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Pacto Energia desiste de construir complexo solar de 1,8 GW no Piauí

Empresa aponta falta de margem de conexão e gargalo no escoamento da energia pelo SIN como principais obstáculos

Canal Solar - Pacto desiste de construir complexo solar de 1,8 GW no Piauí

Foto: Magnific

A Pacto Energia desistiu de construir o Complexo Solar Águas Vermelhas, no Piauí, devido à falta de margem para o escoamento da energia na rede de transmissão da região.

Localizado entre os municípios de Campo Maior e São João do Piauí, o empreendimento teria 1.834 MW de capacidade instalada. As usinas que integram o complexo receberam outorgas entre novembro de 2022 e novembro de 2023. O projeto não possuía contratos de venda de energia nos ambientes regulado ou livre.

A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) também não identificou inadimplência relacionada às obrigações setoriais. Além disso, a implantação estava dentro do cronograma, com o início da operação comercial previsto para novembro de 2028.

O principal obstáculo para a execução do empreendimento foi a indisponibilidade de margem para conexão e escoamento da energia no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Segundo a Pacto Energia, estudos recentes de acesso indicaram que a infraestrutura de transmissão da região está saturada. A conexão do complexo exigiria obras de reforço de grande porte, cujos custos e prazos tornariam o projeto economicamente inviável.

Diante da impossibilidade de garantir o escoamento da geração e da ausência de previsão para uma expansão da rede capaz de acomodar a potência do complexo, a empresa decidiu descontinuar o empreendimento e solicitou voluntariamente a revogação das outorgas.

A medida também evita a manutenção de reservas de capacidade de transmissão que não seriam efetivamente utilizadas.

Curtailment inviabiliza outro projeto no Nordeste

A Solis Energias Renováveis também solicitou a revogação da outorga da UFV Solis, de 42 MW, prevista para ser construída no município de Pureza, no Rio Grande do Norte. A Aneel acatou o pedido após constatar que não havia impedimentos regulatórios.

Segundo a empresa, o atual cenário de cortes de geração renovável comprometeu a viabilidade econômico-financeira originalmente projetada para o empreendimento.

Em carta encaminhada à agência reguladora, a Solis afirmou que os dados públicos disponibilizados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) apontam um crescimento substancial das restrições operativas na região, com aumento progressivo da energia não escoada e sucessivos recordes de curtailment, especialmente nos estados do Nordeste.

A usina solar tinha o início da operação comercial previsto para 11 de setembro de 2027. Os despachos que revogaram as outorgas foram publicados no Diário Oficial da União desta quarta-feira (19).

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Wagner Freire
Sobre o autor
Wagner Freire

Wagner Freire é jornalista graduado pela FMU. Atuou como repórter no Jornal da Energia, Canal Energia e Agência Estado. Cobre o setor elétrico desde 2011. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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