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Menos de 2% dos GW cadastrados no leilão de baterias devem de fato competir no certame, diz Huawei

Avaliação da companhia é de que menos de 4 GW devem disputar o certame, apesar dos 300 GW em projetos cadastrados

Canal Solar - Menos de 2% dos GW cadastrados no leilão de baterias devem de fato competir no certame, diz Huawei

Roberto Valer, atual CTO e diretor técnico da divisão Huawei Digital Power no Brasil. Foto: Huawei/Divulgação

Dos cerca de 300 GW cadastrados para o primeiro LRCAP-BESS (Leilão de Reserva de Capacidade voltado para a contratação de Sistemas de Armazenamento de Energia por Baterias) previsto para dezembro, apenas entre 3 GW e 4 GW deverão, de fato, chegar à etapa competitiva, na avaliação de Roberto Valer, CTO da Huawei Digital Power Brasil.

A estimativa foi apresentada durante recente reunião do executivo com a equipe de Research ESG da XP, que discutiu as perspectivas do armazenamento de energia no Brasil antes do leilão. A redução entre os 300 GW cadastrados e a capacidade efetivamente habilitada deverá ocorrer por três filtros principais:

  • A habilitação técnica conduzida pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética);
  • As limitações da rede elétrica, avaliadas pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) em aspectos como margem de escoamento, limites de carga e descarga;
  • Impactos sobre a estabilidade do sistema; e as exigências de garantias financeiras.

Mesmo com essa filtragem, Valer considera conservadora a previsão governamental de 2 GW. Na sua avaliação, o volume que conseguir superar as etapas de seleção será suficiente para sustentar uma contratação de 3 GW a 4 GW.

Focos do mercado

Segundo Valer, dois temas concentram as atenções antes do certame. Um deles é a divisão da contratação entre o Produto A, submetido a requisitos de conteúdo local, e o Produto B, aberto à participação de equipamentos importados. Na avaliação apresentada na reunião, a maior parcela da capacidade deverá ser contratada pelo Produto A.

O segundo ponto é a definição de quem ficará responsável pelo pagamento do EER (Encargo de Reserva de Energia). A alocação desses custos precisa ser estabelecida antes da formalização dos contratos e, segundo a avaliação de Valer, pode afetar o calendário do leilão.

Uma alternativa discutida pelo setor é desvincular a definição do encargo da formalização contratual, embora essa solução também possa resultar em adiamento do certame.

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Mercado ainda incipiente

Apesar do interesse despertado pelo leilão, o mercado brasileiro de sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) ainda está em estágio inicial. Segundo Valer, existem cerca de 1,4 GWh contratados no país, concentrados principalmente em aplicações off-grid voltadas ao atendimento de comunidades remotas.

No mercado global, a capacidade instalada chegou a aproximadamente 100 GWh em 2025, concentrada sobretudo nos Estados Unidos e na região Ásia-Pacífico, particularmente na China. Entre 65% e 70% desse volume corresponde a sistemas front-of-the-meter.

C&I, rede e diesel ampliam oportunidades

A expectativa é de expansão especialmente no segmento comercial e industrial (C&I). Uma das aplicações apontadas por Valer é a arbitragem de energia, permitindo deslocar o consumo para horários de tarifas menores e reduzir o custo da eletricidade.

Outras duas frentes também podem ganhar espaço. Uma delas é o uso de baterias para adiar ou otimizar investimentos em reforços de rede, funcionando em determinadas situações como alternativa à expansão da infraestrutura de transmissão e conexão. A outra é a substituição de geradores a diesel, principalmente em setores como agronegócio e mineração.

Data centers

A expansão dos data centers também aparece como potencial vetor de demanda. Hoje, as baterias são utilizadas nesses empreendimentos principalmente como sistemas de reserva, garantindo a continuidade do fornecimento durante interrupções, geralmente por períodos de 15 a 30 minutos.

A tendência, segundo a avaliação apresentada à XP, é de ampliação dessas funções à medida que o crescimento da inteligência artificial aumente a demanda por eletricidade. Nesse cenário, os BESS podem contribuir não apenas para a segurança do fornecimento, mas também para o gerenciamento da conexão e das variações impostas à rede.

Para a XP, a combinação entre a contratação regulada e essas novas aplicações reforça a percepção de que o Brasil se aproxima de um ponto de inflexão na adoção de sistemas de armazenamento.

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Antonio Carlos Sil
Sobre o autor
Antonio Carlos Sil

Antonio Carlos Sil é jornalista formado pela FMU/FIAM. Atuou como repórter pela Brasil Energia, além de serviços prestados para Agência Estado, Exame e Canal Energia. Trabalhou em assessorias de comunicação da CPFL Energia, CESP e AES Tietê. Cobre setor elétrico desde 2000. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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