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Preço das baterias de íon-lítio cai 89% em 2020, aponta BNEF

Os valores, que estavam acima de US$ 1.100 por kWh em 2010, caíram para US$ 137

Autor: 21 de dezembro de 2020Mundo
Preço das baterias de íon-lítio cai 89% em 2020, aponta BNEF

Os preços das baterias de íon-lítio apresentaram uma queda significativa nos últimos anos. É o que apontou uma pesquisa realizada pela BNEF (BloombergNEF).

De acordo com a empresa, os valores, que estavam acima de US$ 1.100 por kWh em 2010, caíram para US$ 137 / kWh em 2020, ou seja, uma queda de 89%.

As reduções neste ano, segundo a BNEF, é devido ao aumento de pedidos, ao crescimento das vendas de VEs (veículos elétricos) e à introdução de novos designs de embalagens.

Adalberto Maluf, presidente do Conselho da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), comentou sobre os dados apresentados no relatório e disse que a queda no preço das baterias de lítio para VEs ajudou a viabilizar ainda mais nichos de negócios que vão além dos ônibus urbanos, atingindo também, por exemplo, furgões de logística verde, caminhões compactadores de lixo, frotas públicas e aplicativos.

“As vendas de veículos eletrificados (híbridos e elétricos) devem crescer mais de 60%, atingindo quase 20 mil no ano. Como o crescimento da GD (geração distribuída) solar e sua complementariedade aos projetos de carros elétricos, cada vez mais veremos grandes projetos de emissão zero no Brasil, melhorando o meio ambiente e nos ajudando na transição a indústria e os empregos do futuro”, destacou Maluf.

Futuro

O estudo da BloomberNEF, que considera veículos elétricos de passageiros, comerciais, ônibus eletrônicos e armazenamento estacionário, prevê ainda que em 2023 os preços médios dos pacotes serão US$ 101 / kWh.

“É em torno deste ponto de custo que os fabricantes de automóveis devem ser capazes de produzir e vender VEs para o mercado ao mesmo preço (e com a mesma margem) que veículos de combustão interna comparáveis ​​em alguns mercados. Isso pressupõe que não há subsídios disponíveis, mas as estratégias reais de valores variam de acordo com a montadora e a região”, disse James Frith, chefe de pesquisa de armazenamento de energia da BNEF e principal autor do relatório.

O especialista apontou ainda que essa é a primeira vez que foram relatados preços de pacotes de bateria de menos de US$ 100 / kWh.

“É um marco histórico ver os custos de embalagens inferiores. Além do mais, nossa análise mostra que mesmo se os preços das matérias-primas voltassem aos picos de 2018, isso apenas atrasaria os valores médios que chegam a US$ 100 / kWh em dois anos – em vez de descarrilar completamente a indústria”.

Ele também ressaltou que o setor está se tornando cada vez mais resiliente às mudanças nos preços das matérias-primas, com os principais fabricantes de baterias subindo na cadeia de valor e investindo na produção de cátodo.

Segundo a pesquisa, os principais fabricantes de baterias agora desfrutam de margens brutas de até 20% e suas fábricas estão operando com taxas de utilização acima de 85%.

“Manter altas taxas é a chave para reduzir os preços de células e pacotes. Se as mesmas forem baixas, os custos de depreciação do equipamento e do edifício serão distribuídos por menos quilowatt-hora de células fabricadas”.

Daixin Li, associado sênior de armazenamento de energia da BNEF, acrescentou que os produtos químicos cada vez mais diversificados usados ​​no mercado resultam em uma ampla gama de preços.

“Os fabricantes estão correndo para produzir baterias de alta densidade de energia em massa com alguns novos produtos químicos, como óxido de lítio-níquel manganês-cobalto e óxido de lítio-níquel-manganês-cobalto-alumínio, definido para ser produzido em massa já em 2021. Fosfato de lítio e ferro, no entanto, atua como uma alternativa de custo competitivo, contribuindo para os preços de célula mais baixos relatados de US$ 80 / kWh”, explicou Li.

Medidas

Para a BNEF, um caminho possível para atingir os preços mais baixos e atingir US$ 58 / kWh até 2030, por exemplo, é a adoção de baterias de estado sólido. Eles esperam que essas células possam ser fabricadas a 40% do custo das atuais baterias de íon-lítio, quando produzidas em escala.

“Essas reduções viriam da economia na lista de materiais e nos custos de produção, equipamentos e adoção de novos cátodos de alta densidade de energia. Para realizar esses preços reduzidos, a cadeia de abastecimento de materiais essenciais, como eletrólitos sólidos, não usados ​​em baterias de íon-lítio hoje, precisa ser estabelecida”, disseram os especialistas.

Mateus Badra

Mateus Badra

Atuou como produtor, repórter e apresentador na Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro há mais de um ano, atuando nas editorias de Mercado e Tendências, Mobilidade Urbana, P&D e Equipamentos. Jornalista graduado pela PUC-Campinas.

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