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Perspectivas para o mercado de armazenamento de energia no Brasil

Luiz Mello, diretor-geral comercial de Baterias Industriais, RSM e BESS da Moura, comenta a integração da solar com baterias 

Autor: 24 de novembro de 2021Entrevistas
Perspectivas para o mercado de armazenamento de energia no Brasil

Perspectivas para o mercado de armazenamento de energia no Brasil

Recente estudo divulgado pela NewCharge Energy aponta que o mercado brasileiro de armazenamento de energia está crescendo e poderá atingir uma capacidade de geração de 18 GWh e um faturamento cumulativo de mais de R$ 40 bilhões até 2030. 

Traçando uma estimativa globalmente, as instalações de armazenamento atingirão 358 GW até o final de 2030, mais de vinte vezes do que os 17 GW no final de 2020, de acordo com relatório divulgado pela BloombergNEF (BNEF).

Leia mais: ANEEL aprova 1º projeto de armazenamento de energia em larga escala

Não há dúvidas, este segmento deve crescer no Brasil e no mundo. Inclusive, cada vez mais empresas estão apostando em tecnologias de baterias, como o Grupo Moura

Luiz Mello, diretor-geral comercial de Baterias Industriais, RSM e BESS da Moura, fala sobre a atuação da empresa no mercado de armazenamento, sobre a integração da energia solar com baterias e traça perspectivas para os próximos anos. Confira os principais trechos da entrevista: 

Desde quando a empresa atua no mercado de armazenamento?

Há cerca de dez anos passamos a investir no desenvolvimento de baterias para o mercado de armazenamento de energia. Pouco tempo depois, decidimos investir em estudos e na contratação de uma equipe especializada para o desenvolvimento da nossa própria solução de armazenamento de energia. Em 2019, anunciamos para o setor que a Moura desenvolveu, em parceria com o ITEMM (Instituto Tecnológico Edson Mororó Moura), a primeira tecnologia inteiramente nacional para sistemas de armazenamento. Um produto com preço mais competitivo e com uma robusta estrutura de pós-vendas. Hoje, o Moura BESS (Battery Energy Store System) é fabricado em uma estrutura nossa, em Belo Jardim (PE), com todo o desenvolvimento, a manufatura, a instalação/comissionamento e o pós-venda com equipe própria e totalmente capacitada.  

Quais os principais projetos de armazenamento de energia integrado com solar da Moura?

Os sistemas de armazenamento de energia, apesar de já bem disseminados na China, EUA, Austrália e Europa, estão em fase inicial de introdução na América Latina e Brasil, com grande potencial de crescimento, em especial porque vem sendo considerado pelo MME (Ministério de Minas e Energia) como um dos principais pilares do processo transformação do SEB (Setor Elétrico Brasileiro). Quando integrados a sistemas de geração renováveis intermitentes de energia, como a solar, por exemplo, proporcionam despachabilidade para a fonte. Isso faz com que sejam soluções confiáveis para o equilíbrio entre demanda e geração, em especial para os momentos de ponta de consumo. Pensando nisso, a Moura investiu e mantém uma micro-rede em operação, que possui uma usina fotovoltaica de 312 kWp, um sistema de armazenamento de 560 kWh e um GMG (Grupo Gerador à Diesel) de 75 kVA. A área funciona como um grande demonstrador operacional e tecnológico do produto e está instalada em Pernambuco, no ITEMM.

Como o senhor enxerga essa possibilidade da integração das baterias com usinas fotovoltaicas? O quanto um sistema que utiliza tais tecnologias é beneficiado?

Observamos essa tendência com muito entusiasmo, pois o BESS pode definitivamente impulsionar o crescimento das renováveis, que são intermitentes, garantindo-as desapachabilidade e maior qualidade. Além disso, permitir o crescimento de UFVs consorciadas com UTEs em usinas de geração off-grid, já que tem capacidade de modular a qualidade da energia gerada pelos painéis fotovoltaicos. Outra grande expectativa nossa é o crescimento do mercado de mini geração distribuída com BESS para arbitragem de energia, permitindo que clientes do grupo A possam reduzir seus custos com eletricidade no horário ponta.

Traçando um comparativo de 2021 com 2020, houve um crescimento na quantidade de projetos de armazenamento instalados no Brasil?

O mercado de armazenamento de energia ainda está em fase inicial no Brasil, com grande perspectiva de crescimento a partir de 2022. Ainda são poucos os sistemas em operação e a maioria deles fruto de projetos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) decorrentes da Chamada Estratégica 21 da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), que contribuirão de forma decisiva para o crescimento do segmento. Importantes ajustes regulatórios e tributários estão em curso e contribuirão para alavancar o negócio de BESS no Brasil nos próximos anos. Projeções apontam que em três anos já devemos ter mais de 1 GWh instalado nas mais diversas aplicações atrás ou a frente do medidor.

Quais são as perspectivas da empresa frente ao mercado de armazenamento + energia solar no Brasil? Pretendem investir cada vez mais? Quais as novidades para os próximos meses?

A Moura continuará investindo no desenvolvimento de soluções para o mercado solar no Brasil. Acreditamos que a tecnologia de armazenamento poderá ser uma grande aliada no crescimento das fontes limpas e renováveis de geração de energia. Estamos prontos para o atendimento das demandas de todos as aplicações, sintonizada no movimento de utilização global de energia limpa, mitigando impactos ao meio ambiente, viabilizando cada vez mais o uso de renováveis inclusive em sistemas isolados.

Mateus Badra

Mateus Badra

Atuou como produtor, repórter e apresentador na Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro há mais de um ano, atuando nas editorias de Mercado e Tendências, Mobilidade Urbana, P&D e Equipamentos. Jornalista graduado pela PUC-Campinas.

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