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Consumidor escolherá fornecedora de energia como escolhe plano de celular, diz CEO da Voltera

Alan Henn diz que aprovação da MP 1.304 provocará mudanças profundas no setor elétrico com abertura total do Mercado Livre

Canal Solar - Consumidor escolherá fornecedora de energia como escolhe plano de celular, diz CEO da Voltera

Alan Henn, CEO da Voltera. Foto: Pri Lippert

Após a aprovação da MP (Medida Provisória) 1.304/2025 no Congresso Nacional, em 30 de outubro — que deu origem ao PLV (Projeto de Lei de Conversão) 10/2025 —, o setor elétrico brasileiro se prepara para uma nova fase marcada pela abertura total do Mercado Livre de Energia e pela criação de um marco regulatório para o armazenamento.

Nos últimos dias, o Canal Solar já havia abordado o tema do armazenamento de energia, em entrevista com Fábio Lima, diretor-executivo da ABSAE (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia) — um dos pontos mais aguardados pela indústria.

Reconhecimento do armazenamento na MP 1.304 é uma vitória para o setor, afirma ABSAE

Agora, o Canal Solar conversou com Alan Henn, CEO da Voltera, empresa brasileira especializada na comercialização de energia no Mercado Livre de Energia, para explicar como a medida muda o cenário para empresas e consumidores e o que esperar da abertura completa do mercado.

Segundo o executivo, o texto aprovado traz a promessa de um mercado mais aberto, competitivo e eficiente. “Com a aprovação desta MP, o setor elétrico brasileiro entra em uma fase de transformação e adaptação”, destacou.

“Por isso, nos próximos meses, será fundamental ficar atento à regulamentação detalhada pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e pelo MME (Ministério de Minas e Energia)”, completou ele.

O que muda para o Mercado Livre de Energia?

Henn explica que o novo texto aprovado traz mudanças estruturais para o segmento no Brasil. Ele lembra que, historicamente, o acesso a este mercado era restrito apenas para grandes consumidores — empresas com faturas acima de R$ 40 mil por mês.

“Em janeiro de 2024, tivemos a primeira grande mudança regulatória: houve uma ampliação no acesso a esse mercado, e a partir desse momento, qualquer empresa do Grupo A, atendida em média tensão, teve o direito de acessar esse mercado”, disse ele.

Contudo, ele destaca que o mercado ainda aguardava ansiosamente pelo próximo avanço regulatório estrutural: abertura total para qualquer empresa ou residência. “E a nova MP trata exatamente desse novo avanço”, frisou.

O executivo destacou que, assim que a nova lei for sancionada pelo presidente Lula (PT), a abertura do Mercado Livre de Energia deverá ser implementada de forma gradual, conforme o cronograma previsto no PLV 10/2025.

O documento prevê (conforme mostra a imagem abaixo) que consumidores industriais e comerciais poderão acessar o ambiente de contratação livre até 24 meses após a entrada em vigor da lei, enquanto os demais, incluindo residenciais, terão esse direito até 36 meses depois.

“Isso significa que o Brasil começa a trilhar o mesmo caminho de países como Itália, Espanha e Reino Unido, onde o consumidor escolhe sua fornecedora de energia da mesma forma que escolhe o seu plano de celular ou o seu banco digital”.

“Para nós, da Voltera, essa abertura é um avanço histórico. Levar liberdade de escolha ao consumidor é o primeiro passo para criar um setor mais eficiente, transparente e sustentável”, finalizou Henn.

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Henrique Hein
Sobre o autor
Henrique Hein

Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.

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