O mercado fotovoltaico passa por uma fase de transformação, com a demanda por sistemas de armazenamento avançando de forma acelerada em diversas regiões do país.
Um estudo divulgado pela Solfácil mostra que o número de projetos de energia solar com baterias cresceu mais de 400% nos últimos dois anos no Brasil. No mesmo período, a procura por sistemas híbridos também registrou forte avanço, com alta de 250%.
O levantamento foi apresentado nesta segunda-feira (27), durante o Solfácil Summit – evento técnico da empresa realizado em Fortaleza (CE), que reuniu integradores e especialistas para discutir soluções híbridas e sistemas de energia solar com baterias.
De acordo com Eduardo Neuberg, COO da Solfácil, o avanço do armazenamento ocorre em um contexto de queda de preços, que tem tornado os sistemas híbridos e com baterias mais acessíveis e reduzido uma das principais barreiras de entrada do mercado.
Segundo o executivo, essas tecnologias estão cerca de 30% mais baratas em relação aos últimos anos. “Mas o preço, sozinho, não explica esse avanço”, afirma.
“O que vemos na prática é uma mudança no perfil da demanda: o consumidor de sistemas híbridos busca, antes de tudo, confiabilidade e autonomia energética, especialmente em regiões com maior instabilidade na rede, e não apenas economia na conta de luz”, ressalta.
Neuberg também destaca outros fatores relevantes, como a capacitação do mercado e o amadurecimento da cadeia produtiva. “Isso contribuiu para o desenvolvimento de um ecossistema mais qualificado, capaz de ofertar soluções de maior valor agregado, com menos pressão por preço e mais foco na proposta técnica”, pontua.
Para ele, baterias e sistemas híbridos já estão em uma curva clara de aceleração. “Isso indica um potencial relevante de expansão nos próximos anos”, completa.
Nordeste
Por ter sido apresentado em Fortaleza (CE), o estudo também trouxe recortes específicos do mercado nordestino. Um dos principais destaques é o avanço no acesso ao crédito.
O mapeamento mostra que o número de sistemas fotovoltaicos financiados na região cresceu 85% entre 2023 e 2025, impulsionado principalmente pela redução nos custos.
No período, o ticket médio dos projetos recuou cerca de 34%, ampliando o acesso à tecnologia. Estados como Bahia e Pernambuco registraram quedas superiores a 35% no valor médio financiado.
Já em Alagoas, Ceará, Paraíba, Maranhão e Sergipe, as retrações ficaram acima de 30%. Mesmo nos estados com menor variação, como Piauí e Rio Grande do Norte, a redução superou os 20%.
O levantamento mostra ainda que o mercado nordestino segue fortemente concentrado no segmento residencial, responsável por cerca de 91,9% dos sistemas instalados em 2025.
O segmento comercial, por sua vez, representa pouco mais de 8%, indicando espaço relevante para expansão nos próximos anos, especialmente com o avanço das soluções com baterias.
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