Silício: Brasil pode se tornar referência na fabricação de células solares

Quando falamos de cadeia produtiva, o Brasil precisa começar onde tem vocação ou onde existe recurso para que ele se destaque
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“A tecnologia a base silício é a porta de entrada do Brasil para se fortalecer e estruturar como referência na fabricação de células solares”, é o que afirmou Wladimir Janousek, especialista em tecnologias e processos produtivos de módulos fotovoltaicos, durante o podcast Papo Solar, realizado pelo Canal Solar. Ao longo da entrevista, ele comentou como o silício pode alavancar o país na economia internacional e sobre sua importância na matriz energética brasileira.

“Quando falamos de cadeia produtiva, o Brasil precisa começar onde tem vocação ou onde existe recurso para que ele se destaque. Hoje, o país é o maior exportador de silício em grau metalúrgico. Ou seja, exportamos o silício para que ele seja purificado fora do país e se transforme na base para semi condutores e para células solares. Portanto, dominando a matéria-prima principal que forma os módulos, o próximo passo para você alcançar uma independência, ou mesmo ter uma relevância no cenário mundial na fabricação das próprias células e módulos, é menor”, destacou Janousek.

O especialista disse ainda que as condições aqui no Brasil são únicas, sendo um dos poucos países que possui uma matriz de geração híbrida tão rica, vasta e com tantas possibilidades. “Esse talvez é um dos maiores potenciais que o país tem para explorar. Porque então não pensar, desde o desenvolvimento, formas de compor isso, de uma maneira que você utilize a matriz rica que você tem”, comentou.

Resiliência do setor fotovoltaico frente à crise

De acordo com Wladimir Janousek, o setor de energia solar é um poucos que não estão sendo tão afetados pela crise econômica causada pela pandemia da Covid-19. “Os riscos estão mais voltados nas incertezas de como será o cenário do comércio global a partir da pandemia. Temos visto lições que devem ser assimiladas, mesmo que ainda não existam todas as respostas dos prós e contras da dependência excessiva da cadeia de fornecimento da China, por exemplo. O mundo buscou isso, não foi imposto por eles. A China oferece os produtos em larga escala e a preços competitivos. Criaram uma cadeia de fornecimento imbatível”, explicou.

Para Janousek, os países não perceberam em quais áreas estratégicas essa dependência se tornou perigosa. “Há uma discussão, em escala global, de como essas cadeias regionais vão se recuperar. Ou seja, o que vou depender da cadeia global que não é estratégico para mim e o que preciso talvez tentar voltar a desenvolver aqui no meu país para reduzir o nível de dependência. No caso do Brasil, ele está um pouco isento. Não porque ele tem uma cadeia estabelecida, pelo contrário, nós sucateamos a indústria, muito em função desses efeitos. Mas, o país pode se beneficiar da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e pode reforçar sua posição como parceiro estratégico da China para não ver o fluxo de comércio ser penalizado, tanto nas exportações como nas importações”, concluiu.

Mercado solar no Brasil

O especialista destaca ainda que se fizermos uma análise dos preços praticados no mercado global, o Brasil é um dos mercados prioritários para empresas de energia solar na China. “Essa é mais uma das razões pelas quais enxergo que o solar está um pouco a frente na retomada da economia com relação aos outros segmentos. Não apenas por conta dos investimentos e no retorno dele, mas pelo fato de ter constituído uma alternativa de rentabilidade a médio e longo prazo. É como plantar uma árvore. Se eu fizer isso agora, vou olhar em 10 anos e falar: que bom que plantei 10 anos atrás. Hoje, ela está me dando sombra e fruto”, exemplificou.

Imagem de Mateus Badra
Mateus Badra
Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como produtor, repórter e apresentador na TV Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro desde 2020.

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