O avanço do El Niño deve favorecer a geração hidrelétrica e manter os preços de energia pressionados para baixo no curto prazo, mostram dados de um novo relatório temático publicado pela XP Research.
Na avaliação da instituição, as chuvas acima da média esperadas sobre a bacia do Sul e do Paraná tendem a contribuir para o reabastecimento da Usina de Itaipu e dos reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, responsável por aproximadamente 70% da capacidade de armazenamento do SIN (Sistema Interligado Nacional).
Com a melhora das condições hidrológicas, a expectativa é de pressão de baixa sobre o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), referência para as operações de curto prazo no mercado de energia. A XP classifica o setor de utilities, que reúne empresas de energia elétrica, entre os mais expostos aos efeitos do fenômeno climático.
O relatório destaca que o El Niño atua sobre três dos principais fatores que influenciam os resultados das geradoras: a demanda por energia, o nível dos reservatórios e os preços negociados no mercado.
De um lado, as temperaturas mais elevadas aumentam o uso de aparelhos de ar-condicionado e sistemas de refrigeração, elevando a carga no sistema elétrico. De outro, o aumento das chuvas melhora as afluências e reduz o risco hidrológico, ampliando a disponibilidade de geração hidrelétrica.
Para a XP, o efeito positivo da hidrologia deverá prevalecer sobre o crescimento da demanda de carga nos próximos meses.
Mercado já reduziu projeções
O impacto, segundo a XP, já aparece nos contratos futuros de energia. De acordo com o relatório, os preços negociados na BBCE (Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia) foram revisados para baixo entre o fim de maio e o fim de junho.
O preço médio projetado para o terceiro trimestre de 2026 caiu 29%, enquanto o valor para o quarto trimestre recuou 12%. Para os vencimentos a partir do primeiro trimestre de 2027, a variação ficou entre 1% e 3%.
A XP explica que essa diferença reflete a concentração dos efeitos das chuvas sobre a estação seca atual, enquanto os preços de 2027 permanecem condicionados ao desempenho do próximo período úmido.
Na data do relatório, o preço de 2026 negociado na BBCE estava em R$ 241/MWh, valor 31% inferior aos R$ 347/MWh considerados nos modelos da XP. No terceiro trimestre, a diferença chegava a 52%.
Efeito sobre as geradoras
A queda dos preços pode afetar os resultados das geradoras que ainda possuem volumes relevantes de energia descontratada em 2026. Segundo a XP, a posição aberta média das empresas acompanhadas pela instituição é de apenas 2%.
Isso significa que, em média, 98% da energia disponível para comercialização em 2026 já está contratada, restando uma parcela pequena exposta às variações dos preços no mercado de curto prazo.
Entre as empresas, a Axia Energia aparece como a companhia mais exposta, com 19% de seu balanço de energia descontratado para o ano. Engie Brasil e Cemig estão praticamente contratadas, reduzindo o efeito das oscilações do mercado de curto prazo.
Já a Auren possui posição vendida e pode se beneficiar da redução dos preços no mercado de curto prazo. Apesar do risco pontual para algumas empresas, a XP avalia que o impacto do El Niño deverá permanecer concentrado no curto prazo, sem alterar as teses de investimento baseadas nas perspectivas de preços de longo prazo.
Confira o relátorio completo da XP, clicando neste link.
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