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Reservatórios vão terminar o ano com nível maior que em 2020

Chuvas recentes amenizam crise hídrica no Brasil, mas 2022 ainda requer atenção, alertam MME e ONS 

Autor: 27 de dezembro de 2021Brasil
Reservatórios vão terminar o ano com nível maior que em 2020

Quase dois terços da matriz energética do Brasil vem das hidrelétricas. Foto: Divulgação/Usina Hidrelétrica de Mauá

Os reservatórios das hidrelétricas brasileiras ganharam um respiro nesse final de ano, com mais chuvas do que o esperado nos últimos três meses, e deverão terminar o ano com um panorama melhor do que em dezembro de 2020. 

De acordo com dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), na região Nordeste os reservatórios devem terminar 2021 com 50% da sua capacidade, com precipitação acima da média na bacia do Rio São Francisco nesta semana. Em dezembro do ano passado, esse índice era de 46,1%. 

No Norte, as chuvas previstas para a bacia do Rio Madeira devem colaborar para que o subsistema alcance a marca de 47,8%, o que corresponde a um volume superior aos 28,1% registrados no ano passado. 

Nos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, que concentram cerca de 70% da capacidade de armazenamento do país, o índice previsto para o final do ano é de 24,9%. No mesmo período de 2020, o volume em operação era 18,67%. 

No subsistema Sul, as projeções indicam que o nível médio de água nas hidrelétricas da região ficará em 41%, contra 27,5% do ano anterior. 

Previsão de chuvas

O boletim semanal do ONS, referente à última semana operativa do ano, aponta que são esperadas chuvas acima da média nas bacias dos subsistemas Norte e Nordeste, com 272% e 119% da MLT (Média de Longo Termo). 

No subsistema Sudeste/Centro-Oeste, as afluências devem atingir 94% da MLT; enquanto que no Norte a perspectiva é de apenas 21% da média histórica. A MLT é a quantidade de chuvas que alimentam a vazão dos rios.

Preocupação para 2022

A melhora do nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas, com a volta das chuvas na reta final do ano, não deverá ser suficiente para garantir um 2022 livre de preocupações no setor elétrico.

Na avaliação do MME (Ministério de Minas e Energia) e do ONS, os próximos meses continuarão demandando atenção e a manutenção de medidas excepcionais para garantir o fornecimento de energia à população. 

No entendimento das duas entidades, a melhoria das condições de atendimento eletroenergético, tanto para 2021 quanto às perspectivas para 2022, permanece a situação de atenção, ao ponto do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) ter que manter um “trabalho de acompanhamento pertinente”. 

Carga de energia 

Segundo a ONS, a carga de energia esperada para o mês de dezembro deve ter um recuo de 0,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O volume estimado para o mês é de 70.631 MW médios, com desaceleração de 1,7% (40.088 MW médios) no Sudeste/Centro-Oeste e de 2,7% (11.699 MW médios) no Nordeste. 

A carga do Sul deve seguir em 3,6%, com 12.835 MW médios, enquanto que no Norte a previsão é de 2,3% (6.009 MW médios). “O percentual é reflexo dos feriados relativos às festas de final de ano, mudança na trajetória de recuperação da indústria em decorrência das interrupções prolongadas na cadeia de suprimentos, pressões intensas sobre os preços, incerteza do mercado e aumento das taxas de juros”, destaca o estudo.

Crise hídrica e energias renováveis 

A falta de chuvas e de oferta energética desde o final do ano passado, fizeram com que o Governo Federal fosse obrigado a tomar uma série de medidas para evitar a necessidade do racionamento de energia junto às famílias brasileiras. 

As principais ações aplicadas foram a compra de energia de países vizinhos, como Argentina e Uruguai, e a adesão ao uso das termelétricas – uma fonte poluente e mais cara, na qual o custo é repassado ao consumidor. 

As medidas, por consequência, aceleraram a inflação e aumentaram o valor da conta de luz da população em 2021, com direito a inclusão de uma modalidade inédita de bandeira tarifária no país, intitulada de “Bandeira Escassez Hídrica”. 

Desde o começo do ano, especialistas do setor de energia alertam que seria importante agilizar a transição das matrizes energéticas no Brasil, com a realização de investimentos em renováveis para enfrentar o problema, já que quase dois terços da matriz energética do país depende da eletricidade gerada pelas hidrelétricas. 

Segundo o ONS, atualmente, 63,2% da matriz energética do país vem das hidrelétricas e 21,69% das usinas termelétricas. Em contrapartida, usinas eólicas e solares correspondem apenas a 11,39% e 2,62% do sistema, respectivamente.

Henrique Hein

Henrique Hein

Atuou como repórter no jornal Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de matérias jornalísticas. Acompanha o setor de energia solar fotovoltaica, cobrindo as editorias de Mercado e Tendências; Negócios e Empresas; Cases e Bastidores da Política.

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