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Furtos de energia preocupam distribuidoras em meio ao aumento da conta de luz

Com a conta de luz cada vez mais nas alturas, os consumidores brasileiros têm buscado a todo custo economizar energia para garantir uma renda extra no final do mês. Não é à toa, por...
Autor: 13 de setembro de 2021setembro 14th, 2021Brasil
Furtos de energia preocupam distribuidoras em meio ao aumento da conta de luz

Com a conta de luz cada vez mais nas alturas, os consumidores brasileiros têm buscado a todo custo economizar energia para garantir uma renda extra no final do mês. Não é à toa, por exemplo, que a procura por painéis solares tem crescido de maneira avassaladora neste ano.

No entanto, muitas pessoas acabam partindo para outra linha de pensamento e até cometendo crimes para garantir eletricidade sem precisar pagar por ela. É o caso dos furtos de energia elétrica, num procedimento que é popularmente conhecido como “gato”.

Em 2021, o número de ocorrências registradas pelas concessionárias brasileiras mais uma vez chama a atenção. A CPFL Paulista, por exemplo, informou que, somente no primeiro semestre deste ano, já identificou cerca de 14 mil gatos de energia em todas as cidades da sua área de concessão.

Na comparação com o mesmo período de 2019, houve aumento de 35%. Já, frente a 2020, o número se manteve no mesmo patamar, muito em função do maior número de ações de fiscalização. Ao todo, foram 51 medidas de segurança patrimonial nos primeiros seis meses de 2021, com 1.145 boletins de ocorrência registrados e 54 conduções de criminosos à delegacia.

Entre os municípios com maior volume de fraudes identificadas no primeiro semestre de 2021, Campinas está em primeiro lugar com 3.386 casos. Logo atrás, aparecem Ribeirão Preto e Piracicaba, com 2.267 e 791 casos, respectivamente.

Para os projetos de blindagem de rede, blindagem de medição e regularização de consumidores clandestinos, a CPFL informou que prevê um investimento de R$ 1,02 bilhão até 2025, o maior já realizado na história da concessionária.

Outras concessionárias

A Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) é outra empresa do ramo de energia que também tem se mostrado preocupada com o problema. No dia 31 de agosto, a concessionária e a Polícia Civil realizaram uma força-tarefa na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG) para reduzir o prejuízo causado nas contas de luz e conscientizar a população.

Segundo a companhia, de janeiro a julho deste ano, mais de 225 mil serviços de inspeções foram realizados em unidades consumidoras, com foco na regularização e garantia da conformidade da medição. O prejuízo causado por esse tipo de crime no Estado é de R$ 390 milhões por ano.

Na região Sul do Brasil, por sua vez, é a Copel (Companhia Paranaense de Energia) que também está preocupada com a quantidade de furtos de energia. A empresa informou que contabilizou cerca de 10,3 mil gatos no Estado do Paraná entre os meses de janeiro e agosto deste ano.

Com cerca de um quarto do ano pela frente, a tendência é que o índice possa superar os crimes registrados em todo o período de 2020, quando cerca de 16,2 mil infrações foram localizadas entre janeiro e dezembro. Em relação aos doze meses de 2019, os números atuais baterão com folga as quase 10,9 mil ocorrências contabilizadas.

Prejuízos

Os brasileiros já convivem há tempos com os impactos econômicos causados pelo aumento da conta de luz e os furtos de energia têm agravado ainda mais esse cenário, uma vez que oneram o consumidor final, já que o desvio é repassado e “representa cerca de 5% do valor da tarifa”, explica Dirceu Ferreira, especialista em geração e distribuição de energia.

Segundo a ABRADEE (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia), a ligação clandestina é considerada a segunda maior causa de morte no país relacionada à energia elétrica.  Além do problema financeiro, o furto pode provocar defeitos em equipamentos e gerar um aumento no tempo de trabalho dos colaboradores em campo para corrigir as instalações com fraude, prejudicando os consumidores que dependem do recurso.

Na avaliação de Ferreira, algumas ações simples poderiam ser tomadas pelo Poder Público para evitar o aumento do furto de energia no Brasil. “Há várias soluções a curto, a médio e a longo prazo. Eu destaco: rever o método de cálculo do ICMS e reduzir as porcentagens que incidem sobre a energia elétrica; e também realizar investimentos e estímulos em energia renováveis, como a solar, por meio de linhas de financiamento apropriadas para isso”, pontuou.

Crédito da foto: Leonardo Ferraz / O São Gonçalo.

Henrique Hein

Henrique Hein

Atuou como repórter no jornal Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de matérias jornalísticas. Acompanha o setor de energia solar fotovoltaica, cobrindo as editorias de Mercado e Tendências; Negócios e Empresas; Cases e Bastidores da Política.

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