A conta de luz foi o item que mais pressionou a inflação de setembro de 2026, com alta de 7,98% e impacto de 0,32 ponto percentual no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
O resultado contribuiu para que a inflação oficial do Brasil chegasse a 0,82% no mês e acumulasse 4,58% em 12 meses, acima do limite de 4,5% estabelecido pelo Banco Central.
Os dados, divulgados nesta sexta-feira (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que setembro registrou a maior inflação para o mês desde 2021, quando o índice avançou 1,16%. O resultado também foi o mais elevado desde março de 2026, quando o IPCA ficou em 0,88%.
Entre os 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, a energia elétrica residencial apresentou a maior contribuição individual para a inflação de setembro. Sozinha, respondeu por 39% da variação mensal do índice.
O principal fator para o aumento da conta de luz foi o fim do Bônus de Itaipu, desconto concedido nas contas de luz de consumidores elegíveis em agosto.
Sem o benefício em setembro, as faturas voltaram aos valores habituais, elevando o preço da energia elétrica na comparação entre os dois meses, mesmo para consumidores que mantiveram o mesmo consumo.
Além do encerramento do bônus, reajustes tarifários em diferentes regiões do país também pressionaram as contas de luz. Em Belém (PA), São Luís (MA) e Vitória (ES), por exemplo, as tarifas subiram 6,63%, 5,42% e 6,89%, respectivamente.
Embora tenham ocorrido em localidades específicas, esses aumentos influenciaram o resultado nacional do IPCA, que considera a variação dos preços em diferentes regiões brasileiras.
Inflação ultrapassa limite da meta
Com a alta registrada em setembro, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,58%, superando o limite de 4,5% estabelecido para a meta de inflação.
O CMN definiu uma meta central de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, isso significa que a inflação pode variar entre 1,5% e 4,5% sem ultrapassar os limites estabelecidos.
Apesar de o índice ter superado o limite superior em setembro, isso não representa automaticamente o descumprimento formal da meta.
Pelas regras atuais, a meta é considerada descumprida quando a inflação acumulada em 12 meses permanece fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos.
Como o IPCA é calculado?
O IPCA é o principal indicador da inflação oficial brasileira e mede mensalmente a variação dos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias abrangidas pela pesquisa.
O levantamento é realizado em dez regiões metropolitanas: Belém (PA), Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS).
A pesquisa também contempla Brasília (DF) e os municípios de Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Rio Branco (AC), São Luís (MA) e Aracaju (SE).
A partir dos preços coletados nessas localidades, o IBGE calcula a inflação nacional, considerando o peso de cada produto ou serviço no orçamento das famílias pesquisadas.
Por isso, aumentos expressivos em despesas essenciais, como a energia elétrica residencial, podem exercer forte influência sobre o indicador, como ocorreu em setembro.
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