A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) recomendou, de forma inédita no planejamento setorial brasileiro, a aplicação da tecnologia DLR (Dynamic Line Rating) como solução estrutural para ampliar a capacidade de uma linha de transmissão em São Paulo.
Com investimento estimado em R$ 2,1 milhões, o sistema permitirá aumentar em 20% a capacidade de transporte do trecho e postergar uma reconstrução convencional que exigiria aproximadamente R$ 140 milhões.
O dispositivo deverá ser instalado na linha de transmissão de 138 kV Mogi Guaçu–São João da Boa Vista II, circuitos C1 e C2, integrante das DIT (Demais Instalações de Transmissão).
Segundo a EPE, a tecnologia utiliza o monitoramento de condições climáticas em tempo real para ajustar dinamicamente a capacidade de transporte de energia. Entre as variáveis acompanhadas estão a velocidade do vento, a temperatura ambiente e a radiação solar.
Essa abordagem difere dos métodos tradicionais, que adotam limites fixos e conservadores, calculados a partir de condições climáticas estáticas. Com o DLR, o planejamento passa a considerar a capacidade efetivamente disponível na linha conforme as condições monitoradas, ampliando o aproveitamento da infraestrutura existente.
As análises técnicas indicam que o limite de transporte em regime normal do trecho, identificado como o principal gargalo operacional da linha, poderá passar de 79 MVA para 95 MVA.
De acordo com a EPE o aumento dará maior flexibilidade ao sistema regional e abrirá margem para que as distribuidoras locais contratem novos MUST (Montantes de Uso do Sistema de Transmissão).
A ampliação também busca garantir o suprimento de grandes cargas eletrointensivas que se conectam à região, como os data centers. O prazo previsto para implantação dos sensores é de até 14 meses.
Segundo a empresa, a solução permitirá postergar a reconstrução completa da linha para além do horizonte de 2038, prolongando o aproveitamento da infraestrutura existente.
O investimento de aproximadamente R$ 140 milhões corresponde à estimativa para essa reconstrução convencional. A proposta com DLR busca adiar esse desembolso mediante uma intervenção de menor custo, contribuindo para a modicidade tarifária.
No relatório, a EPE afirma que a tecnologia permitirá “maximizar a utilização da infraestrutura existente e postergar investimentos em ativos de transmissão”.
Estudo também propõe reforços em 374 km de linhas
Além do DLR, o estudo recomenda um conjunto de obras nas regiões de Araras, Atibaia e Mogi Mirim para aumentar a confiabilidade da rede DIT de 138 kV e atender ao crescimento da carga em São Paulo.
As intervenções incluem a recapacitação de 374 quilômetros de linhas de transmissão de circuito duplo e a instalação de um dispositivo baseado na tecnologia SSSC (Static Synchronous Series Compensator), destinado ao controle do fluxo de potência ativa e à otimização da rede existente.
O conjunto de soluções combina intervenções na infraestrutura com tecnologias que permitem utilizar melhor a capacidade da rede, buscando atender à expansão da demanda com eficiência nos investimentos.
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