O CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) deve se reunir nesta quarta-feira (13) em meio à crescente pressão de consumidores e agentes do mercado livre por mudanças no modelo de formação de preços da energia elétrica.
Entre os temas previstos na pauta está justamente a possível atualização dos parâmetros de aversão ao risco utilizados nos modelos computacionais que definem o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), referência para o mercado de curto prazo, que vão passar a valer a partir de 2027.
A discussão gira em torno dos mecanismos utilizados pelos modelos Newave, Decomp e Dessem, que levam em conta variáveis como armazenamento dos reservatórios, hidrologia, carga e despacho de usinas.
Dentro dessa estrutura, parâmetros como o CVaR e o VMinOp definem o grau de conservadorismo adotado na operação do sistema elétrico.
Desde 2025, passou a vigorar o chamado CVaR 15/40, no qual os 15% piores cenários hidrológicos recebem peso de 40% nos cálculos. Segundo críticos do modelo, isso elevou artificialmente os preços da energia ao tornar o sistema excessivamente avesso ao risco.
Manifesto ao MME
Na véspera da reunião do CMSE, entidades ligadas ao movimento União Pela Energia encaminharam manifestação ao ministro do MME (Ministério de Minas e Energia), Alexandre Silveira, defendendo mudanças urgentes na formação de preços do setor elétrico.
No documento, os consumidores afirmam que o atual modelo vem impondo dificuldades crescentes para contratação futura de energia e criando um ambiente de insegurança incompatível com o planejamento industrial de médio e longo prazo.
Segundo o documento, a combinação entre retração de liquidez e PLD elevado estaria contaminando as curvas futuras de preços e pressionando custos da indústria brasileira.
As entidades argumentam que a energia elétrica é um fator estrutural de competitividade e sustentam que o modelo atual internaliza um grau “excessivamente conservador” de aversão ao risco, gerando sinais artificiais de escassez futura.
Como alternativa, defendem a adoção do parâmetro CVaR 15/30, considerado pelos signatários mais equilibrado entre segurança operativa e racionalidade econômica.
O grupo sustenta que a mudança reduziria o chamado “prêmio artificial de escassez” embutido atualmente nos preços da energia.
Empresários pressionam
O manifesto enviado ao ministro se soma a outro movimento divulgado pelo Canal Solar na segunda-feira ,11, quando empresários e representantes de consumidores livres encaminharam ao governo federal o “Manifesto dos Consumidores Livres de Energia”.
O documento também questiona os critérios atuais de formação de preços e alerta que o modelo estaria favorecendo agentes de geração em detrimento dos setores produtivos.
Segundo os empresários, a manutenção do CVaR 15/40 aumenta o despacho termelétrico, eleva os preços no mercado livre e pressiona mecanismos como bandeiras tarifárias.
Os signatários afirmam ainda que a atual metodologia promove uma redistribuição desequilibrada de receitas dentro do setor elétrico, beneficiando geradores descontratados enquanto consumidores e comercializadoras enfrentam dificuldades crescentes para contratar energia em condições competitivas.
A discussão ocorre em um momento particularmente delicado para o mercado livre, marcado por forte volatilidade, redução da liquidez e aumento da exposição ao mercado spot.
Axia Energia deixa Abraceel
Em meio ao ambiente conturbado do setor, a Axia Energia (antiga Eletrobras) decidiu se desfiliar da Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia Elétrica).
Segundo informações do mercado, o pedido de desassociação foi encaminhado nesta semana à entidade. O movimento ocorre após divergências públicas sobre justamente o modelo de formação do PLD.
Enquanto a Abraceel vem defendendo mudanças nos parâmetros por considerar que os preços atuais estão inadequados e excessivamente voláteis, a Axia sustenta que os valores refletem corretamente as condições operativas e a realidade da matriz elétrica brasileira.
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