O Nordeste vem ganhando espaço no mercado brasileiro de data centers, impulsionado pela disponibilidade de fontes renováveis de energia, pela infraestrutura de conectividade e pela chegada de novos empreendimentos.
O movimento acompanha a expansão da economia regional e o aumento da demanda por serviços digitais, armazenamento de dados e inteligência artificial.
Segundo projeção da Tendências Consultoria, o PIB (Produto Interno Bruto) nordestino deve crescer, em média, 3,3% ao ano entre 2028 e 2035, acima dos 2,4% estimados para o Brasil no mesmo período.
O desempenho recente também coloca a região entre as que mais cresceram no país. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a atividade econômica do Nordeste avançou 2,5%, empatando com o Sul na liderança regional e superando a média brasileira de 1,5%, segundo dados do Etene (Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste).
No mercado de data centers, a expansão ocorre em um momento de elevada demanda por infraestrutura digital. Segundo levantamento da JLL (Jones Lang LaSalle), consultoria global especializada no mercado imobiliário e em infraestrutura digital, o Brasil possui 660 MW de capacidade de data centers em construção, dos quais 56% já estão pré-locados.
A expectativa é de que a capacidade do mercado brasileiro dobre até 2030, ampliando a necessidade de investimentos em instalações, equipamentos e fornecimento de eletricidade.
O setor também passou a contar com o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center), sancionado em setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O regime prevê incentivos tributários para estimular a implantação, ampliação e modernização dessas instalações no país.
Ceará concentra projetos de grande porte
Entre os municípios, Fortaleza se destaca entre os que recebem investimentos em infraestrutura digital no Nordeste. Um dos empreendimentos é o TFOR3, da Tecto Data Centers, localizado na Praia do Futuro e inaugurado em outubro de 2025.
Segundo a empresa, a instalação é o maior data center em operação na região e possui capacidade final projetada de 20 MW. A expansão será realizada em etapas, conforme a demanda dos clientes. A previsão da companhia é elevar a capacidade inicial de 4 MW para 8 MW até o início de 2027.
O empreendimento foi desenvolvido para atender aplicações que exigem grande capacidade de processamento e conectividade, incluindo inteligência artificial, computação em nuvem e distribuição de conteúdo.
Além do TFOR3, a Tecto mantém outras duas instalações em Fortaleza, uma no Rio de Janeiro e três em Barranquilla, na Colômbia. A companhia prevê investimentos de aproximadamente US$ 2 bilhões entre 2026 e 2028 para ampliar sua atuação na América Latina.
Outro projeto de grande porte está em desenvolvimento no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará. A Omnia trabalha na implantação de um data center destinado à ByteDance, controladora do TikTok, com capacidade prevista de 200 MW na primeira fase e início de operação estimado para 2027.
Expansão dos data centers traz oportunidades e desafios para o setor elétrico
O crescimento dos data centers também pode abrir novas oportunidades para o setor de geração de energia, especialmente no Nordeste, que concentra grande quantidade de empreendimentos solares e eólicos.
Segundo artigo publicado na revista Canal Solar, mais de 2 TWh de energia renovável foram perdidos em cortes de geração, conhecidos como curtailment, em 2024. A chegada de novos consumidores, como os data centers, pode contribuir para aproveitar parte dessa energia, desde que exista infraestrutura adequada para atender à demanda.
Entretanto, essas instalações exigem fornecimento contínuo de eletricidade, enquanto a geração solar e eólica varia conforme as condições climáticas. Nesse cenário, a combinação de fontes renováveis com sistemas de armazenamento em baterias pode ajudar a administrar as diferenças entre geração e consumo.
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