de flutuadores metálicos, em aço carbono galvanizado, para suportes de painéis fotovoltaicos e de módulos de ancoragem, tendo-se como premissa uma menor área de sombreamento sobre a água do reservatório. 

O desenvolvimento do projeto teve como premissa o uso de módulos flutuadores fabricados em metal vazado (as passarelas) com distanciamento entre pares de painéis suficientes para causar o mínimo possível de sombreamento sobre a superfície do reservatório e, assim, facilitar na oxigenação local e ter bom rendimento por metro quadrado de área. 

O design dos módulos foi elaborado de modo a comportar um sistema de rastreamento solar, caso necessário e, também, foi constituído de bombonas de HDPE (polietileno de alta densidade) provenientes de transportes de alimentos, ou seja, materiais de reciclagem. 

Como sistema de ancoragem foi optado pelo modo dinâmico de ação pendular, com uma âncora de fundo em concreto com nanomaterial e um peso morto de mesmo material, para determinada composição da ilha, sendo ambos vazados para permitir ou simular recifes artificiais para a ictiofauna.

O monitoramento contínuo e remoto da geração da ilha é feito pela rede de comunicação já existente na UHE Santa Clara. A manutenção da estrutura flutuante é feita por meio de uma área de atracagem para embarcação e passarelas que possibilitam o acesso aos módulos para limpeza, substituição ou reparo de componentes.

Desenvolvimento do projeto e seus desafios

Em entrevista exclusiva ao Canal Solar, Kleber Franke Portella, coordenador do projeto pelo Lactec, apontou que um dos desafios da pesquisa foi projetar a usina de modo a propiciar uma maior transferência de luz e favorecer a oxigenação ao meio aquático, mantendo o equilíbrio do sistema. 

“Uma das vertentes da pesquisa teve o objetivo de avaliar a instalação de recifes artificiais fluviais junto à estrutura flutuante da ilha solar para servir de habitat para a ictiofauna do reservatório. A expectativa é dar continuidade e avançar nesses e em outros estudos relativos, também, à qualidade da água”, disse.

“Para a implantação da tecnologia de ancoragem, o primeiro desafio foi adequar o sistema de ancoragem para um reservatório de grandes alterações de cota. O outro foi criar um modelo de análise e acompanhamento da qualidade da água local, antes e durante a construção e operação da usina, de modo a verificar possíveis impactos negativos no local”, acrescentou.

“Toda nova concepção tecnológica pode vir acompanhada de desafios não previstos, como os ambientais. Foi o que ocorreu no ano da inauguração da ilha, com chuvas torrenciais próximas de 160 mm, elevação da cota do reservatório de cerca de 10m em poucas horas e ventos com velocidades de cerca de 20 metros por segundo, o que trouxe galhos de árvores e outros objetos à ilha. Pela ocorrência, houve necessidade de se adequar o projeto da ilha in-loco, de modo a minimizar novos problemas como o observado”, concluiu.

Ericka Araújo

Ericka Araújo

Desde 2020, acompanha o mercado fotovoltaico. Possui experiência em produção de podcast, programas de entrevistas e elaboração de matérias jornalísticas. Em 2019, recebeu o Prêmio Jornalista Tropical 2019 pela SBMT (Sociedade Brasileira de Medicina Tropical) e o Prêmio FEAC de Jornalismo. Já atuou como repórter e apresentadora da Rádio Brasil Campinas. Formada pela PUC Campinas.

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