A Engie Brasil informou que iniciou o desenvolvimento de uma nova tecnologia para linhas de transmissão de até 525 kV, em um projeto de R$ 20 milhões que busca elevar a capacidade das redes, reduzir custos de construção e ampliar a eficiência operacional dos empreendimentos.
A iniciativa, desenvolvida em parceria com as empresas Engetower e SAE Towers, integra o programa de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e tem conclusão prevista para o final de 2027.
Batizada de Série Torre Águia, a solução foi concebida para aplicações em linhas de transmissão de alta tensão e pretende oferecer uma alternativa tecnológica para futuros projetos do setor.
O projeto surge em um momento em que a expansão acelerada da geração renovável no Brasil aumenta a necessidade de transportar grandes volumes de energia produzidos em regiões distantes dos principais centros consumidores, sem que isso implique necessariamente a abertura de novos corredores de transmissão.
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Mais energia
Um dos principais objetivos da nova plataforma estrutural é ampliar a capacidade natural de transporte das linhas de transmissão, medida pelo indicador conhecido como Surge Impedance Loading (SIL).
Segundo a Engie, a tecnologia poderá alcançar aproximadamente 1.682 MW de capacidade de transmissão, acima dos níveis atualmente praticados pelo mercado, em torno de 1.665 MW.
Embora a diferença numérica seja relativamente pequena, ganhos dessa magnitude podem representar um aumento importante de eficiência em projetos de grande porte, especialmente diante do crescimento contínuo da geração solar e eólica no país.
A expectativa da companhia é que a solução contribua para ampliar a capacidade do sistema elétrico sem exigir a implantação de novas faixas de servidão.
Engenharia
O diferencial da Série Torre Águia está em sua concepção estrutural. Diferentemente dos modelos convencionais, que utilizam de forma intensiva torres estaiadas, o projeto amplia o uso de estruturas autoportantes, oferecendo maior flexibilidade para implantação em áreas de relevo complexo.
A plataforma reúne diferentes configurações — autoportantes, estaiadas, de ancoragem e de ancoragem terminal — em um conceito monomastro desenvolvido para uniformizar o desempenho elétrico das linhas.
Entre os benefícios técnicos previstos estão a eliminação de efeitos de balanço assíncrono, maior disponibilidade operacional dos ativos, aumento da segurança durante a montagem e o lançamento dos cabos e simplificação das atividades construtivas em campo.
Redução de custos
Além dos ganhos operacionais, a empresa projeta impactos positivos sobre os investimentos necessários para implantação das linhas. Os estudos desenvolvidos pela Engie apontam potencial de redução entre 2% e 5% nos custos de construção dos empreendimentos.
Em um segmento em que projetos frequentemente superam R$ 1 bilhão em investimentos, essa economia pode representar valores expressivos. Segundo o diretor de Transmissão da companhia, Gustavo Labanca, a iniciativa reforça o compromisso da empresa com o desenvolvimento de soluções voltadas ao aumento da eficiência, da confiabilidade e da sustentabilidade do sistema elétrico brasileiro.
Menor impacto
A nova plataforma também foi projetada para reduzir impactos ambientais associados à implantação das linhas de transmissão. Segundo a Engie, a solução pode diminuir o número de fundações necessárias, reduzir a largura das faixas de servidão, demandar menor supressão vegetal e mitigar impactos fundiários.
Esses ganhos decorrem, entre outros fatores, da maior amplitude de variação das alturas estruturais e de novos arranjos para a fixação dos cabos condutores.
De acordo com o diretor de Implantação da Engie Brasil , Paulo Henrique Muller, essas características permitem ampliar os afastamentos entre os condutores e a vegetação adjacente, reduzindo interferências ambientais ao longo do traçado das linhas.
Tecnologia será validada até 2027
Com duração estimada em 20 meses, o projeto será desenvolvido em cinco etapas: levantamento do estado da arte do setor; concepção da nova arquitetura estrutural; realização de simulações elétricas e mecânicas; desenvolvimento de cadeias específicas de isoladores, e execução de ensaios virtuais e físicos para validação da tecnologia.
Ao final desse processo, a expectativa é disponibilizar ao mercado um conjunto completo de projetos, estudos e validações capaz de viabilizar a utilização da nova plataforma em futuros empreendimentos de transmissão, contribuindo para ampliar a capacidade do sistema elétrico brasileiro diante do crescimento da demanda por energia limpa e renovável.
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