A energia solar está sendo utilizada para viabilizar atividades produtivas e ampliar a renda de comunidades remotas da Amazônia. A primeira iniciativa foi implantada em Bela Conquista, localizada na Reserva Extrativista Catuá-Ipixuna, em Tefé (AM), onde uma minirrede solar permitirá o funcionamento de uma unidade comunitária de beneficiamento de açaí planejada desde 2017.
O sistema possui 50 kWp de potência fotovoltaica e 165 kWh de armazenamento em baterias. A estrutura fornecerá energia para o processamento do açaí e para serviços essenciais da comunidade, incluindo escola, centro comunitário, cozinha comunitária e poço de abastecimento de água.
Bela Conquista é a primeira demonstração prática de um modelo que deverá ser expandido para 20 projetos-piloto nos próximos dois a três anos. A iniciativa deve alcançar até 25 comunidades no coração da Amazônia brasileira.
Em conjunto, as instalações solares com baterias fornecerão até 1 GWh de energia por ano. A estimativa é evitar o consumo de 255 mil litros de diesel e a emissão de 680 toneladas de dióxido de carbono.
Além do beneficiamento de açaí, os projetos deverão viabilizar atividades relacionadas à pesca, à agricultura e ao processamento de frutas. A proposta é utilizar o acesso à energia renovável para promover oportunidades econômicas e o desenvolvimento sustentável em comunidades remotas da região.
A unidade de Bela Conquista foi pensada para agregar valor ao açaí produzido localmente, ampliar o acesso a mercados e aumentar as oportunidades econômicas para as famílias da comunidade.
Até agora, o fornecimento intermitente de energia a diesel impedia o funcionamento da unidade. As limitações do abastecimento também provocavam perdas de frutas e restringiam a quantidade de polpa de açaí que poderia ser processada.
Com o fornecimento estável de eletricidade, a instalação poderá produzir 36 mil litros de açaí por ano. A comunidade também poderá comprar um volume maior de frutos, ampliar o processamento e reduzir as perdas na produção.
A expectativa é que o aproveitamento local de uma parcela maior da produção fortaleça a bioeconomia amazônica e os meios de vida baseados nos recursos oferecidos pela floresta.
A iniciativa também prevê a capacitação dos moradores para gerir, operar e realizar a manutenção dos novos ativos energéticos. Após o treinamento, a própria comunidade ficará responsável pela gestão do sistema e da unidade de processamento.
Projeto pode contribuir para políticas públicas
A instalação faz parte de uma parceria entre a FAS (Fundação Amazônia Sustentável), a Global Energy Alliance for People and Planet e o MME (Ministério de Minas e Energia).
O projeto também funciona como uma prova de conceito para o governo, que avalia a revisão do programa de universalização da energia para incluir, pela primeira vez, os usos produtivos da eletricidade.
Quase um milhão de brasileiros ainda vivem sem acesso à energia elétrica, sendo que mais de 95% deles estão na Amazônia. Outros dois milhões dependem de sistemas de geração a diesel, considerados poluentes e pouco confiáveis.
Em comunidades como Bela Conquista, as minirredes podem fornecer energia de melhor qualidade e, ao mesmo tempo, criar oportunidades para negócios locais, serviços essenciais e geração de renda.
O projeto Luz na Floresta é realizado pela FAS, pela Global Energy Alliance e pelo MME. A iniciativa busca promover o desenvolvimento local sustentável e a autonomia econômica em até dez comunidades da Amazônia brasileira.
A expectativa é beneficiar mais de 600 famílias por meio do uso produtivo da energia e do desenvolvimento de soluções que possam subsidiar políticas públicas para ampliar o acesso à eletricidade e as oportunidades econômicas em territórios remotos.
As áreas abrangidas incluem o Território Indígena Serra da Moça, em Boa Vista (RR); a comunidade Nossa Senhora do Livramento, em Beruri (AM); Bela Conquista, em Tefé (AM); Tamaniquá, na região do Médio Solimões (AM); e as comunidades de Santa Maria do Boiaçu, Cachoeirinha e Caicubi, na região do Baixo Rio Branco (RR).
Nas comunidades atendidas, o projeto pretende alcançar disponibilidade de energia de 80% e triplicar a receita proveniente da produção de açaí.
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