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Tarifas devem subir no Norte e Nordeste e cair no Sul e Sudeste em 2027, aponta Thymos Energia

Projeções da consultoria apontam diferenças de até 17 pontos percentuais entre as variações tarifárias das regiões

Canal Solar - Tarifas devem subir no Norte e Nordeste e cair no Sul e Sudeste em 2027, aponta Thymos Energia

Foto: Canva

As tarifas de energia elétrica, que compõem a conta de luz, devem apresentar uma redução média de aproximadamente 2% no Brasil em 2027, segundo projeções da Thymos Energia, consultoria especializada no setor elétrico.

A queda, porém, não será uniforme. Enquanto Sul e Sudeste devem registrar redução nas tarifas, Norte e Nordeste apresentam perspectivas de aumento. No Centro-Oeste, a tendência é de estabilidade.

É importante destacar que a projeção considera a variação das tarifas cobradas pelas distribuidoras, e não necessariamente o valor final pago pelos consumidores. A conta de luz também depende do consumo de cada unidade, dos tributos e de outras cobranças.

Segundo a consultoria, a redução da média nacional está relacionada principalmente à diminuição de encargos setoriais, como os associados ao PROINFA (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica), além de mudanças nos custos da energia de Itaipu e das usinas nucleares de Angra.

Em algumas regiões, entretanto, a redução dessas despesas será compensada pelo aumento de outros custos, especialmente os relacionados à compra e à distribuição de energia. É o caso do Nordeste, onde a projeção aponta pressão de alta nas tarifas.

“A conta de luz pode variar de uma região para outra porque os custos de compra e entrega da energia são diferentes em cada localidade do país. Além disso, o reajuste pode incluir valores que ficaram pendentes de anos anteriores ou retirar cobranças temporárias. Por isso, uma região pode ter queda na tarifa enquanto outra, aumento”, explica Ana Paula Ferme, gerente de Utilities e Regulação Econômica da Thymos Energia.

Nordeste deve registrar maior aumento

O Nordeste deve apresentar a maior alta tarifária entre as cinco regiões brasileiras, com aumento projetado de 9,58% em 2027. Um dos principais fatores é a elevação de R$ 3,2 bilhões nos custos de compra de energia, acompanhada de um aumento de R$ 1,1 bilhão nas despesas com distribuição.

Parte dessa pressão está relacionada ao fim de medidas temporárias que ajudaram a conter os reajustes em 2026, como a antecipação de recursos provenientes do UBP (Uso de Bem Público) de determinadas hidrelétricas.

Esses recursos estão associados ao direito de exploração do potencial de geração dos rios. No caso das medidas adotadas anteriormente, os valores provenientes da repactuação foram destinados a aliviar as tarifas nas áreas elegíveis.

Outro fator que contribui para a pressão tarifária é a redução estimada de 3,6% no volume de energia comercializado pelas distribuidoras no mercado regulado nordestino, no qual os consumidores compram eletricidade diretamente da concessionária local.

“Essa redução pode refletir, entre outros fatores, a migração ao mercado livre e a ampliação da geração distribuída. Com menos volume comercializado, determinados valores passam a ser divididos por uma fatia menor de consumo, o que pressiona as tarifas”, explica a Thymos Energia.

Norte também terá aumento nas tarifas

Na região Norte, a previsão é de alta de 1,29% nas tarifas em 2027. A compra de energia deve representar um aumento de R$ 950 milhões nos custos, acompanhado de elevação nas despesas com distribuição. Parte dessa pressão, entretanto, será compensada pela redução de outras despesas e por um alívio de aproximadamente R$ 600 milhões nos componentes financeiros incorporados às tarifas.

Centro-Oeste deve apresentar estabilidade

No Centro-Oeste, a projeção indica uma leve redução de 0,66%, cenário que representa estabilidade tarifária. Embora os custos de compra de energia e distribuição devam aumentar, esses efeitos serão compensados, em grande parte, por um alívio de aproximadamente R$ 750 milhões nos componentes financeiros de períodos anteriores.

Sudeste terá redução de 5,14%

Na região Sudeste, a queda estimada é de 5,14%, motivada significativamente pela retirada ou redução de cobranças temporárias que elevaram as tarifas em 2026, com um alívio perto de R$ 8,5 bilhões na comparação entre os dois anos. Esse valor supera o aumento de cerca de R$ 2 bilhões nos custos de compra de energia, transmissão e distribuição. Parte das cobranças anteriores compensava valores que as distribuidoras deveriam ter arrecadado, mas não receberam.

Sul terá maior redução entre as regiões

O Sul deve registrar a maior redução tarifária do país em 2027, com queda projetada de 7,59%. O resultado está associado principalmente a um alívio de R$ 3,5 bilhões nos componentes financeiros entre 2026 e 2027. Enquanto isso, os custos regulares da região devem permanecer praticamente estáveis.

Outro fator é o crescimento estimado de 1% na base de consumo considerada para distribuir determinadas despesas de distribuição. Com um volume maior de energia consumida, esses custos são diluídos entre mais unidades de energia, contribuindo para reduzir o impacto nas tarifas.

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Henrique Hein
Sobre o autor
Henrique Hein

Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.

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