Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão disputar a Presidência da República no próximo dia 25 de outubro, após uma votação apertada no primeiro turno. O candidato do PL terminou à frente do petista, com uma diferença de aproximadamente dois pontos percentuais.
Com o cenário do segundo turno presidencial definido, as propostas para o setor de energia ganham atenção diante dos diferentes caminhos apresentados pelas candidaturas para a política energética brasileira a partir de 2027.
O Canal Solar analisou os planos de governo apresentados pelas duas campanhas, com foco nas propostas para energia elétrica, armazenamento, fontes renováveis, transmissão, tarifas, gás natural, petróleo e biocombustíveis.
Os documentos apresentam pontos de convergência, como a busca por segurança energética e a expansão da infraestrutura, mas diferem nas estratégias e nos instrumentos previstos para alcançar esses objetivos.
Confira as propostas apresentadas pelos dois candidatos:
Conta de luz
A redução da conta de luz aparece nos dois programas. Flávio Bolsonaro propõe simplificar as tarifas de energia elétrica por meio da racionalização de encargos e subsídios cruzados.
O plano prevê a redução gradual da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) e dos incentivos destinados a determinadas fontes, com manutenção da Tarifa Social. O documento também defende a redução de impostos sobre energia e combustíveis.
Já o programa de Lula aborda o tema sob a ótica da justiça tarifária e da sustentabilidade econômico-financeira do setor. O plano propõe discutir medidas para baratear a energia para consumidores residenciais e empresas.
Armazenamento de energia
Flávio Bolsonaro propõe a implantação de um programa de armazenamento de energia, com baterias de grande porte e outras tecnologias. O plano também busca aproveitar a matriz elétrica renovável brasileira para atrair investimentos privados e transformar o país em um polo global de data centers sustentáveis.
Já o programa de Lula prevê ampliar os investimentos em armazenamento e abrir uma nova frente de investimentos em baterias. A proposta também relaciona a transição energética à política industrial, com o objetivo de agregar valor às cadeias de baterias e armazenamento, hidrogênio de baixa emissão, petroquímica verde, bioprodutos e reatores nucleares modulares.
Energias renováveis e transmissão
Na expansão das renováveis, os planos também apresentam estratégias para adequar a infraestrutura elétrica ao crescimento da geração. Flávio Bolsonaro propõe ampliar e modernizar a rede de transmissão para integrar novas fontes renováveis e reduzir congestionamentos no sistema elétrico.
Já Lula prevê aumentar a participação das renováveis na matriz, dar continuidade aos leilões de transmissão e coordenar a expansão da geração e da rede para reduzir restrições operativas e ampliar o aproveitamento dos recursos renováveis.
Combustíveis e transportes
No segmento de combustíveis e transportes, os dois candidatos também apresentam propostas para ampliar a infraestrutura e avançar na transição energética, mas diferem nos caminhos previstos.
Flávio Bolsonaro defende ampliar a infraestrutura de escoamento e transporte de gás natural, com segurança jurídica e regras voltadas à atração de investimentos privados. Para os biocombustíveis, o plano cita o incentivo ao etanol, biodiesel, HVO, SAF e biogás, além do fortalecimento do RenovaBio e de linhas de financiamento para empresas de biogás.
Lula, por sua vez, relaciona o avanço do gás natural e da transição energética à continuidade dos investimentos da Petrobras, incluindo exploração onshore e offshore, revitalização de campos maduros e expansão da infraestrutura de gás.
O plano também propõe ampliar a produção de biocombustíveis e aprimorar o RenovaBio, com estímulos ao etanol, biodiesel, biometano, SAF e outros combustíveis de baixa intensidade de carbono, com o objetivo de avançar na substituição progressiva dos combustíveis fósseis.
Na área de transportes, o programa de Lula também prevê fomentar a descarbonização do transporte público coletivo por meio da eletrificação das frotas de ônibus e da expansão de trens e metrôs.
Diferentes caminhos para o setor de energia
Embora apresentem pontos em comum, os programas indicam estratégias distintas para a política energética brasileira nos próximos anos.
Flávio Bolsonaro concentra as propostas na redução de encargos e subsídios, diminuição de impostos, simplificação regulatória e atração de investimentos privados. O plano também relaciona a disponibilidade de energia renovável e armazenamento à atração de novos empreendimentos, como data centers.
Lula, por sua vez, associa a transição energética ao planejamento de longo prazo, aos investimentos públicos e privados, à atuação da Petrobras e ao desenvolvimento da indústria nacional.
As propostas apresentadas nos dois documentos mostram que temas como custo da energia, expansão da rede, integração das renováveis e novas tecnologias deverão ocupar espaço no debate sobre os rumos do setor energético brasileiro a partir de 2027.
Clique e confira abaixo, na íntegra, os planos de governo dos candidatos:
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