A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) divulgou nesta segunda-feira (3) o resultado do cadastramento de projetos para o primeiro leilão brasileiro destinado exclusivamente à contratação de sistemas de armazenamento de energia por baterias.
Ao todo, foram inscritos 6.091 empreendimentos distintos para disputar o certame, cujo prazo de inscrições foi encerrado na última quinta-feira (31). A região Nordeste concentra 71,1% da potência inscrita, seguida pelo Sudeste (18,8%), Sul (5,1%), Centro-Oeste (3,4%) e Norte (1,6%).
Os projetos puderam ser cadastrados em duas modalidades. A primeira foi o Armazenamento Nacional (2028 A), destinada a sistemas que atendam aos requisitos mínimos de conteúdo nacional. Nela, foram inscritos 5.296 projetos, que somam 261.408 MW de potência.
Já a modalidade Armazenamento (2028 B), aberta à participação de empreendimentos com equipamentos nacionais ou importados, recebeu 5.734 projetos, totalizando 281.003 MW de potência.
Segundo a EPE, 4.939 projetos foram cadastrados simultaneamente nas duas modalidades. Por isso, embora os dois leilões tenham recebido mais de 11 mil inscrições, o número de empreendimentos distintos cadastrados foi de 6.091 projetos.
Nos dois casos, os empreendimentos contratados deverão disponibilizar potência ao SIN (Sistema Interligado Nacional) a partir de 1º de agosto de 2028, por meio de contratos com duração de 15 anos.
O que os números mostram?
Os resultados representam o primeiro retrato do interesse do mercado pelo primeiro leilão de baterias do país. A EPE ressalta, no entanto, que o número de inscrições não significa que todos os empreendimentos participarão da disputa.
Segundo a estatal, as características modulares dos sistemas de armazenamento, aliadas à dispensa de licença ambiental e de certificações de projeto nesta fase de cadastramento, contribuíram para o recorde de inscrições.
Por isso, a etapa de habilitação técnica será decisiva para verificar quais projetos estarão aptos a disputar o leilão, conforme explica Roberto Valler, CTO da Huawei Digital Power Brasil, uma das empresas mais interessadas no certame.
“A expectativa é de uma contratação robusta, alinhada à demanda do mercado e à necessidade sistêmica. A partir de agora, o foco está no acompanhamento da consulta pública e do edital, da análise dos projetos pela EPE e da publicação do mapa de escoamento pela ONS”, disse ele.

Próximas etapas
Com o encerramento do cadastramento, os projetos seguem agora para a fase de habilitação técnica conduzida pela EPE. Apenas os empreendimentos considerados aptos poderão participar do certame.
De acordo com o cronograma divulgado pela estatal, a Nota Técnica de Capacidade de Escoamento será publicada em 28 de setembro. A habilitação técnica está prevista para 17 de novembro, enquanto os leilões serão realizados nos dias 2 e 4 de dezembro.
Durante o período de cadastramento, a EPE informou ter respondido mais de 1.300 dúvidas encaminhadas pelos agentes do setor sobre os procedimentos de inscrição e habilitação dos projetos.
Leilão estabelece novos requisitos
As diretrizes definidas pelo MME para o primeiro leilão de baterias estabelecem contratos de 15 anos, potência mínima de 30 MW, tempo mínimo de descarga de quatro horas, tempo máximo de recarga de seis horas e eficiência mínima de 85%.
O certame também exige tecnologia grid-forming, bonificação locacional e critérios de conteúdo local vinculados ao financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O início do suprimento está previsto para 1º de agosto de 2028, com possibilidade de antecipação caso haja necessidade do sistema elétrico.
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