Sete associações do setor elétrico se uniram para pressionar a alta cúpula do setor a flexibilizar os critérios utilizados nos modelos de formação de preço da energia.
Na próxima quarta-feira (10), o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), presidido pelo Ministério de Minas e Energia, tomará uma decisão que pode ter reflexos importantes sobre os custos de operação do SIN (Sistema Interligado Nacional).
A expectativa do mercado é que, nessa reunião, o Comitê apresente novos parâmetros de aversão ao risco. Desde 2025, o sistema passou a adotar o chamado CVaR 15/40. Em termos simples, isso significa que o modelo passou a atribuir um peso maior aos cenários hidrológicos mais desfavoráveis, tornando a formação de preços mais conservadora.
Segundo diversos agentes do mercado, essa mudança contribuiu para aumentar a volatilidade dos preços e elevar os custos associados à operação do sistema.
De acordo com o manifesto “Segurança energética na medida certa”, assinado por associações que representam comercializadores, geradores, consumidores e autoprodutores de energia, o parâmetro mais adequado seria o CVaR 15/30.
Segundo o documento, essa configuração proporcionaria uma redução de R$ 85/MWh no CMO (Custo Marginal de Operação) e um impacto tarifário negativo de 1,74%, assegurando o atendimento do sistema mesmo em um cenário hidrológico extremamente adverso.
O estudo considera os impactos da geração térmica contratada no leilão de capacidade (LRCAP) promovido nos dias 18 e 20 de março, que viabilizou cerca de 20 GW de capacidade, ampliando significativamente os recursos disponíveis para garantir a segurança do sistema.
O ponto central do debate é a relação entre custo e benefício. A manutenção do critério atual, segundo as associações, aumentaria a conta de energia dos brasileiros em cerca de R$ 3 bilhões para acrescentar apenas 0,4 ponto percentual ao armazenamento de água nos reservatórios das hidrelétricas.
“O desafio consiste em garantir a segurança energética na medida adequada, adotando critérios técnicos, econômicos e sistêmicos que preservem a confiabilidade do suprimento sem impor custos adicionais à sociedade”, defende o manifesto.
A reportagem do Canal Solar apurou que o estudo que embasa os argumentos das associações foi elaborado pela Volt Robotics. Uma das conclusões apontadas é que o parâmetro 15/25 consegue entregar maior nível de armazenamento e menor custo quando comparado aos pares 15/30 e 15/35.
No entanto, como o CVaR 15/30 não constava na nota técnica do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), a inclusão dessa alternativa poderia gerar ruídos adicionais na discussão.
“Manter os parâmetros atuais que foram adotados em um contexto sem a realização do LRCAP causa pressão nos preços do mercado livre para comércios e indústrias do Brasil, além de provocar aumento tarifário relevante para consumidores residenciais com efeitos inflacionários”, diz o manifesto.
O pano de fundo é que comercializadores e consumidores têm interesse direto nesse tema. A atual crise enfrentada por algumas comercializadoras e as dificuldades de contratação de energia estão no centro do debate. Na avaliação de agentes do mercado, a definição desses novos parâmetros técnicos poderá influenciar de forma relevante o comportamento dos preços de energia a partir de 2027.
Assinam o manifesto:
- Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica)
- Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica (Abiape)
- Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace Energia)
- Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel)
- Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace)
- Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen)
- Frente Nacional dos Consumidores de Energia
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