Primeiras projeções para julho indicam crescimento da carga no SIN, avanço mais intenso no Nordeste e Norte e recuo apenas na região Sul. O início da segunda metade de 2026 deverá ser marcada por aumento do consumo de energia elétrica no país, segundo as primeiras projeções do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) para julho.
A estimativa é de crescimento de 1,9% na carga do SIN (Sistema Interligado Nacional) em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando média de 77.737 MWmed. O avanço previsto é puxado principalmente pelas regiões Nordeste e Norte, enquanto apenas o Sul apresenta expectativa de retração.
Esses números constam do PMO (Programa Mensal da Operação) referente à semana operativa entre 27 de junho e 3 de julho e representam as primeiras estimativas do operador para o comportamento da demanda ao longo do segundo semestre.
Segundo avaliação do ONS, embora o inverno já tenha começado na semana passada, o cenário permanece de expansão do consumo na maior parte do país.
Nordeste lidera crescimento
Entre os subsistemas, o Nordeste deverá registrar o maior avanço percentual da demanda, com crescimento estimado de 7,5% e carga média de 13.382 MWmed. Na sequência aparece a região Norte, com expansão projetada de 6,3%, atingindo 8.563 MWmed.
Já o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, responsável pela maior parcela do consumo nacional, deverá apresentar alta mais moderada, de 0,5%, alcançando carga média de 42.299 MWmed.
O Sul é a única exceção entre os quatro subsistemas. Para a região, o ONS estima redução de 1,1% na carga, para 13.493 MWmed, na comparação entre julho deste ano e o mesmo mês de 2025.
Segundo o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, o comportamento da demanda continua sendo influenciado por diferentes fatores, mas o cenário ainda aponta expansão do consumo na maior parte do país, mesmo com o início do período de temperaturas mais baixas.
Sul concentra melhor condição
As projeções hidrológicas do ONS apontam para um cenário distinto entre as regiões brasileiras. O subsistema Sul é o único com previsão de afluências acima da média histórica, atingindo 151% da MLT (Média de Longo Termo). O indicador aponta condições favoráveis para o armazenamento na região.
Já no subsistema das regiões Sudeste/Centro-Oeste, a expectativa é de 96% da média histórica, enquanto que as regiões Nordeste e Norte apresentam projeções hidrológicas inferiores: no caso, de 64% e 63%, respectivamente.
Reservatórios em níveis elevados
As estimativas para a EAR (Energia Armazenada) indicam manutenção de níveis considerados confortáveis nos reservatórios do SIN. O Norte deverá encerrar o período com o maior nível de armazenamento, equivalente a 94,4% da capacidade máxima.
Em seguida aparecem o Sul, com 87%, o Nordeste, com 82,9%, e o Sudeste/Centro-Oeste, cuja projeção é de 65,8%. Os percentuais refletem a energia disponível nos reservatórios e constituem um dos principais indicadores utilizados pelo operador para acompanhar as condições de atendimento ao sistema elétrico.
Norte mantém maior custo
As projeções do PMO também apontam diferenças entre os subsistemas em relação ao CMO (Custo Marginal de Operação).Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste deverão registrar o mesmo valor, de R$ 145,64 por megawatt-hora. Já o Norte permanecerá com custo significativamente superior, estimado em R$ 313,04/MWh.
O CMO é um dos parâmetros utilizados pelo setor elétrico para representar o custo de atendimento da demanda e serve de referência para diferentes análises operacionais e de mercado.
Com as primeiras projeções para julho, o ONS indica um cenário de expansão da carga no início do segundo semestre, sustentado principalmente pelo desempenho do Nordeste e do Norte, enquanto as condições hidrológicas permanecem mais favoráveis na região Sul e os níveis de armazenamento continuam elevados em todos os subsistemas do país.
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