O custo do frete marítimo internacional mais que dobrou nas últimas semanas e já ultrapassa os US$ 5 mil por contêiner em algumas rotas que abastecem o mercado brasileiro.
A alta afeta diretamente diversos setores da indústria, incluindo o segmento de energia solar, fortemente dependente da importação de módulos fotovoltaicos, inversores e outros equipamentos vindos da Ásia.
O movimento é resultado de uma combinação entre aumento da demanda global por embarques, encarecimento do combustível marítimo e impactos geopolíticos provocados pelas tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo Estados Unidos e Irã.
Além da elevação dos custos de seguro das embarcações, muitas companhias marítimas passaram a adotar rotas alternativas para evitar regiões consideradas de maior risco. Em alguns casos, os navios estão desviando pelo Cabo da Boa Esperança, na África, o que adiciona entre 15 e 20 dias ao tempo de trânsito das cargas.
A mudança operacional reduziu a disponibilidade de embarcações e provocou um efeito em cascata sobre toda a logística global, aumentando o intervalo entre viagens e pressionando ainda mais os preços do transporte marítimo.
De acordo com Eudes Silveira, especialista em comércio exterior e diretor da Port Trade, os fretes que variavam entre US$ 1,2 mil e US$ 2 mil entre janeiro e abril passaram para uma faixa entre US$ 4,8 mil e US$ 5,7 mil nas últimas semanas, dependendo do porto e da rota utilizada.
“Sofremos um aumento (nos custos do frete marítimo por contêiner) bem acima de 200% nos últimos 30 dias. Se comparar com o começo do ano, estamos falando de quase 400%”, disse ele.
O executivo explica que o aumento do tempo de navegação faz os navios permanecerem mais tempo em trânsito, reduzindo a oferta global de embarcações disponíveis. Paralelamente, o consumo de combustível também cresce, justamente em um momento de alta nos preços energéticos internacionais.
Segundo o especialista, os impactos da alta dos fretes não devem se limitar ao setor solar. Segmentos como agronegócio e varejo também devem sentir os efeitos do encarecimento logístico nos próximos meses, principalmente nas cargas voltadas ao abastecimento do fim do ano.
“As cargas embarcadas agora para a reta final do ano, especialmente para o Natal, chegarão ao país com um custo muito mais elevado”, explicou.
Silveira destaca ainda que a soma de fatores como redirecionamento de rotas marítimas, aumento do combustível, gargalos portuários e redução da oferta de embarcações vem gerando um efeito conhecido no setor como GRI (General Rate Increase), mecanismo utilizado pelos armadores para reajustar os valores do transporte marítimo internacional.
Segundo ele, mesmo com fretes na faixa entre US$ 4,8 mil e US$ 5,7 mil, o mercado já começa a enfrentar problemas de “rolagem de carga”, situação em que contêineres deixam de embarcar nas datas previstas devido à limitação operacional das companhias marítimas.
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