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Projeto de R$ 20 milhões busca aumentar escoamento de energia renovável por meio de linhas de transmissão

Com conclusão prevista para 2027, a solução pretende oferecer uma alternativa tecnológica para futuros projetos do setor.
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  • Foto de Antonio Carlos Sil Antonio Carlos Sil
  • 9 de junho de 2026, às 11:29
3 min 48 seg de leitura
Canal Solar - Projeto de R$ 20 milhões busca aumentar escoamento de energia renovável por meio de linhas de transmissão
Foto: Engie/Divulgação

A Engie Brasil informou que iniciou o desenvolvimento de uma nova tecnologia para linhas de transmissão de até 525 kV, em um projeto de R$ 20 milhões que busca elevar a capacidade das redes, reduzir custos de construção e ampliar a eficiência operacional dos empreendimentos.

A iniciativa, desenvolvida em parceria com as empresas Engetower e SAE Towers, integra o programa de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e tem conclusão prevista para o final de 2027.

Batizada de Série Torre Águia, a solução foi concebida para aplicações em linhas de transmissão de alta tensão e pretende oferecer uma alternativa tecnológica para futuros projetos do setor.

O projeto surge em um momento em que a expansão acelerada da geração renovável no Brasil aumenta a necessidade de transportar grandes volumes de energia produzidos em regiões distantes dos principais centros consumidores, sem que isso implique necessariamente a abertura de novos corredores de transmissão.

Maior linha de transmissão subterrânea do Brasil tem 44 km; conheça o projeto

Mais energia

Um dos principais objetivos da nova plataforma estrutural é ampliar a capacidade natural de transporte das linhas de transmissão, medida pelo indicador conhecido como Surge Impedance Loading (SIL).

Segundo a Engie, a tecnologia poderá alcançar aproximadamente 1.682 MW de capacidade de transmissão, acima dos níveis atualmente praticados pelo mercado, em torno de 1.665 MW.

Embora a diferença numérica seja relativamente pequena, ganhos dessa magnitude podem representar um aumento importante de eficiência em projetos de grande porte, especialmente diante do crescimento contínuo da geração solar e eólica no país.

A expectativa da companhia é que a solução contribua para ampliar a capacidade do sistema elétrico sem exigir a implantação de novas faixas de servidão.

Engenharia

O diferencial da Série Torre Águia está em sua concepção estrutural. Diferentemente dos modelos convencionais, que utilizam de forma intensiva torres estaiadas, o projeto amplia o uso de estruturas autoportantes, oferecendo maior flexibilidade para implantação em áreas de relevo complexo.

A plataforma reúne diferentes configurações — autoportantes, estaiadas, de ancoragem e de ancoragem terminal — em um conceito monomastro desenvolvido para uniformizar o desempenho elétrico das linhas.

Entre os benefícios técnicos previstos estão a eliminação de efeitos de balanço assíncrono, maior disponibilidade operacional dos ativos, aumento da segurança durante a montagem e o lançamento dos cabos e simplificação das atividades construtivas em campo.

Redução de custos

Além dos ganhos operacionais, a empresa projeta impactos positivos sobre os investimentos necessários para implantação das linhas. Os estudos desenvolvidos pela Engie apontam potencial de redução entre 2% e 5% nos custos de construção dos empreendimentos.

Em um segmento em que projetos frequentemente superam R$ 1 bilhão em investimentos, essa economia pode representar valores expressivos. Segundo o diretor de Transmissão da companhia, Gustavo Labanca, a iniciativa reforça o compromisso da empresa com o desenvolvimento de soluções voltadas ao aumento da eficiência, da confiabilidade e da sustentabilidade do sistema elétrico brasileiro.

Menor impacto

A nova plataforma também foi projetada para reduzir impactos ambientais associados à implantação das linhas de transmissão. Segundo a Engie, a solução pode diminuir o número de fundações necessárias, reduzir a largura das faixas de servidão, demandar menor supressão vegetal e mitigar impactos fundiários.

Esses ganhos decorrem, entre outros fatores, da maior amplitude de variação das alturas estruturais e de novos arranjos para a fixação dos cabos condutores.

De acordo com o diretor de Implantação da Engie Brasil , Paulo Henrique Muller, essas características permitem ampliar os afastamentos entre os condutores e a vegetação adjacente, reduzindo interferências ambientais ao longo do traçado das linhas.

Tecnologia será validada até 2027

Com duração estimada em 20 meses, o projeto será desenvolvido em cinco etapas: levantamento do estado da arte do setor; concepção da nova arquitetura estrutural; realização de simulações elétricas e mecânicas; desenvolvimento de cadeias específicas de isoladores, e execução de ensaios virtuais e físicos para validação da tecnologia.

Ao final desse processo, a expectativa é disponibilizar ao mercado um conjunto completo de projetos, estudos e validações capaz de viabilizar a utilização da nova plataforma em futuros empreendimentos de transmissão, contribuindo para ampliar a capacidade do sistema elétrico brasileiro diante do crescimento da demanda por energia limpa e renovável.

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Foto de Antonio Carlos Sil
Antonio Carlos Sil
Antonio Carlos Sil é jornalista formado pela FMU/FIAM. Atuou como repórter pela Brasil Energia, além de serviços prestados para Agência Estado, Exame e Canal Energia. Trabalhou em assessorias de comunicação da CPFL Energia, CESP e AES Tietê. Cobre setor elétrico desde 2000. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.
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