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Brasileiros com soluções em baterias vivem “vida normal” durante apagões

Falhas no fornecimento de energia no Brasil faz do armazenamento uma solução para o problema dos consumidores

Autor: 6 de dezembro de 2023Baterias
5 minutos de leitura
Brasileiros com soluções em baterias vivem “vida normal” durante apagões

Foto: Freepik

O apagão que chegou a deixar mais de 2 milhões de imóveis sem acesso à energia elétrica, em novembro deste ano, em diversas cidades do estado de São Paulo, foi apenas mais um caso de transtornos causados pela queda de redes elétricas no Brasil.

Somente nos últimos doze meses, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) recebeu mais de 44,5 mil reclamações de consumidores alegando falta de energia em seus imóveis, uma média de mais de 120 reclamações por dia.

No período, a falta de energia elétrica, inclusive, respondeu por mais de um quarto do total de 176 mil reclamações registradas, sendo a principal reivindicação feita pelos consumidores à ANEEL.

Contudo, em meio às reclamações, quem pode ficar tranquilo com relação à falta de luz são os consumidores com soluções em baterias, uma vez que esse tipo de solução armazena a energia excedente gerada para o uso posterior sem deixar o consumidor preso à rede da distribuidora.

Esse foi o caso de Caio Lentini, diretor de operações da Deye, que mora em São Paulo (SP) e que, diferentemente de seus vizinhos, não passou dificuldades durante o apagão que atingiu a capital paulista.

Ele explica que como mora em um apartamento, não possui um sistema de energia solar em sua unidade, mas utiliza no lugar um inversor híbrido fotovoltaico com baterias, conforme mostra a imagem abaixo.

Foto: Arquivo pessoal

“Quando acabou a luz em São Paulo eu consegui viver super bem. Tive, claro, que racionar energia, mas não passei nenhuma dificuldade. Minha geladeira funcionou normalmente, eu tive acesso à internet e durante a noite conseguia deixar uma lâmpada acesa para enxergar tudo o que eu e minha família estávamos fazendo”, disse.

Segundo Lentini, em momentos como o que se viu em São Paulo, não tem nada que pague pelo conforto de se poder ter acesso à luz. “Foi uma experiência bem interessante a de sentir na pele o que a gente consegue fazer com um sistema de armazenamento de energia – que, no meu caso, contou com um inversor híbrido instalado”, pontuou.

Baterias e seus desafios

Em entrevista ao Canal Solar, Luca Milani, CEO e fundador da 77 Sol, destaca que o interesse dos consumidores por sistemas de energia solar com baterias vem crescendo no Brasil, mas que ainda são pequenos quando comparados aos sistemas on-grid.

“A gente vê sim a demanda por sistemas de armazenamento crescendo no mercado, mas não acho que seja algo expressivo. O que vemos muito é a procura por informação sobre a tecnologia”, disse.

Para o profissional, três fatores ainda prejudicam o crescimento da comercialização das baterias fotovoltaicas no Brasil: o preço mais caro do que um sistemas convencional, o comodismo dos integradores brasileiros em oferecer apenas tecnologias on-grid para seus clientes e a falta de uma especialização técnica de quem atua no setor de vendas.

Segundo ele, muitos consumidores interessados em gerar a sua própria energia quando veem que o preço das soluções com baterias são mais caras acabam optando pela tecnologia on-grid, uma vez que também não recebem uma orientação adequada por parte dos integradores.

“O mercado fotovoltaico ainda carece de profissionais qualificados, corajosos e que fujam do senso comum: que não tenham medo de oferecer para seus clientes um sistema de energia solar com baterias. Hoje, o senso comum ainda é oferecer os sistemas on-grid, porque é o mais fácil de se fazer”, disse ele.

De acordo com Milani, o mercado de energia solar no Brasil cresceu muito rápido em pouco tempo e os integradores, que aprenderam muito bem como montar um sistema on-grid, quando pensam em colocar o adicional de bateria em seus projetos muitas vezes não sabem instalar ou acabam tendo receio de instalar a tecnologia no imóvel de um cliente, com medo de dar problema.

“O grande desafio do mercado é explicar para o cliente final o porquê investir em baterias. Como se trata de uma solução mais cara, automaticamente temos que mostrar os motivos de ser mais cara e apresentar quais são as vantagens em relação aos sistemas on-grid, como poder armazenar a energia excedente e obter um retorno do investimento maior”, frisou ele.

Para isso, o profissional reforça a necessidade dos integradores buscarem conhecimento técnico para se diferenciarem no mercado e estarem prontos para oferecer e atender a demanda de seus clientes com soluções que vão além dos sistemas convencionais que todo mundo já comercializa.

Preço em queda

Apesar de serem mais caras do que os sistemas fotovoltaicos convencionais, o preço dos sistemas fotovoltaicos com baterias vem despencando no mercado internacional. Nos últimos dez anos, por exemplo, o valor médio das baterias de íon-lítio caiu mais de 80%, sendo 14% de depreciação somente no último ano.

Apesar da redução no preço e da grande procura por informação a respeito da tecnologia por parte dos consumidores, o CEO da 77Sol acredita que a procura pelos sistemas de armazenamento deve crescer mesmo a partir do ano que vem.

“No começo do ano que vem ainda não sabemos muito bem o que esperar, porque o mercado nos últimos dois anos esteve bastante turbulento no primeiro semestre. Contudo, acredito que haverá uma evolução da tecnologia a partir do segundo semestre”, comentou.

Henrique Hein

Henrique Hein

Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como repórter do Jornal Correio Popular e da Rádio Trianon. Acompanha o setor elétrico brasileiro pelo Canal Solar desde fevereiro de 2021, possuindo experiência na mediação de lives e na produção de reportagens e conteúdos audiovisuais.

3 comentários

  • Joice Ronconi Almeida disse:

    Optamos pela on grid, mas sempre perguntamos pela híbrida. Os técnicos nos diziam que não valeria a pena. Sinto tanto por não termos insistido mais. Gostaria de saber se posso de alguma forma fazer a troca e se sairia muito mais caro.
    Agradeço

  • Cavalcante disse:

    Trabalhei em uma empresa de baterias para veículos de micro mobilidade, porém totalmente capacitada para elaborar (inclusive elaborou alguns) projetos para baterias residenciais.

    O preço das células e a quantidade necessária é o grande entrave, mesmo com a queda dos preços citadas no artigo. A dificuldade de importar, o alto custo e a necessidade de grande quantidade de células para que a bateria supra a necessidade do cliente, faz com que um módulo de bateria tenha um preço assustador ao cliente.

    É preciso sim uma preparação por parte dos profissionais para conseguir mostrar aos clientes a vantagem de poder armazenar a própria energia, principalmente quando falamos em um cenário onde este custo é um investimento.

  • Eduardo disse:

    Perfeito! É isso mesmo! Eu tenho um sistema híbrido da com três inversores de 8kWh cada (pico de 12kWh), cada um “tocando” uma fase, com 42 painéis fotovoltaicos de 550W (seis strings de 7 painéis cada, entrando dois strings em cada inversor), associados a um pack de bateriais de 30kWh (seis bateriais de lítio de 5kWh cada). Durante os apagões, nossa vida segue normalmente! inclusive ajudando os vizinhos com empréstimo de energia para manterem o básico em suas casas funcionando. Mesmo com chuva, o sistema ainda produz o suficiente para o uso racional, indefinidamente. Hoje mesmo (06/12/23), com o tempo nublado em períodos do dia, a minha geração total foi de 118,53kWh com pico de inacreditáveis 24,11kWh (um pouco acima da capacidade instalada inclusive). Recomendo, muito!

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