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Início / Notícias / Atmoce aposta em armazenamento de energia para expandir atuação no Brasil

Atmoce aposta em armazenamento de energia para expandir atuação no Brasil

Lucas Troia fala sobre os planos da marca e o papel das baterias na transição energética
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  • Foto de Ericka Araújo Ericka Araújo
  • 11 de novembro de 2025, às 17:11
5 min 16 seg de leitura
Lucas Troia, Head da operação brasileira da Atmoce. Foto: Divulgação

Com a rápida expansão da energia solar e a chegada de novas tecnologias de armazenamento, o Brasil se consolida como um dos mercados promissores do mundo para soluções que aliam geração e autonomia energética. De olho nesse cenário, a Atmoce, empresa global de tecnologia solar e armazenamento, inicia sua operação no país.

À frente dessa nova fase está Lucas Troia, Head da operação brasileira da Atmoce, que tem a missão de estruturar a presença da marca, formar o time local e impulsionar o portfólio de soluções voltadas à segurança e flexibilidade dos sistemas fotovoltaicos.

Em entrevista ao Canal Solar, Troia fala sobre os planos da empresa no Brasil, o potencial do mercado nacional e o papel estratégico das baterias na transição energética.

O que motivou a decisão de representar essa marca no Brasil e por que apostar no armazenamento de energia como eixo estratégico dessa parceria?

O fato de ser uma empresa jovem, com ambição e vontade de crescer, e que ainda não estava presente no mercado brasileiro, foi um grande motivador.

Ter a oportunidade de estruturar a operação do zero — montar o time, definir as estratégias de produto e expansão — representa um desafio empolgante e uma excelente oportunidade de desenvolvimento profissional.

Além disso, a Atmoce tem como um de seus pilares o foco em segurança, desenvolvendo produtos baseados em soluções MLPE (Eletrônica de Potência a Nível de Módulo).

Nossos microinversores operam com níveis extremamente baixos de tensão, e a bateria é a primeira do mercado classificada como Extra Low Voltage, com operação abaixo de 30V.

Acredito que essa topologia representa o estado da arte para sistemas fotovoltaicos, aliando modularidade, flexibilidade e gestão inteligente de energia — fatores que me chamaram muito a atenção.

Na minha visão, a próxima fronteira de expansão do nosso mercado será impulsionada pelos sistemas de armazenamento, tanto em novos projetos quanto em retrofits de sistemas já instalados.

E nada melhor do que construir essa nova fase com uma tecnologia que oferece flexibilidade e segurança adicionais para instaladores e consumidores finais.

Como vocês avaliam o potencial do mercado brasileiro para soluções de armazenamento e que papel a Atmoce pode desempenhar nesse cenário?

O Brasil tem potencial para se tornar um dos líderes globais na adoção de sistemas de armazenamento, assim como aconteceu com a energia solar fotovoltaica.

Além dos projetos de BESS em larga escala, enxergamos um enorme espaço na geração distribuída (GD) — que, apesar de atualmente ser vista por alguns como vilã, pode ser parte da solução para o curtailment causado pelo avanço das fontes renováveis e não despacháveis na nossa matriz elétrica.

Hoje, já são cerca de 4 milhões de unidades consumidoras gerando sua própria energia solar. Imagine se cada uma delas instalasse um sistema com baterias: parte da energia poderia ser usada para backup, outra para maximizar o autoconsumo e melhorar o retorno do investimento, e o excedente poderia ser injetado na rede em momentos de maior necessidade do sistema elétrico nacional.

Na nossa visão, a bateria deve ser vista como um ativo multifuncional, capaz de gerar diversas fontes de receita — desde arbitragem de preços, backup, até serviços ancilares.

Em outros países, esse movimento tem sido impulsionado por VPPs (Virtual Power Plants), agregadores de carga e o modelo de DSOs (Distribution System Operators), que promovem a pulverização e integração das baterias, aumentando a flexibilidade e a resiliência dos sistemas elétricos.

Nosso objetivo é nos tornarmos um player relevante nesse novo ciclo, oferecendo soluções confiáveis, duráveis e seguras que ajudem a fortalecer o sistema elétrico brasileiro.

De que forma a marca pretende se posicionar diante da concorrência já presente no país?

Nosso diferencial está em oferecer tecnologia de ponta com segurança ampliada, aliada à flexibilidade de aplicações e a um suporte técnico próximo, tanto no pré quanto no pós-venda. Além disso, nossas garantias estendidas reforçam o compromisso de longo prazo com a qualidade e a confiabilidade dos produtos.

Acreditamos que o valor percebido pelo cliente vai muito além do preço e o nosso posicionamento reflete exatamente isso.

Quais são os principais desafios esperados na introdução da marca e como planejam superá-los?

O mercado brasileiro é um dos mais competitivos do mundo: são mais de 60 GW instalados, sendo 43 GW em geração distribuída. A combinação de equipamentos com preços agressivos e energia cara faz com que o payback dos sistemas solares aqui seja um dos mais curtos globalmente.

Por isso, muitas vezes o foco acaba ficando apenas no preço, em detrimento do valor, da qualidade e da visão de longo prazo, fatores essenciais para um investimento sólido e sustentável.

Nosso plano é trabalhar fortemente na valorização da cadeia de parceiros, distribuidores e integradores, construindo relações sólidas e duradouras. Também investiremos de forma consistente em capacitação técnica e comunicação com o usuário final, para que ele compreenda as diferenças entre as tecnologias e tome a melhor decisão com base em segurança, confiabilidade e retorno real do investimento.

E olhando adiante, quais são as expectativas de expansão e o impacto que o armazenamento de energia trará para a transição energética brasileira?

A matriz elétrica brasileira é uma das mais renováveis do mundo, com cerca de 40% da geração proveniente de fontes eólica e solar, ambas intermitentes, o que traz desafios importantes de gestão e operação.

Com a queda dos custos e o avanço das tecnologias de baterias, o armazenamento químico de energia deve assumir um papel central na transição energética, contribuindo para um sistema mais confiável, flexível e resiliente às mudanças climáticas.

Acreditamos que essa evolução será fundamental para que o Brasil continue expandindo seu setor elétrico de forma sustentável, garantindo energia a preços competitivos e fomentando tanto o desenvolvimento econômico quanto o bem-estar social.

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armazenamento de energia
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Ericka Araújo
Gerente de Comunicação do Canal Solar. Host do Papo Solar. Desde 2020, acompanha o mercado de energias renováveis. Possui experiência em produção de podcast, programas de entrevistas e elaboração de matérias jornalísticas. Em 2019, recebeu o Prêmio Jornalista Tropical 2019 pela SBMT e o Prêmio FEAC de Jornalismo.
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Uma resposta

  1. Alberto Nairo disse:
    12 de novembro de 2025 às 09:22

    Saber que é o Lucas Tróia que estará à frente da Atmoce encurtará caminhos para que a marca logo ganhe capilaridade e a confiança dos bons integradores. O desafio é grande e demandará a construção de um time forte no comercial, técnico e suporte a vendas – mas isso o Tróia sabe fazer bem !
    Precisamos muito das soluções de armazenamento flexíveis que promovam não só a competitividade entre as marcas, mas também o fortalecimento do nosso segmento, tão bombardeado por interesses contrários ao crescimento da GD.

    Reply

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