O Brasil precisa acelerar a contratação de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) para melhorar a estabilidade do grid e contribuir para reduzir os riscos de apagões nos próximos anos. O alerta foi feito por Harry Neto, diretor de Solar, BESS e Building da WEG, durante o Canal Conecta VI, evento do Canal Solar realizado em São Paulo (SP).
Segundo Neto, a expansão da geração de energia solar, combinada com o aumento do consumo por data centers e veículos elétricos, exigirá investimentos em tecnologias capazes de equilibrar a oferta e a demanda de eletricidade ao longo do dia.
O problema, conforme explicou, está relacionado ao descasamento entre os períodos de maior produção solar e os momentos em que a demanda por eletricidade aumenta. Enquanto a geração fotovoltaica se concentra durante o dia, parte significativa do consumo ocorre no fim da tarde e à noite, quando a produção solar diminui.
Esse comportamento, segundo ele, intensifica a chamada curva do pato, fenômeno caracterizado pela redução da demanda líquida durante os horários de maior geração solar e pela necessidade de aumento rápido do fornecimento de outras fontes quando essa produção cai.
Na avaliação de Neto, a elevada participação da energia solar também amplia os desafios de controle de tensão e de estabilidade da rede elétrica. O armazenamento, nesse contexto, pode absorver parte da energia produzida em períodos de maior oferta e disponibilizá-la nos momentos de maior necessidade do sistema.
Armazenamento pode reduzir custos na indústria e no agronegócio
Além da contribuição para a segurança do sistema elétrico, Neto apresentou aplicações comerciais do BESS em diferentes segmentos. Na indústria, as baterias podem ser utilizadas para reduzir picos de consumo (peak shaving), evitar ultrapassagens da demanda contratada e melhorar a qualidade do fornecimento, especialmente em processos produtivos contínuos.
No agronegócio, a integração de armazenamento, geração solar e outras fontes em microrredes permite reduzir a utilização de geradores a diesel. O executivo também destacou o conceito de revenue stacking, ou empilhamento de receitas, que consiste em combinar diferentes benefícios econômicos em um mesmo projeto de armazenamento.
Essa abordagem amplia as possibilidades de aplicação das baterias para além do fornecimento de energia de emergência, incluindo o gerenciamento energético e a redução de custos operacionais.
Nanorredes e usinas virtuais
Harry também apontou a evolução das instalações residenciais e comerciais para sistemas que integram geração solar, baterias, automação e gerenciamento inteligente do consumo. Essas estruturas, conhecidas como nanorredes, poderão, segundo ele, futuramente integrar usinas virtuais de energia (Virtual Power Plants ou VPPs), que coordenam diferentes sistemas distribuídos para atuar de maneira conjunta.
A tecnologia abre, segundo ele, possibilidades para o gerenciamento de cargas e o aproveitamento da energia armazenada, ampliando o papel de consumidores e empresas na operação do sistema elétrico. Outra tendência destacada por Neto durante o evento foi o avanço dos inversores híbridos, que permitem integrar geração solar e armazenamento de energia em uma mesma instalação.
Nesse cenário, o executivo explicou que soluções com controle de exportação, como o Grid Zero, associadas ao armazenamento, podem ampliar o aproveitamento local da energia fotovoltaica e abrir novas oportunidades para integradores solares.
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