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Abraceel questiona inclusão de usina que teria distorcido preço da energia

Para associação, ONS descumpriu regras de governança do setor elétrico

Abraceel questiona inclusão de usina que teria distorcido preço da energia

Joédson Alves - Agência Brasil/Divulgação

A ABRACEEL (Associação Brasileira de Comercializadores de Energia) enviou uma carta à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) questionando a inclusão de uma hidrelétrica nos programas de operação do setor elétrico, que teria provocado distorções na formação do preço da energia nesta semana.

Segundo a associação, a inclusão da hidrelétrica Foz do Prata no PMO (Programa Mensal da Operação) de maio gerou um “impacto desproporcional na formação dos preços”.

De propriedade da Creal, a usina, com potência de 49 MW, está em construção no rio da Prata, entre os municípios de Veranópolis e Nova Roma do Sul, na Serra Gaúcha, e só deve entrar em operação em 2030.

De acordo com reportagem da Reuters, que ouviu comercializadoras sob anonimato, a decisão do ONS (Operador Nacional do Sistema) de incluir a usina resultou em um aumento inesperado de cerca de R$ 80/MWh no preço da energia.

A imprevisibilidade dos preços está no centro da crise enfrentada pelo mercado livre de energia. Agentes têm questionado mudanças no modelo de formação de preços, que vêm resultando em maior volatilidade e patamares mais elevados.

Esse cenário tem pressionado as estratégias das comercializadoras, que enfrentam dificuldades financeiras para honrar contratos. Como consequência, diversas empresas recorreram à recuperação judicial para manter suas operações.

A ABRACEEL questionou o ONS (Operador Nacional do Sistema) quanto ao cumprimento das regras de governança do setor elétrico, que determinam que a inclusão de empreendimentos em expansão no deck do PMO deve ocorrer apenas após avaliação do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) e com divulgação pública.

Em resposta, o ONS afirmou que o rito está sendo cumprido e que a homologação posterior à realização do PMO ocorreu devido ao descasamento com a reunião ordinária do CMSE, realizada no início de cada mês – portanto, após o fechamento do programa.

Para a ABRACEEL, no entanto, essa prática desrespeita a hierarquia regulatória vigente. “O processo evidencia uma falha procedimental do ONS em relação às diretrizes de governança”, diz trecho da carta enviada pela associação, à qual o Canal Solar teve acesso.

Como a usina só deve entrar em operação em 2030, a entidade avalia que não há urgência que justifique a flexibilização do rito de governança. Segundo a ABRACEEL, o empreendimento poderia ser homologado pelo CMSE em maio e considerado apenas no PMO de junho, garantindo maior previsibilidade aos agentes.

Segundo a Resolução do CNPE (nº 01/2004), cabe à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) fiscalizar a gestão dos dados de entrada da cadeia de modelos computacionais que dão suporte ao planejamento da operação e à formação dos preços de energia.

“Solicitamos a imediata fiscalização da ANEEL sobre a atuação do Operador, com o intuito de determinar a exclusão célere da referida usina do deck até que ocorra a devida homologação prévia pelo CMSE”, afirmou a associação.

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Wagner Freire
Sobre o autor
Wagner Freire

Wagner Freire é jornalista graduado pela FMU. Atuou como repórter no Jornal da Energia, Canal Energia e Agência Estado. Cobre o setor elétrico desde 2011. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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