A Atlas Renewable Energy suspendeu planos de investir US$ 1 bilhão em novos projetos de energia renovável no Brasil, em meio ao avanço do curtailment no país. A informação foi dada pelo CEO da companhia, Carlos Barrera, à Reuters, durante a feira solar SNEC 2026, em Xangai.
Segundo o executivo, há pelo menos 1,5 GW suspensos no Brasil, onde a empresa já havia planejado iniciar a construção. Barrera ainda afirmou que a combinação entre restrições do sistema e o desenho atual do mercado brasileiro vem tornando mais difícil a expansão de novos projetos renováveis.
A fala ocorreu durante a participação do executivo na SNEC, onde ele também discutiu o avanço da inteligência artificial, da digitalização e dos data centers e seus impactos sobre a demanda global por energia.
Nesse contexto, Barrera defendeu que a América Latina pode ganhar espaço no novo ciclo de crescimento, apoiada por recursos renováveis, expansão da infraestrutura energética e capacidade de entregar energia limpa em larga escala.
À Reuters, porém, o executivo afirmou que o ambiente brasileiro segue pressionado pelo curtailment. Segundo Barrera, o problema vai além dos cortes de geração em si: empresas que têm sua produção rejeitada pelo operador acabam, em alguns casos, precisando comprar energia no mercado para honrar contratos, pagando mais do que o valor pelo qual venderam originalmente.
Restrições de projetos renováveis
A pressão sobre o setor aparece também nas avaliações de risco. Segundo a Fitch Ratings, agência de classificação de risco de crédito, afirmou que os projetos de energia renovável no Brasil devem continuar enfrentando restrições de geração nos próximos anos, com impacto sobre fluxo de caixa, índices de cobertura do serviço da dívida e liquidez.
A Fitch Ratings atribuiu Perspectiva Negativa a 11 ratings de financiamento de projetos renováveis e indicou que esse cenário pode persistir até 2030, quando a linha de transmissão Graça Aranha deverá ampliar a capacidade de intercâmbio entre as regiões Nordeste e Sudeste.
Ainda de acordo com a Fitch, a pressão sobre os projetos tende a continuar até que outras soluções, como a implantação de baterias e o aumento da demanda de energia, se tornem viáveis.
A agência também aponta que, no Brasil, o corte de geração vem sendo impulsionado pelo avanço rápido das fontes renováveis intermitentes e pela defasagem da infraestrutura de transmissão e da demanda capaz de absorver os acréscimos de capacidade.
A Fitch destaca ainda que o chamado curtailment energético (quando a oferta supera a demanda) não se qualifica para compensação pelas regras atuais e tem sido uma das categorias com maior impacto financeiro para as geradoras.
Em outra frente, a agência informou que encerrou observação negativa para 13 ratings de financiamento de projetos renováveis no Brasil, com seis rebaixamentos e sete confirmações. Desse grupo, nove permaneceram com perspectiva negativa, refletindo a expectativa de continuidade da pressão sobre geração e liquidez.
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