27 de maio de 2022
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Conta de luz deverá ter bandeira verde até o fim do ano, diz ONS

Cinco dias após o presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciar o fim de bandeira de Escassez Hídrica na conta de luz e a entrada em vigor da bandeira verde a partir de 16 de abril,...
Autor: 12 de abril de 2022Brasil
Conta de luz deverá ter bandeira verde até o fim do ano, diz ONS

Quando o país vigora na bandeira verde não há acréscimos na conta de luz. Foto: Freepik

Cinco dias após o presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciar o fim de bandeira de Escassez Hídrica na conta de luz e a entrada em vigor da bandeira verde a partir de 16 de abril, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) informou ontem (11) que o país deverá agora manter a isenção da tarifa extra de energia até o final do ano.

A entidade, que é responsável por coordenar as operações de geração e transmissão de energia elétrica do SIN (Sistema Interligado Nacional), justificou a decisão ressaltando que o volume de chuvas registrado desde o final do ano passado e a atual situação dos principais reservatórios brasileiros permitirá ao país atravessar o restante do ano de forma mais segura do que em relação a 2021.

Na oportunidade, o Brasil ficou à beira de um colapso de energia em razão da maior crise hídrica dos últimos 91 anos e do baixo nível dos reservatórios. 

Para evitar desabastecimentos e apagões, o Governo Federal precisou intervir e tomar medidas como comprar energia de países vizinhos, como Argentina e Uruguai, e realizar o acionamento de todas as usinas de geração térmica, que são mais caras e poluentes.

O problema enfrentado pelo país, na avaliação de profissionais e entidades do setor de energia, poderia ter sido evitado se o Governo Federal tivesse diversificado a matriz energética nacional, que apesar de estar sendo modificada nos últimos anos com o crescimento de novas fontes renováveis, ainda está longe do ideal. 

Atualmente, as hidrelétricas são responsáveis por cerca de 65% da geração de energia no país. Já as energias solar e eólica, por exemplo, apesar de estarem batendo recordes de geração e crescimento, somam hoje menos de 15% de participação na matriz. 

Apesar das críticas, o ONS destacou que considera ter sido acertada a decisão do Governo Federal de contratar térmicas emergenciais no ano passado. Para a entidade, estas usinas deverão garantir, até dezembro de 2025, a reserva de energia que era considerada necessária para uma recuperação de longo prazo. 

Bandeiras tarifárias

O sistema de bandeiras tarifárias é o que define o real custo da energia. Quando as condições de geração de energia não são favoráveis, é preciso acionar as usinas termelétricas, elevando os custos. Assim, cobranças adicionais têm por objetivo cobrir a diferença e também funcionam para frear o consumo da população.

Quando vigora a bandeira verde (modalidade que deverá ser adotada até o final do ano) não há acréscimos na conta de luz. Na bandeira amarela, o consumidor paga um adicional de R$ 1,87 para cada kWh consumido. Já a bandeira vermelha é dividida: no patamar 1, o acréscimo é de R$ 3,97 e no patamar 2 é de R$ 9,49. 

Em setembro do ano passado, por causa da maior crise hídrica dos últimos 91 anos, já mencionada acima pela reportagem, foi criada a bandeira de escassez hídrica, que fixava um acréscimo de R$ 14,20 para cada 100 kWh consumidos. 

A medida tinha como objetivo compensar os custos da geração de energia, que ficaram mais caros em razão da crise hídrica.

Henrique Hein

Henrique Hein

Atuou como repórter no jornal Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de matérias jornalísticas. Acompanha o setor de energia solar fotovoltaica, cobrindo as editorias de Mercado e Tendências; Negócios e Empresas; Cases e Bastidores da Política.

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