O consumo de eletricidade dos servidores dedicados à inteligência artificial nos data centers deve dobrar até 2030, segundo o estudo Data Center Demand Index, elaborado pela consultoria Kearney.
Em 2025, os servidores de IA responderam por 23% a 27% da energia consumida pelos centros de dados. A tendência é que essa participação continue aumentando com a expansão do uso da tecnologia e a construção de instalações preparadas para processar grandes volumes de informações.
O avanço da IA também eleva a densidade energética exigida dentro dos empreendimentos. Enquanto os ambientes tradicionais de hiperescala demandam entre 10 e 14 kW por rack, as operações de inferência de IA consomem de 10 a 30 kW.
No treinamento de novos modelos, a necessidade varia de 30 a 100 kW por rack. Esse tipo de operação exige maior capacidade de processamento, mas possui mais flexibilidade de localização por não depender da proximidade com os usuários.
De acordo com a Kearney, a combinação entre demanda computacional e consumo de energia deve provocar uma reorganização geográfica do mercado de data centers. A disponibilidade de eletricidade passa a assumir um papel mais relevante na escolha das regiões que receberão os novos projetos.
O estudo divide as instalações em quatro categorias, de acordo com as características das cargas atendidas. A primeira reúne os data centers próximos aos centros urbanos, voltados principalmente às atividades corporativas tradicionais e às aplicações de IA que exigem baixa latência.
A segunda categoria abrange instalações regionais e flexíveis, destinadas à maior parte das operações de inferência de IA e aos serviços convencionais de nuvem. Esses empreendimentos podem ser instalados fora das grandes cidades, considerando fatores como custo e disponibilidade de terrenos.
Também aparecem os data centers ligados à soberania de dados, nos quais as informações precisam permanecer dentro de determinadas fronteiras geográficas ou jurisdições.
A última categoria é composta pelos projetos intensivos em energia, utilizados principalmente para o treinamento de modelos de inteligência artificial. Como essas operações possuem maior flexibilidade de localização, a escolha tende a privilegiar regiões com oferta abundante de eletricidade, preços competitivos e fontes de baixa emissão de carbono.
Embora o estudo tenha como foco principal o mercado europeu, as conclusões também ajudam a dimensionar as oportunidades e os desafios para a expansão dos data centers no Brasil.
O país reúne fatores que podem favorecer a instalação de projetos intensivos em energia, como a participação elevada das fontes renováveis na matriz elétrica, a disponibilidade territorial e o potencial de expansão da geração solar e eólica. A efetivação desse potencial, entretanto, dependerá da capacidade de conexão à rede.
Para a Kearney, o futuro da infraestrutura digital deve ser compreendido como uma rede de localidades com funções complementares. A disponibilidade de energia, portanto, tende a se tornar tão importante quanto a conectividade, a proximidade dos usuários e a segurança dos dados na definição dos próximos investimentos.
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