A Powersafe pretende acelerar sua presença no mercado brasileiro de armazenamento de energia com a ampliação da parceria firmada com a HDT (Huawei Digital Power).
A fabricante projeta incorporar cerca de 35 MWh em novos projetos ainda em 2026, ampliando um acordo originalmente anunciado em março pelo Canal Solar e que agora ganha nova dimensão, com a inclusão de tecnologias mais avançadas, plataformas digitais e uma estratégia mais ampla de desenvolvimento do mercado local.
O volume previsto pela empresa equivale, segundo suas estimativas, ao abastecimento de aproximadamente 280 mil pessoas, ou mais de 100 mil residências médias brasileiras.
A iniciativa ocorre em um momento de crescente expectativa em torno da consolidação do mercado nacional de baterias, impulsionado pelos avanços regulatórios recentes e pelas perspectivas de contratação de sistemas de armazenamento em larga escala.
Além da importação
Diferentemente do acordo inicial, a nova etapa da parceria incorpora uma estratégia mais abrangente para inserção das soluções BESS (Battery Energy Storage Systems) no país.
Independentemente da importação da nova geração de equipamentos da Huawei, o entendimento passa a contemplar plataformas digitais de monitoramento, sistemas inteligentes de gestão energética e componentes voltados aos segmentos utility scale, comercial e industrial.
A HDT, por sua vez, assume papel estratégico na estruturação de negócios, disseminação de conhecimento técnico e ampliação do acesso às tecnologias da fabricante chinesa na América Latina.
A Powersafe afirma que estará entre as primeiras empresas a disponibilizar essas soluções no mercado brasileiro. Os primeiros lotes já integram seu planejamento operacional, com expectativa de chegada ao país entre a segunda quinzena de junho e o início de julho.
Grid Forming e inteligência artificial
Entre as principais tecnologias que passam a integrar o portfólio da empresa estão os sistemas Smart String e Grid Forming ESS, considerados pela companhia como alguns dos desenvolvimentos mais relevantes da indústria global de armazenamento.
Também serão incorporados equipamentos com capacidade de 241 kWh dotados de monitoramento operacional baseado em inteligência artificial.
Os sistemas incluem avanços nos protocolos de segurança, aumento da capacidade de armazenamento e maior capacidade de gerenciamento dos ativos.
Um dos destaques é a tecnologia Grid Forming, capaz de fornecer inércia sintética, suporte de tensão e controle avançado de frequência.
Essas funcionalidades são apontadas como importantes em um cenário de crescente participação das fontes renováveis variáveis na matriz elétrica brasileira.
A arquitetura Smart String, por sua vez, permite o gerenciamento individualizado de módulos e packs de baterias, ampliando a previsibilidade de desempenho, a eficiência operacional e os padrões de segurança dos sistemas.
Aplicações
A expectativa é que as soluções atendam uma ampla variedade de aplicações. Entre elas estão usinas solares e híbridas de grande porte, reforço de redes elétricas, subestações, data centers, indústrias com elevada demanda energética, sistemas isolados, microgrids e infraestrutura crítica, como hospitais e telecomunicações.
Os equipamentos também poderão ser utilizados em projetos de resposta à demanda, arbitragem energética e prestação de serviços ancilares voltados à estabilização da rede.
Segundo André Ribeiro, gerente de Renováveis da Powersafe, as soluções foram desenhadas para atender à demanda crescente por estabilidade energética, digitalização da infraestrutura elétrica e modernização dos sistemas utilizados por diferentes perfis de consumidores.
Capacitação
A parceria também incorpora uma frente voltada à formação técnica do mercado brasileiro. O tema ganhou destaque com a realização, em maio, do Masterclass promovido pelas empresas, reunindo integradores, EPCistas, investidores, utilities, desenvolvedores e grandes consumidores de energia.
O encontro abordou tópicos como segurança em aplicações BESS, inteligência artificial aplicada à gestão energética, novas arquiteturas de armazenamento, serviços ancilares e os impactos da expansão das renováveis sobre a estabilidade das redes.
A estratégia prevê ainda treinamentos presenciais, workshops técnicos, programas de certificação, roadshows regionais, centros de demonstração tecnológica, integração com universidades e missões internacionais de imersão.
Mercado bilionário
A ampliação do acordo ocorre em meio às projeções otimistas para o armazenamento no país. Com base no Plano Decenal de Energia 2035, a Powersafe destaca estimativas da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) segundo as quais o Brasil poderá instalar cerca de 10 GW em soluções de armazenamento e mecanismos de resposta da demanda nos próximos anos, movimentando investimentos superiores a R$ 200 bilhões.
Nesse contexto, a expansão da parceria originalmente anunciada em março representa mais do que o reforço de uma relação comercial.
Ela sinaliza uma tentativa de posicionamento antecipado em um mercado que começa a sair do campo das expectativas para ingressar em uma nova fase de implementação prática, impulsionada pela regulamentação recente e pelo avanço da agenda de armazenamento no sistema elétrico brasileiro.
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