A busca por soluções de energia sem investimento inicial vem ganhando espaço entre grandes consumidores brasileiros, especialmente nos segmentos de varejo, shopping centers, indústria, agronegócio e mineração.
Segundo Fernando Silveira, diretor comercial da GreenYellow, esses setores estão entre os principais impulsionadores do modelo conhecido como Energy as a Service, que permite a contratação de infraestrutura energética sem a necessidade de aquisição dos ativos. A avaliação foi feita durante participação no último episódio do podcast Papo Solar, promovido pelo Canal Solar.
De acordo com o executivo, o crescimento desse mercado tem sido impulsionado não apenas pela busca por redução da conta de energia, mas também por fatores como elevados custos de uso da rede elétrica, limitações de demanda das distribuidoras e necessidade crescente de confiabilidade operacional.
O modelo as a service permite que consumidores utilizem soluções de GD (geração distribuída) e armazenamento de energia sem a necessidade de investimentos iniciais.
Na prática, empresas especializadas realizam o aporte financeiro, instalam e operam os sistemas, enquanto o cliente paga pelo serviço prestado ao longo do contrato. A solução pode ser estruturada, por exemplo, por meio da locação de equipamentos instalados diretamente nas unidades consumidoras.
Nesse formato, o cliente paga uma mensalidade pelo uso dos ativos, reduz significativamente o consumo da rede convencional e protege-se contra quedas de energia e tarifas altas no horário de pico. Em alguns casos, o consumidor pode até assumir a propriedade dos equipamentos ao final do contrato.
Principais mercados
Segundo Silveira, o varejo alimentar segue como um dos principais mercados para esse tipo de solução. “O varejo alimentar tem bastante demanda. Shopping centers também têm bastante e as indústrias, de forma geral”, afirmou.
Na avaliação do executivo, a competitividade dos projetos depende principalmente da relação entre o custo de geração da energia e o custo que o consumidor teria ao continuar comprando eletricidade da rede. “A gente tem um binômio. De um lado, você tem o custo do solar. Do outro, você tem o custo de substituição da energia”, explicou.

Ele ressaltou ainda que regiões com tarifas mais elevadas de uso do sistema de distribuição tendem a apresentar maior potencial para esse tipo de contratação. “Tem lugar, por exemplo, no Rio de Janeiro, onde a TUSD passa de R$ 200,00”, destacou.
Segundo Silveira, clientes comerciais localizados em regiões com tarifas elevadas e aumento constante dos encargos setoriais costumam apresentar uma demanda mais clara por soluções energéticas alternativas, especialmente quando há possibilidade de combinar redução de custos com aumento da segurança operacional.
Para o executivo, entretanto, a principal transformação do mercado está no fato de que a energia deixou de ser vista apenas como uma despesa. “Quando você consegue vender a solução muito além do desconto na conta de luz, aí fica matador. Você passa a falar de aumento de produtividade”, afirmou.
Nesse contexto, Silveira aponta os shopping centers como um dos segmentos mais promissores para o modelo Energy as a Service. Segundo ele, esses empreendimentos combinam elevada demanda energética, disponibilidade de espaço e necessidade de soluções complementares.
O diretor comercial da GreenYellow citou ainda um case da companhia de uma empresa de mineração de ouro que estava localizada em uma região sem infraestrutura elétrica disponível.
Para viabilizar a atividade, a empresa desenvolveu uma solução baseada em geração solar associada ao armazenamento em baterias. “O cara está em um local que não tem energia na rede. Como é que você vai entregar energia para ele? É solar com bateria”, explicou.
O projeto, segundo Silveira, contempla 3 MWp de geração solar associados a 5 MWh de armazenamento, demonstrando como o modelo as a service pode atender demandas que vão muito além da simples redução da conta de energia.
Na avaliação do executivo, os clientes mais aderentes ao modelo atualmente compartilham desafios semelhantes, como altos custos de TUSD, limitações de demanda impostas pelas distribuidoras, problemas relacionados à qualidade do fornecimento e necessidade crescente de confiabilidade operacional.
Nesse cenário, Silveira explica que a energia deixa de ser apenas um custo operacional e passa a ser tratada como um ativo estratégico para o crescimento dos negócios.
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