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Brasil caminha devagar em termos de energia solar

A penetração da fonte fotovoltaica é inferior a 1% de todo o potencial brasileiro, ou seja, há muito espaço para crescer

Autor: 15 de outubro de 2021novembro 1st, 2021Mundo
Brasil caminha devagar em termos de energia solar

Com a expansão da energia solar na Europa, a empresa Otovo decidiu ampliar horizontes e surgiu a ideia de instalar uma filial no Brasil, a Holu, que foi inaugurada em abril de 2020, em São Paulo. Atualmente, são 25 funcionários, mas já existe o projeto de triplicar a quantidade de colaboradores a partir de 2022. 

Em entrevista exclusiva ao Canal Solar, o CEO e cofundador da unidade brasileira, Rodrigo Freire, fala dos desafios de implantar esse tipo de energia no país. “Acreditamos que mais do que simples consumidores, todos podem se tornar produtores da sua própria energia”, prevê.  

Freire aponta que o mercado brasileiro é considerado iniciante em relação à energia solar. Dentre os principais entraves, ele diz que estão a complexidade técnica do produto e a necessidade de um investimento inicial relevante para a compra dos painéis solares. 

Além dos benefícios individuais ao consumidor, a fonte solar fotovoltaica no Brasil garante mais de 254 mil novos empregos gerados, oferece mais de R$ 12,1 bilhões em arrecadação de tributos e evita mais de 8,3 milhões de toneladas de CO² emitidos na atmosfera, de acordo com dados da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica). 

Segundo Freire, a plataforma brasileira da Holu foi desenvolvida na Noruega com a meta de transformar a jornada de compra em uma experiência fluida e descomplicada, apresentando em um só lugar todas as informações necessárias para uma decisão de compra segura e confiante numa experiência 100% digital.

Como foi concebido o projeto brasileiro? 

Mais do que uma simples filial brasileira da Otovo, a Holu é a verdadeira tropicalização do modelo de negócios europeu, completamente adaptado à realidade (e aos desafios) do mercado ainda incipiente de energia solar no Brasil. Nossa missão é mudar a forma como as pessoas compram e consomem energia. 

Acreditamos que é possível criar uma matriz energética mais econômica e sustentável, democratizando a energia solar e, para isso, concentramos os melhores prestadores de serviços em nossa plataforma para atender o cliente final de ponta a ponta no que tange à instalação e homologação de energia fotovoltaica.

Como você avalia o mercado brasileiro atual em relação ao tema da energia solar? 

Atualmente, há pouco mais de 500 mil sistemas solares fotovoltaicos conectados à rede, o que representa uma penetração inferior a 1% de todo o potencial brasileiro, ou seja, há muito espaço para crescer. 

Além disso, tornamos a energia solar mais acessível por meio de um marketplace online, onde comparamos dezenas de fornecedores e orçamentos instantaneamente, apresentando ao cliente final apenas o melhor valor encontrado para o seu projeto na região. 

Além de reduzir o custo de adoção, também facilitamos a forma de pagamento, por meio de financiamentos com taxas atrativas de juros ou até mesmo parcelando em 10x sem juros no cartão de crédito. 

Qual é o perfil da pessoa que instala um sistema solar ?

O painel solar é super democrático e pode ser instalado desde o telhado da classe D até as grandes residências da classe A. O que vai diferenciar é o acesso e a capacidade financeira de fazer esse produto. 

Com isso em mente e com o fato de o Brasil ter sol em abundância, queremos derrubar o mito de que a energia solar é cara e complicada, dando a possibilidade para todos os públicos de acessar energia limpa e sustentável. 

Hoje temos em nossa base de clientes perfis variados, dentre eles, os que têm a necessidade de aliviar o orçamento mensal, comprometido com a tarifa de energia mais cara do mundo (recorrente entre a população de menor renda mensal familiar); a vontade de diminuir o impacto ambiental que deixamos no mundo ( este mais recorrente entre pessoas que são mais conscientizadas e conectadas); e a disposição e vontade de fazer um investimento com retornos anuais que excedem 30% ao ano, com perfil baixo de risco (este mais recorrente entre as camadas com renda familiar mensal elevada e mais versadas em produtos financeiros). 

Quais as principais vantagens e benefícios desta instalação? 

O Brasil opera no sistema de net-metering, no qual o excedente de energia produzido pelas placas solares e não consumido instantaneamente pela unidade consumidora é injetado de volta na rede da distribuidora, que passa a computar um crédito a ser abatido de contas futuras em até 60 meses. 

Este não é o modelo regulatório adotado pela maioria dos países europeus, onde o excedente de energia é perdido ou muito mal remunerado. De qualquer forma, há atualmente o marco legal do setor em tramitação no Congresso, cujo texto irá alterar esse sistema de compensação, tornando-o mais próximo à realidade europeia (e, portanto, tornando o investimento menos atrativo para os consumidores finais). 

Os benefícios ambientais também são amplos. O sol é a fonte de energia mais abundante e inesgotável de todas. Como uma energia limpa, renovável e sustentável, a geração solar ajuda a reduzir significativamente a dependência de combustíveis fósseis como derivados de petróleo, o consumo de água (usado pelas termelétricas e usinas nucleares); e a emissão de gases do efeito estufa, dentre outros benefícios de ordem ambiental. 

Qual a economia que é possível obter? 

Os consumidores que optam por um sistema solar podem ter economia de até 99% nas suas respectivas contas mensais, reduzindo-as somente ao custo de disponibilidade (o mínimo obrigatório que é independente do consumo).  

Com isso, o investimento feito para adquirir um sistema de geração solar se paga em poucos anos e a partir daí os consumidores terão mais de 20 anos de benefícios contínuos, como a conta de luz praticamente zerada, já que a vida útil estimada dos painéis solares é da ordem de 30 anos. Estudos apontam também que a instalação de painéis solares pode resultar na valorização dos imóveis em um momento de venda. 

Em termos financeiros, ela é acessível à toda a população?    

Sim, uma vez que o investimento é proporcional ao consumo de energia de cada residência, ou seja, todos que são pagadores de contas de energia mensalmente podem optar por um sistema de energia solar. Naturalmente, as camadas de menor renda dependerão mais de soluções de financiamento e parcelamento, porém, o fato de o Brasil ter a tarifa energética mais cara do mundo faz com que o produto energia solar seja acessível a todos, afinal de contas, o que é caro mesmo é pagar a conta de luz pelos próximos 30 anos. 

O processo de liberação e instalação é burocrático? Quanto tempo leva até ter autorização? 

A maior burocracia está no processo de homologação pelas concessionárias de energia, que naturalmente tendem a colocar muitas objeções e ineficiência no processo uma vez que não têm interesse em difundir a energia solar. Cada sistema instalado representa uma perda de receita para as mesmas concessionárias. 

Em um atendimento 100% digital, oferecemos um orçamento personalizado para o cliente final, que é feito com base nas características do imóvel e necessidade do consumidor. 

Em caso de contratação, a startup fica responsável pelo fornecimento e transporte de equipamentos (módulos, inversor, cabos, estrutura de fixação e todos os outros equipamentos necessários para a instalação do seu sistema solar), instalação e homologação final junto à concessionária. Cada instalação e projeto tem sua individualidade e podem ser liberados em poucas semanas ou em casos mais extremos em alguns meses, a depender da concessionária/distribuidora. 

Como você prevê o desenvolvimento da energia solar no futuro? 

Para um futuro breve, acreditamos que o crescimento para o setor é sem limite e tende a aceleração. O grande desafio é continuar difundindo os benefícios da energia solar para a população geral – e é, exatamente, isso que a Holu quer liderar. 

Na outra ponta, há também os desafios regulatórios também, com propostas que podem alterar um pouco o balanço e os benefícios da geração distribuída para a população. Acredito que achar um terceiro caminho, que equilibra melhor os benefícios para as duas pontas (população e distribuidoras) seria o melhor para o mercado, consumidores e atores do ecossistema solar. 

O Marco Legal da Geração Distribuída (Projeto de Lei 5829/19), aprovado recentemente na Câmara, e que aguarda apreciação do Senado Federal, pode ser esse “meio termo” e garantir maior previsibilidade e solidez para o setor.

 

Imagem de capa: Pedro Henrique Bonadiman Conceição

André Luis Cia

André Luis Cia

Profissional com 18 anos de experiência em redações de jornais impressos, em assessorias de imprensa e em projetos de TV e Cinema. Autor das séries Sonho Italiano (2015) e Sonho Americano (2014), que falam sobre a vida de brasileiros que vivem no exterior. Vencedor do prêmio Yara de Comunicação de Jornalismo (2013- categoria impresso- nacional).

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