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Surto de Covid-19 na China aumentará o preço do frete marítimo 

Valor do desembarque de contêineres ficará US$ 500 mais caro no Brasil a partir deste domingo (15). 

Autor: 13 de agosto de 2021abril 18th, 2022Brasil
Surto de Covid-19 na China aumentará o preço do frete marítimo 

Dependendo da companhia marítima e do tipo de equipamento, esse valor poderá ultrapassar os US$ 11 mil

As restrições sociais mais rígidas impostas pela China para conter o mais novo surto de Covid-19, que está na sua quarta semana e envolve mais de uma dúzia de cidades, atingiu em cheio o setor de transportes, com mais um aumento no preço do frete marítimo.

De acordo com informações da empresa Port Trade, o valor ficará cerca de $ 500 mais caro no Brasil a partir deste domingo (15).

“O aumento será para o desembarque de contêineres. Dependendo da companhia marítima e do tipo de equipamento, esse valor poderá ultrapassar os US$ 11 mil”, explicou Cleber Baldotto, gerente operacional da companhia.

Somente na última semana, mais de 600 novas infecções pela doença foram registradas pelo governo chinês, um aumento de mais de 85% na comparação com o número total de casos registrados na semana anterior.

Na China a variante Delta já foi detectada em mais de uma dúzia de cidades chinesas desde que os primeiros casos foram encontrados em Nanjing, no final de julho.

O surto levou autoridades a reforçar medidas de contenção para combater a disseminação do vírus, o que afetou a rotina de profissionais que atuam nos principais portos do país. Nesta semana, por exemplo, a China fechou um dos terminais do porto de Ningbo-Zhoushan e colocou cerca de dois mil trabalhadores em quarentena após detectar apenas um caso de Covid-19 entre os funcionários.

O espaço é o terceiro maior porto marítimo do mundo e 25% de sua movimentação acontece no terminal que foi fechado por tempo indeterminado. A paralisação preocupou o mercado financeiro e mexeu com as negociações cambiais. “Alguns problemas estão acontecendo em outras localidades. Em Shenzhen, por exemplo, há restrições por causa da vigilância sanitária”, destacou Baldotto.

Distribuidoras de equipamentos fotovoltaicos

Os acontecimentos já estão sendo acompanhados e monitorados por diversas distribuidoras. Roberto Marcel Caurim, CEO da Bluesun, explica que a empresa mantém, atualmente, um escritório em Shenzhen para facilitar a importação de equipamentos solares junto à China. “O que estamos fazendo é monitorar os portos. Se um deles estiver fechado ou com problemas, nós mandamos os equipamentos para outro local por meio de transporte terrestre para não perder o prazo de entrega”, explica ele.

Por sua vez, Fábio Delgado, diretor da Techlux, avalia que a crise de preços do frete marítimo tem relação direta com o surto de Covid-19 e também com outras questões, como o autoconsumo norte-americano por produtos chineses.

Ele ainda explica que quando um porto é afetado, grande parte dos demais também acabam sendo. “A maioria dos portos estão interligados e quando um é atingido, os outros também acabam sendo. No começo da semana tivemos um princípio de surto de coronavírus em Ningbo e as autoridades chinesas são bem drásticas. Foram poucos casos, mas eles fecharam o porto por alguns dias. Isso só contribuiu para termos mais escassez de equipamentos e um aumento de preços, entre eles dos painéis solares no Brasil”, destacou.

Outro ponto lembrado pelo executivo e que também explica o aumento do preço dos painéis solares é o atual valor do polisilício, uma matéria-prima para a produção de células fotovoltaicas. “Os fabricantes anunciaram, nesta semana, um novo aumento em quase todas as células. Quem fez o pedido até hoje (sexta-feira) conseguiu comprar pelo mesmo preço, mas quem não comprou vai pegar com um aumento de 6%”, disse.

Luiz Scagnolato, CEO da TenBrasil, comentou que o setor solar tem enfrentado grandes desafios recentemente com o aumento de preços em meio a pandemia de Covid-19. “Não bastasse as restrições causadas pela doença, também afeta todo o comércio mundial, seja no produto que irá embarcar, no que estava no porto ou na produção que agora demora para receber matéria prima”, afirmou.

Já Beatriz Meneguim, responsável pela importação de produtos da BelEnergy, comentou que a empresa adotou como estratégia planejar e programar todos os embarques com antecedência, controlando as previsões de prontidão de carga para que “possamos ao máximo minimizar esses impactos no nosso estoque de materiais importados”, contou.

Problema mundial

Não é só no Brasil que o aumento do preço do frete marítimo tem gerado preocupação. Na Europa e nos Estados Unidos, o valor também “explodiu” nos últimos meses. “A gente já tem recebido informações que os fretes estão variando entre US$ 20 mil e US$ 23 mil (…) O aumento está sendo muito maior nesses países do que no Brasil”, revelou Baldotto.

Leia também: 2º semestre será mais desafiador para importação de equipamentos fotovoltaicos

Desde o começo do ano, o preço do polisilício e do frete marítimo vem registrando altas em todo mundo. Historicamente, o silício nunca esteve numa cotação tão alta e a tendência é ficar ainda mais caro nos próximos meses. Já o frete marítimo subiu mais de 30% no primeiro semestre, saltando de US$ 6 mil para US$ 10 mil, entre os meses de janeiro e junho, segundo a Port Trade.

Henrique Hein

Henrique Hein

Atuou como repórter no jornal Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de matérias jornalísticas. Acompanha o setor de energia solar fotovoltaica, cobrindo as editorias de Mercado e Tendências; Negócios e Empresas; Cases e Bastidores da Política.

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