A S&P Global Ratings, uma das principais agências de classificação de risco de crédito do mundo, rebaixou de BB- para B+ a nota da Cosan e manteve perspectiva negativa para a companhia.
As avaliações da S&P são utilizadas por investidores para medir a capacidade das empresas de honrar seus compromissos financeiros e influenciam diretamente o custo de captação de recursos no mercado.
Com a decisão, a Cosan permanece na categoria de grau especulativo, considerada de maior risco pelos investidores. O principal motivo do rebaixamento continua sendo a situação financeira da Raízen, uma das principais controladas da holding.
Em março deste ano, a companhia ingressou com um processo de recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas.
Raízen pede recuperação extrajudicial para reestruturar dívida de R$ 65 bilhões
Segundo a S&P, embora os riscos de contágio decorrentes da recuperação extrajudicial tenham diminuído, a reestruturação alterou de forma permanente o perfil de negócios da Cosan ao reduzir sua participação econômica na Raízen e enfraquecer uma de suas principais fontes de geração de caixa e distribuição de dividendos.
O plano de recuperação, aprovado por mais de 80% dos credores, prevê a reestruturação de cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, incluindo um aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell, uma opção adicional de R$ 500 milhões pela holding da família Ometto e a conversão de 45% da dívida em participação acionária.
A Cosan optou por não participar do aumento de capital da Raízen. A decisão reduz a necessidade de novos desembolsos, mas também diminui sua influência sobre a companhia.
Perda de dividendos pressiona a holding
Na avaliação da agência, a redução da participação na Raízen compromete estruturalmente a capacidade da Cosan de gerar caixa. Em março deste ano, a holding deixou de reconhecer contabilmente os resultados da subsidiária após registrar perdas que reduziram o valor do investimento a zero.
Na prática, a empresa perde uma de suas principais fontes de dividendos, aumentando a pressão sobre sua estrutura financeira. A S&P destaca que a Cosan reduziu aproximadamente R$ 9 bilhões em dívidas desde o fim de 2025, movimento viabilizado por meio da venda de ativos, oferta de ações e do IPO da Compass.
Mesmo assim, a agência projeta que os indicadores de cobertura de juros permanecerão abaixo de 1,0 vez nos próximos dois anos caso a companhia não realize novos desinvestimentos.
Isso porque os dividendos esperados de empresas como Rumo, Compass, Moove e Radar não seriam suficientes para cobrir as despesas financeiras da holding.
A manutenção da perspectiva negativa reflete as incertezas em relação ao plano de venda de ativos e aos impactos que ele poderá ter sobre a geração futura de caixa da Cosan.
Além dos fatores financeiros, a S&P avalia que a forma como a crise da Raízen foi conduzida poderá gerar efeitos reputacionais duradouros para a holding, influenciando a percepção de risco dos investidores e elevando o custo de futuras captações de recursos.
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